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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

                           Crianças Especiais


Existimos para darmos as Mãos

Há alguns anos, nas olímpiadas especiais de Seattle, nove participantes, todos com deficiência mental, alinharam-se para a largada da corrida de 100 metros rasos. Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar.
Um dos garotos tropeçou no asfalto, caiu e começou a chorar. Os outros ouviram o choro, diminuíram o passo e olharam para trás.
Então viraram e voltaram. Todos eles.
Uma das meninas com Síndrome de Down ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse: - Pronto, agora vai sarar! E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos...
Talvez os atletas fossem deficientes mentais....
Mas com certeza, não eram deficientes espirituais...
"Isso porque, lá no fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida, mais do que ganhar sozinho é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir os nossos passos..."
Autor desconhecido


Neste sexto eixo do Curso de Graduação em Pedagogia,estamos explorando a educação das pessoas com necessidades educacionais especiais.As conversas,relatos,reflexões,estudo da história e das legislações vem ao encontro das dúvidas,ansiedades,angustias e desafios que temos como professores dos alunos especiais,e este momento de aprendizagem está sendo de grande valia para a formação docente,já que,em nossas escolas,recebemos e acolhemos a todos,independente das suas necessidades específicas,estrutura escolar ou formação docente.
Ao iniciar estes estudos,quero deixar aqui registrado como vejo a inclusão na Escola e minhas experiências pessoais,até para que ,mais adiante,eu possa perceber minhas aprendizagens a partir destes estudos.
Desde o início de minha caminhada docente,já tive contato com alunos portadores de necessidades educacionais especiais,geralmente crianças com sindrome de Down ou autistas.Infelizmente,no curso normal(magistério) não recebemos formação suficiente para o atendimento destas crianças,então se cuida,se brinca,se observa,se testa,se ama.
No ano de 2006,fui contratada por uma Escola de Ensino Fundamental para atuar como professora apoiadora de um aluno matriculado no primeiro ano,portador de sindrome de Down e autismo.Rodrigo acompanhava todas as atividades desenvolvidas por sua turma,porém necessitava de alguem que o auxiliasse de forma individual e o orientasse em relação a rotina,pertences,higiene pessoal e até para ir ao banheiro.Fez muitas evoluções,era muito esperto e carinhoso com todos,porém passou a ter atitudes extremamente agressivas,surtos e momentos de inquietação intensa.Foi encaminhado a Escola de Educação Especial.
Neste ano,na coordenação de uma Escola Infantil,pude acompanhar o desenvolvimento e as interações de dois alunos autistas.Percebi a dificuldade das educadoras em inseri-los no grupo,em adapta-los ao ambiente escolar,em atender suas demandas e lidar com as frustrações das suas famílias.
Em toda a minha caminhada como educadora pude acompanhar e me esforçar pela qualidade da educação destas crianças que passaram por minhas mãos,mas nunca consegui ter a sensação do dever cumprido.Talvez pela insuficiência de minha formação,pela estrutura da Escola,pela falta de melhores condições e politicas públicas inclusivas...não sei ao certo.Mas tenho o desejo de compreender e buscar maior capacitação para este atendimento e percebo a emergência na melhoria da qualidade da educação inclusiva em nossas Escolas.