terça-feira, 22 de maio de 2018

              ESCOLAS MAIS QUE DEMOCRÁTICAS...


     "A pedagogia libertária espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos,num sentido libertário e autogestionário" (LUCKESI,1994)

 


A pedagogia libertária caracteriza-se por abandonar a questão pedagógica diante de uma perspectiva baseada na liberdade e igualdade,eliminando as relações autoritárias presentes no modelo educacional atual.A ideia básica é introduzir modificações institucionais,a partir dos níveis subalternos que,em seguida vão "contaminando" todo o sistema.
A primeira experiência de Escola Democrática dentro deste conceito libertário,foi a Escola Sumerhill,fundada em 1921 pelo escocês Alexander Sutherland Neil na Inglaterra.No Brasil temos a Escola Amorim Lima e a Escola Presidente Campos Sales,ambas em São Paulo.
Mas a maior referência mundial é a Escola da Ponte,situada em Portugal,pelo educador José Pacheco.A Escola da Ponte defende que é indispensável alterar as práticas educacionais das escolas de maneira de maneira que haja muito mais contato humano fraternal,trabalhando sempre a autonomia de alunos e professores,estimulando o desenvolvimento da cidadania,da liberdade responsável e a solidariedade.Seu idealizador,o professor José Pacheco relata que é um equívoco a ideia de que se poderá construir uma sociedade de indivíduos personalizados,participantes e democráticos,enquanto a escolaridade for concebida como um mero adestramento cognitivo.

CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO DESENVOLVIDO NESTAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO:
-Democracia participativa:direitos de participação iguais para estudantes,professores e funcionários.Dewey defendia a democracia não só no campo institucional,mas também no interior das escolas.
-Alunos escolhem o que querem fazer com seu tempo.Não existe uma obrigatoriedade de frequentar as aulas,os alunos são livres para escolher as atividades que desejam realizar,aprendendo desta forma a ter iniciativa.São responsáveis pela formação e cumprimento das regras a serem seguidas para o bom funcionamento da Escola,são incentivados a buscar o conhecimento a partir de seu interesse,iniciativa e ritmo.
-Não existem cobranças ou atitudes autoritárias.
-Conteúdos próximos ao nivel cognitivo dos estudantes.
-Grupos não determinados pela faixa etária.
-O professor está presente para esclarecimento de dúvidas e orientações,sempre que for consultado.
-Regime livre-educação:Adquire a responsabilidade de seguir o cronograma que ele mesmo se impôs a fazer,desenvolvendo a autonomia e controle pessoal,concientizando-se dos direitos e deveres(cidadania).
-Avaliação de forma continuada e auto-avaliação.
"A avaliação é inclusiva porque o estudante vai ser ajudado a dar um passo a frente.Essa concepção político-pedagógico é para todos os alunos e por outro lado é um ato dialógico,que implica necessariamente uma negociação entre o professor e o estudante"(LUCKESI,2006).
-Planos de aula(oque pretendem saber e como proceder)
-Relatório de descobertas
-Assembleias de alunos,educadores e comunidade escolar em geral para discussão e resolução de problemas.
"A partir do diálogo enfatiza-se a reflexão,a investigação crítica,a análise,a interpretação e a reorganização do conhecimento"(FREIRE,1991).

Na Escola democrática o professor deixa de ser o transmissor ou autoridade para tornar-se o mediador e o facilitador do descobrimento.Atuam como orientadores e esclarecedores de dúvidas.Existe parceria entre professor e aluno.Alunos devem entender o porquê e para quê estudar.

                                    
REPORTAGEM SOBRE A ESCOLA DA PONTE(Programa Fantástico-Rede Globo)




 TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318. v. 4. 2011. Disponível em: <http://docplayer.com.br/7270548-Escolas-democraticas-utopia-ou-realidade.html>. Acesso em: 10 abr. 2018.

sábado, 14 de abril de 2018

LINGUAGEM E EDUCAÇÃO


                       A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

 

"É NO SIGNIFICADO DA PALAVRA QUE O PENSAMENTO E A FALA SE UNEM EM PENSAMENTO VERBAL.É NO SIGNIFICADO,ENTÃO,QUE PODEMOS ENCONTRAR AS RESPOSTAS ÁS NOSSAS QUESTÕES SOBRE A RELAÇÃO ENTRE O PENSAMENTO E A FALA" (VYGOTSKY,2005)



A LINGUAGEM E O TEMPO:


SÉCULO VII a.c :
O rei Pásmético do Egito ordenou que crianças fossem confinadas desde o nascimento até os dois anos,sem convívio com seres humanos,a fim de observar as manifestações linguísticas produzidas em contexto de privação interativa.Conclui-se que a língua frigia é a mais antiga,ainda mais antiga do que a língua egipcia,pois acreditavam que a manifestações emitidas pelas crianças foram próximas a esta língua.Apenas mais recentemente foram feitos estudos sistemáticos sobre a aquisição da linguagem pela criança.

SÉCULO XIX:
Experimentos diários da fala espontânea de filhos de linguístas e estudiosos.

SÉCULO XX:
Visão behaviorista.Assumindo que a linguagem se dá pela exposição ao meio e em decorrência da imitação e do reforço.Aprende por condicionamento,como qualquer outro animal.

FINAL DA DÉCADA DE 50:
Noam Chomski assume que a linguagem é inata.Por volta de 1970,as obras póstumas e estudos  de Vygostky começam a exercer influência sobre os estudos da aquisição da língua materna.Representou uma alternativa ao construtivismo piagetiano,questionando o inatismo Chomskiano. Explica o desenvolvimento da linguagem e do pensamento como tendo origens sociais externas (SCARPA,2001).


"A universalidade da língua e sua aquisição é a primeira razão para suspeitar que a linguagem não é apenas uma invenção cultural,mas produto de um instinto humano específico"(PINKER,2002)


CONCEPÇÕES SOBRE A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM NA CRIANÇA:

BEHAVIORISMO DE SKINNER:

O aprendizado se dá através de um processo denominado condicionamento operante. Comportamento verbal=sucessão de mecanismos estímulo-resposta-reforço.
Um ponto principal desta concepção é que a criança aprende por imitação,é um receptor passivo da linguagem,desprezando seu papel no processo de aprendizagem. A linguagem é essencialmente uma questão de aprendizagem,no sentido de aquisição pela mente,através de um sistema exterior. A criança não aprende uma língua,ela a desenvolve, e todo o ser humano normal é capaz de desenvolver qualquer língua materna.


INATISMO DE CHOMSKY:

Noam Chomsky é o criador do gerativismo,teoria de qua a linguagem é inata.Alinguagem é vista como uma dotação genética do ser humano. A criança nasce pré-programada para adquirir a linguagem e é capaz,a partir da exposição a fala,construir hipóteses sobre a língua que está inserida. Assim,a linguagem é atrtelada a características inerentes a espécie humana,o que reafirma seu caráter universal,fator biológico e cognitivo.

INTERACIONISMO DE VYGOTSKY:

A abordagem de Vygotsky sempre foi orientada para os processos de desenvolvimento humano com base na dimensão sócio-histórica e na interação do sujeito com o outro no espaço social. Linguagem é um processo pessoal ao mesmo tempo em que é um processo social. A aquisição da linguagem na criança se dá devido a interação que a mesma possui com o ambiente que a rodeia e o convívio com outros da mesma espécie. A linguagem tem um papel essencial na formação do pensamento e do carater do indivíduo.Segundo ele, o pensamento e linguagem tem origens distintas. No início da vida,o pensamento não é verbal,e a fala não é intelectual. Há no desenvolvimento da criança,um periodo pré-linguistico do pensamento e um período pré-intelectual da fala. Ressalta que o momento mais importante da vida da criança acontece quando as curvas do pensamento e da fala se convergem,surgindo o pensamento verbal e a fala racional. A criança é o sujeito de seu processo de aquisição da linguagem,construindo seu conhecimento de mundo com a ajuda do outro.


 
"Pode-se considerar a linguagem como um instrumento complexo que viabiliza a comunicação e a vida em sociedade.Sem ela,o ser humano não é social nem natural" Vygotsky



quarta-feira, 4 de abril de 2018

                                Memórias da Tecnologia

 





Significado de Tecnologia

substantivo femininoCiência que estuda os métodos e a evolução num âmbito industrial: tecnologia da internet.Procedimento ou grupo de métodos que se organiza num domínio específico: tecnologia médica.Teoria ou análise organizada das técnicas, procedimentos, métodos, regras, âmbitos ou campos da ação humana.Etimologia (origem da palavra tecnologia). Do francês technologie; do grego technología.FONTE:https://www.dicio.com.br/tecnologia/ 
Neste eixo sete do Curso de graduação em Pedagogia PEAD/UFRGS estamos tendo a oportunidade rica de nos aprofundarmos de forma explícita em conhecimentos que já estão implicitamente presentes,de forma muito marcante,desde o início do curso.A interdisciplina Educação e Tecnologias da Comunicação e da Informação iniciou uma provocação muito interessante ao propor que relembrássemos nossas memórias tecnológicas,e assim,refletirmos que tecnologia não é apenas o que estamos vendo de mais moderno em termos de telefonia,aplicativos ou computadores,mas sim,instrumentos e métodos,tanto na Escola como em situações do cotidiano,afim de comunicação ou informação.A busca na memória escolar de cada um já gerou uma cômica nostalgia e após ao trazermos essa conversa ao grupo se percebe que,o processo tecnológico de cada pessoa traduz uma época,uma geração e traz á tona a formação de seus conhecimentos. MINHAS LEMBRANÇAS...-ÁBACO              -TV COM FITA CASSETE             -PESQUISA EM BIBLIOTECA-CARTILHA                  -MIMEÓGRAFO             -TRABALHO NA CASA DO COLEGA-AVENTAL             -LANCHEIRA COM TÉRMICA                          -PAPÉIS DE CARTA Depois foram chegando....-XEROX         -RETROPROJETOR       -IMPRESSORA    -COMPUTADOR EM CASA-INICIO DA INTERNET  -WINDOWS 98   -SEDEX  -CELULAR "TIJOLÃO"E agora...-GOOGLE       -REDES SOCIAIS  -AMBIENTES VIRTUAIS   -APLICATIVOS DE CONVERSA-PEN DRIVE    MODLLE    -POWER POINT   -SMARTFONE    -DRONES
 Memórias da Tecnologia na Escola:
As memórias sobre os instrumentos tecnológicos no processo de escolarização das componentes deste grupo são muito parecidas e trazem importantes ícones que marcaram gerações.É o caso da cartilha no processo de alfabetização,dos livros didáticos,folhas mimeografadas,ábacos,saídas de pesquisa a biblioteca,que aos poucos foram sendo trocadas pelas folhas xerocadas,os primeiros contatos com o computador,o datashow e agora,mais recentemente a explosão da tecnologia móvel,das redes sociais,dos aplicativos de comunicação e da instantânea pesquisa Google.
A Intencionalidade Pedagógica destes Instrumentos:
Todos estes instrumentos também trouxeram a representação do também avanço na intencionalidade de seu contexto de uso,pois muitos destes,como a cartilha,por exemplo trazem consigo um modelo pedagógico de alfabetização,baseado na repetição por exemplo.As pesquisas feitas na biblioteca,os trabalhos em grupo e os acessórios de exposição utilizados pelo professor(xerox,datashow,ábaco) também revelam este modelo,que aos poucos foi substituído pela autonomia,acesso a informação e trocas de informações proporcionadas pelo avanço da tecnologia,como nos dias de hoje.
Contexto tecnológico atual e Desafios a serem superados:
Atualmente a tecnologia permite o acesso muito mais rápido e muito mais abrangente a informação,a comunicação é feita de forma muito fácil através dos aplicativos e redes sociais e,principalmente,existe uma infinidade de recursos pedagógicos que permitem ao professor um alcance muito maior em termos de aprendizagem.Mas ainda,a tecnologia não é acessível a todos os estudantes,que tem um acesso muito limitado a estes  recursos.As escolas nem sempre conseguem ter disponível os instrumentos necessários,utilizando ainda os instrumentos básicos,aqueles utilizados no passado.Outro agravante é a existência do desconhecimento digital dos estudantes,que não sabem utilizar os meios digitais ou utilizam de forma errada,tendo a tecnologia como um meio de entretenimento e não como forma de busca de conhecimento. 


                                            O MENININHO

                     


Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande.
Quando o menininho descobriu que podia ir à sala caminhando pela porta da rua, ficou feliz. A escola não parecia tão grande quanto antes.
Uma manhã a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer um desenho.
“Que bom!”, pensou o menininho. Ele gostava de desenhar. Leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos... pegou sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar.
- Esperem, ainda não é hora de começar!
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora, nós iremos desenhar flores.
E o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul.
- Esperem, vou mostrar como fazer.
E a flor era vermelha com o caule verde.
- Assim, disse a professora, agora vocês podem começar.
O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isto... virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com o caule verde.
No outro dia, quando o menininho estava ao ar livre, a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro.
“Que bom!” pensou o menininho. Ele gostava de trabalhar com o barro. Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar sua bola de barro.
- Esperem, não é hora de começar!
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora nós iremos fazer um prato.
“Que bom!”, pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos.
- Esperem, vou mostrar como se faz. Assim... Agora vocês podem começar.
E o prato era fundo. Um lindo e perfeito prato fundo.
O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostava mais do seu, mas ele não podia dizer isso... amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo, igual ao da professora.
E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora. E muito cedo ele não fazia mais as coisas por si próprio.
Então, aconteceu que o menininho teve que mudar de escola... 
Esta escola era ainda maior que a primeira.Ele tinha que subir grandes escadas até a sua sala...
Um dia a professora disse:
- Hoje nós vamos fazer um desenho.
“Que bom!”, pensou o menininho. E esperou que a professora dissesse o que fazer. Ela não disse. Apenas andava pela sala. Quando veio até o menininho falou:
- Você não quer desenhar?
- Sim. O que é que nós vamos fazer?
- Eu não sei, até que você o faça.
-Como eu posso fazer?
- Da maneira que você gostar.
- E de que cor?
- Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber qual o desenho de cada um?
- Eu não sei!
E começou a desenhar uma flor vermelha com um caule verde...
Helen Buckley


“Para apresentar uma noção adequada de aprendizagem é necessário explicar primeiro como o sujeito consegue construir e inventar,e não apenas como ele repete e copia” (PIAGET,1975,p.88).

O texto O Menininho realmente nos faz refletir sobre o quanto interferimos na criatividade de nossos alunos e o perigo que um professor representa quando não é um bom professor, isto é, quando deixa de mediar e motivar aprendizagens e passa a “formatar” alunos. Geram-se crianças que buscam copiar tudo e aprendem que o que os outros produzem é sempre melhor do que o seu produto.
Se eu fosse a professora desta criança, que infelizmente enfrentou esta frustrante situação de desencorajamento de sua autonomia, meu principal desafio seria o resgate da autoestima desta criança e da sua formação autônoma, ou seja, que ela voltasse a recriar as coisas da sua maneira, acreditando na sua capacidade de criação e produção de ideias e valores e principalmente, resgatar sua individualidade, valorizando suas características, suas preferências, ideias e peculiaridades, e que a diferença é um fator existente entre todas as pessoas, isto as torna especiais.
Acredito que um planejamento pensado para favorecer esta criança deveria conter sempre a motivação como fio condutor, realçando tudo o que esta criança produz de positivo, não só em desenhos ou atividades, mas no sentido de integração, amizades e habilidades que esta venha a apresentar, valorizando todo o seu conhecimento anterior sobre tudo. Ainda é preciso levar esta criança a construir seus saberes, através da pesquisa, das atividades em grupo, da observação direta e rica dos objetos de aprendizagem e da exploração das diversas formas em que os conhecimentos se apresentam. Valorizar as diferentes formas de pensar e de construir os conhecimentos permite ampliar a criatividade e compartilhar diferentes saberes, o que gera a confiança e capacidade criadora.
Como professora, sempre queremos deixar marcas. O que desejo deixar em meus alunos não é o conhecimento (conteúdo) em sí. Muito diferente disso, primeiro, desejo que ele tenha um prazer muito grande em estar na escola, que saiba que ela é um lugar de convívio e de grande poder de mudança social, pois nela se constrói amigos e saberes. Segundo, que seja crítico, que procure explorar, observar e questionar tudo o que lhe chega ao conhecimento, buscando compreender e não copiar ou memorizar informações e, finalmente, que saiba buscar os saberes, que aprenda a aprender e que tudo o que venha a construir seja útil para sua boa formação social.














sábado, 24 de março de 2018

Didática,Planejamento e Avaliação


   A ESCOLA ESPACIAL 

A Interdisciplina Didática,Planejamento e Avaliação trouxe em seu primeiro encontro presencial uma proposta muito criativa e motivadora de discussão e reflexão sobre a Escola.Foi lançada a seguinte proposta:

Ser convidada por seres extraterrestres para criar uma escola no planeta deles!
                      

Ao recebermos a proposta da criação de uma escola em outro planeta,a primeira coisa que pensamos é em organizar um espaço ideal,com a melhor  metodologia e uma organização curricular e geral como a que almejamos na nossa vida profissional atual.Nosso grupo discutiu sobre as necessidades das escolas reais em que atuamos,buscando nesta nova escola espacial ter sanadas estas dificuldades e ainda tornar realidade tudo aquilo que almejamos em uma escola,indo até mais além e pensando este espaço escola como algo realmente inovador e moderno,já que a educação é algo de extrema importância em qualquer lugar(ou qualquer planeta).Além disso,no meio desta tarefa produtiva e muito lúdica,também veio á tona aquelas dificuldades árduas e mazelas que enfrentamos no cotidiano escolar e que nem sempre conseguimos soluções imediatas,como o velho problema dos alunos indisciplinados,por exemplo.
Esta atividade trouxe uma forte reflexão sobre a escola que temos e a escola que desejamos.
Como professores,amamos a educação,o desejo de ver escolas com boas estruturas,com materiais didáticos suficientes e eficazes,espaços de aprendizagem bem direcionados é um sonho que aparece sempre quando pensamos um modelo de escola.A questão da qualificação e remuneração dos professores,assim como a tranquilidade e tempo para seu planejamento é algo que muito se almeja.Uma avaliação,uma metodologia e uma organização curricular embasada na individualidade,na integração,na construção do conhecimento,na observação e principalmente,no uso da tecnologia como ferramenta escolar indispensável é o desejo de qualquer professor ao pensar na possibilidade da existência de uma escola "ideal".
Também apareceram nestas discussões os assuntos que trazem muito desconforto e impotência aos educadores,como por exemplo,a indisciplina dos alunos,que tanto perturbam o bom andamento dos planejamentos e que é resultado da desestrutura das famílias.Assim como, o cuidado excessivo que os pais cobram dos professores,como por exemplo,a cobrança dos pais em relação a alimentação das crianças pequenas nas escolas de educação infantil.
Todas estas reflexões refletiram em um modelo lúdico,mas ao mesmo tempo muito significativo de como imaginamos esta nova escola....E foi uma experiência muito legal!



domingo, 11 de março de 2018

EIXO VII                  Começando com uma boa reflexão...



             ESCOLAS DEMOCRÁTICAS?

 

 Democracia é o regime onde todos  tem o poder de opinar e participar para o bem comum. Uma escola democrática, é aquela que valoriza a opinião de todos e busca a construção coletiva das aprendizagens, onde a interação entre alunos e professores e o resultado das interações são instrumentos ricos de aprendizagem.
No curta Escolas Democráticas, o título já faz uma crítica a Escola atual e sua forma de funcionamento. A questão do TEMPO que embora milimetricamente organizado no ambiente escolar, é mal aproveitado e desperdiçado com metodologias tradicionais, sufocado ainda pela ROTINA que acaba por robotizar os alunos e professores que vem a escola, ouvem, escrevem, voltam para casa. Percebe-se também no vídeo apresentado, a forte presença de uma pedagogia  diretiva, empirista, onde o professor é o detentor do saber e o aluno precisa receber o conhecimento transmitido por ele. Assim, acontecem as aulas expositivas, onde o aluno é ouvinte e assume uma postura passiva em seu processo de aprendizagem.
“A sala de aula deve ser mais laboratório e menos auditório” (Fernando Becker).
Outro ponto importante a ser refletido com este material é a  FORMATAÇÃO  de alunos que se acostumam com este sistema de escola, chegando a não aceitar propostas diferentes de aprendizagens, diferentes posturas do professor frente a classe, não considerando como aula, aquilo que é desconhecido. O ENGESSAMENTO também acontece com os professores, que não conseguem reconhecer as ideias e discussões dos alunos como fonte de conhecimento, reprovando as produções naturais deles.
As aprendizagens neste contexto são como um liquido que se toma antes da prova e depois se esvazia nela, não sendo absorvido, não é adquirida pelo aluno, pois o aluno recebe o conhecimento pronto, sem a oportunidade de REFLEXÃO.
Infelizmente, a escola tem se tornado cada vez mais conteudista, tradicional, buscando transferir conceitos e não produzindo saberes. A imagem da menina que olha para rua para ver uma borboleta, mas é repreendida para estudar a anatomia da borboleta, demonstra que o tão importante vínculo entre a REALIDADE e os CONTEÚDOS não ocorrem.
“Conhecer o humano não é separá-lo do universo, mas situá-lo nele.”(MORIN,2002).
A sensação que o vídeo passa é de aprisionamento, CONTENSÃO, tanto dos alunos, como dos professores, que se tornam robotizados por um sistema que não permite um processo de construção das aprendizagens, de interação e de exposição livre das IDEIAS, intimidando a busca pelo conhecimento.
A reflexão feita a partir da análise deste material, é a necessidade de repensar a prática docente e a função da escola em seu funcionamento e nas construções das interações e aprendizagens que nela ocorrem.
“O desenvolvimento da inteligência é inseparável do mundo da efetividade, isto é, da curiosidade, da paixão, que por sua vez, são a mola da pesquisa científica e filosófica.” (MORIN,2002)







MORIN, Edgar,1921-Os Sete Saberes Necessários a Educação do Futuro: Tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya, Revisão técnica de Edgar Assis Carvalho-5ª ed. São Paulo;Cortez,Brasília-DF;UNESCO,2002.






quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

   

  CENSO ESCOLAR E AS QUESTÕES ÉTNICO RACIAIS 

Este sexto eixo do Curso de graduação em Pedagogia PEAD/UFRGS, teve como seu ponto principal de estudos e reflexões a diversidade presente no cotidiano escolar e suas implicações. 
A interdisciplina Questões Étnicos Raciais na Educação: Sociologia e História, permitiu uma forte provocação com relação a reflexão desta diversidade, sua trajetória histórica, as manifestações das diferenças culturais no ambiente escolar e a luta contra a discriminação e o preconceito racial, sendo a postura e atuação docente um forte instrumento para a educação da diversidade.
Através do estudo de diversos referenciais teóricos, pesquisa acadêmica, discussões concernentes ao tema da diversidade e preconceito e a observação dos dados das turmas, é possível verificar a veracidade da existência da diversidade na escola, sua interculturalidade  e, infelizmente a presença de situações de discriminação e preconceito com relação a diferença racial.
No período de encerramento do ano letivo de 2017, foi realizada em uma Escola na zona sul de Porto Alegre, o levantamento de dados da turma do primeiro ano do ensino fundamental, o censo escolar. Um fato muito significante na sistematização destes dados, além da confirmação da existência de uma visível diversidade racial na escola, é a dúvida das pessoas em relação a sua identidade cultural ou racial, e ainda, a omissão de algumas pessoas com relação a declaração da raça negra/preta. “A cor é uma metáfora de raça, isto é, uma categoria acionada para demarcar diferenças e desigualdades raciais”(ARAÚJO,1987).
O censo escolar é um levantamento estatístico sobre a educação básica no Brasil, onde cada Escola  disponibiliza dados relacionados a instituição e aos alunos, para que se tenha um maior conhecimento da comunidade escolar ,podendo assim organizar estratégias para a educação desta comunidade. As questões raciais estão presentes no censo escolar, com o objetivo de acompanhar esta diversidade e buscar formas de promover uma educação igualitária e antirracista. O INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, dispõe atualmente de diversos instrumentos de coleta de dados escolares, buscando aprimorar a coleta de dados raciais nesses instrumentos, ampliando o debate sobre as desigualdades raciais na educação brasileira.
 “A problemática da diversidade no Brasil, embora apareça nas discussões educacionais nos anos 1990, é antiga, acompanha a história de lutas por inserção cidadã na sociedade empreendidas por indígenas, negros, sem-terra, empobrecidos, outros marginalizados pela sociedade” (SILVA,1993).

É de extrema importância para a construção de uma educação igualitária de apoio a diversidade que se tenha as informações sobre quem é o aluno de nossas escolas e como esta diversidade se dá. A declaração com respeito a raça, a cor e a etnia nas pesquisas educacionais trazem uma forte relevância com relação  a valorização do aluno e sua cultura.“ Classificação racial não se baseia estritamente no aspecto físico, como também na posição social do indivíduo” (COSTA,1974).
As definições de raça e cor são discussões constantes quando se trata de políticas públicas para a diversidade, assim como, é também assunto polêmico nas pesquisas educacionais como o censo escolar. A cor, desde muito tempo, traz  uma categoria nativa, ligada a diferenciação entre cidadãos livres ou escravos, descendentes de africanos ou dos povos europeus. “A cor foi o principal conceito utilizado nas relações sociais do Brasil para classificar pessoas”(GUIMARÃES,2003).
As discussões atuais nestes setores estão voltadas a modificar tais denominações por termos vinculados a etnia. Enquanto o conceito de raça é uma ferramenta de exclusão e hierarquização de povos e culturas, os grupos étnicos seriam aqueles dotados de algum grau de coerência e solidariedade, de pertencimento, de compartilhamento de diversos atributos culturais, como linguagem, religião, tradições, monumentos históricos e território. “O termo etnia transmitiria uma ideia de pertencimento ancestral, remetendo a origem e interesses comuns”(GOMES,2005). 
A história do negro no Brasil, todo o escravismo e a trajetória de inferioridade em relação ao branco, a chamada superioridade branca, abriram as partas para o ocultamento da diversidade, desvalorizando as relações culturais entre o branco e o negro e fortalecendo o racismo.
Já no início da história deste país, o índio aparece como uma figura inferior , desvalorizada e sem cultura, que também foi escravizado e, apesar de forçado a renunciar sua própria cultura por ser considerada não civilizada é um personagem de grande formação cultural no cenário brasileiro. “O Brasil, antes de ser descoberto, não tinha cultura de espécie alguma; não haviam vilas e nem cidades, estava pelo contrário, todo coberto de mato e era habitado por muitas tribos de índios selvagens”(1927,p.7).            
  O preconceito racial e a discriminação se apresenta de diversas formas em nossa sociedade, Na escola, lugar de grande diversidade, isto não é diferente. É possível observar que a trajetória de luta por igualdade, assim como, o sofrimento trazido pelo racismo, trouxeram como resultado uma perda significativa na construção da identidade brasileira. Sabemos que nosso país , com uma formação multicultural, é permeado de uma miscigenação natural, mas a fuga do racismo, traz uma forte negação com relação a raça negra. Temos negros que preferem declarar que são pardos e brancos que se dizem pardos, tentando dizer que não são racistas. Este cenário, presente na sociedade atual de modo geral, tem na Escola um lugar de representação, onde o encontro de diferentes culturas acontecem e onde as situações de preconceito e discriminação aparecem desde a infância, lugar este de muito poder de reflexão social e formação de caráter democrático que implica muito na sociedade, a qual se deseja muito  modificar.

"A questão racial não é exclusiva dos negros. Ela é da população brasileira. Não adianta apoiar e fortalecer a identidade das crianças negras se a branca não repensar suas posições. Ninguém diz para o filho que deve discriminar o negro, mas a forma com que trata o empregado, as piadas, os ditos e outros gestos influem na educação."(CANDAU, 2003,p.29,30)
O fato de existir uma diferença histórica de desigualdade das populações negras em relação ao branco é evidenciado, principalmente quando se trata de escolarização, acesso a universidade e formação profissional. Segundo o IBGE, esta diferenciação na educação das populações negras são instrumentos de inferiorização e estigmatização social do negro nas relações sociais atuais.
 Um marco na trajetória da luta contra o preconceito e a busca da valorização cultural da população negra nas instituições de ensino deste país, foi a criação da lei 10.639/2003 que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro brasileira e africanas no currículo oficial da Educação Básica e inclui no calendário escolar o Dia Nacional da Consciência Negra, o dia vinte de novembro. É notável   que existe por parte do governo brasileiro, o conhecimento da existência destas manifestações de discriminação e preconceito e o desejo de uma educação igualitária, pois percebemos a criação de diversas políticas públicas e educacionais que corraboram neste sentido, tendo como exemplo a criação das cotas raciais para ingresso em universidades e concursos públicos, os Parâmetros Curriculares Nacionais ,que trazem o tema transversal Pluralidade Cultural, e o Plano de Ação para a Inserção das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnicos Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro Brasileira e Africana, que tem como principais princípios a socialização e visibilidade da cultura negro-africana, formação de professores com vistas a sensibilização e a construção de estratégias ao combate das discriminações, construção de materiais didáticos-pedagógicos que contemple a diversidade étnico-racial nas escolas e assim por diante.
Mas de nada adianta as políticas públicas ,se não houver um movimento reflexivo nas escolas por meio da intervenção pontual dos educadores na construção de uma cultura antirracista, de valorização da sociedade multicultural em que vivemos e através do ensino da história e da formação cultural brasileira. Não se trata de falar de cultura africana no dia vinte de novembro, ou ainda enaltecer o índio no dia dezoito de abril, mas sim de assumir uma postura de apoia a diversidade. O ocultamento da diversidade é gerador do preconceito e opressão racial.
As relações entre os sistemas de ensino, as comunidades e a relação professor aluno são instrumentos de mudança social.
 É emergente que se ultrapasse os estereótipos e se busque formar cidadãos participativos e democráticos, capazes de combater as discriminações e preconceitos e ter a consciência da formação cultural brasileira, valorizando as relações multiculturais que constituem a sociedade brasileira, e este pensamento que deve e pode ser provocado na escola, por meio de uma educação na e para a diversidade , deve ultrapassar o ambiente escolar e tornar-se instrumento de mudança social. “Consciência política e história da diversidade, fortalecimento de identidades e de direitos, ações de combate ao racismo e a discriminações”(BRASIL,2004b,p.17).




Referências bibliográficas:
ARAÚJO, T. C. A Classificação de  “Cor” nas Pesquisas do IBGE: Notas para uma Discussão. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n.63,p.14 a 16,1987.
BRASIL. Resolução CNE/CP 1/2004.Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnicos Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.Brasília,2004B.
CANDAU, Vera Lúcia. Somos todos iguais? Escola, discriminação e educação em direitos humanos.- Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
COSTA, T.C.N.A.O Princípio Classificatório da “Cor”, sua Complexidade e Implicações para um Estudo Censitário. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro,v.36,n.3,p.91 a 103,1974.
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