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quinta-feira, 21 de junho de 2018

Linguagem:Sistema de Representação com Características Próprias




Linguagem Fase Pré-Linguística):

-Choro diferenciado ou indiferenciado
-Gorjeio ou arrolho(u,u,u...a,a,a...)
-Balbucio(ba ba ba ...pa pa pa...)
-Ecolalia(imitação dos sons do adulto)
-Jargão Expressivo:Imita frases,mas sem sentido.

Linguagem Fase Linguística:
-Combinações de sons para se referir as palavras(apo...para dizer água)
-Usa palavra chave para expressar um pensamento inteiro,olofases (xixi...)
-Gestos,sinais,linguagem corporal para se expressar
-Imitação das frases adultas com sentido.
-No início de sua dialógica a criança usa falas simples,sem expressões gramaticais,fazendo uso de duas ou três palavras para expressar um sentimento ou informação.
-São capazes de fazer suas próprias lógicas através da compreensão da língua,como por exemplo "eu fazí"

A criança começa a desenvolver sua linguagem por meio das falas dos outros,imitação e interação com o mundo falante.Observa os sons e as palavras pronunciadas pelos adultos e nesta fase devem ser estimuladas através de questionamentos,brincadeiras,música,rimas e parlendas.
È importante observar se os bebês reagem aos sons do ambiente,percebendo assim a saúde auditiva e também de seu aparelho fonador.
A linguagem está significantemente ligada ao desenvolvimento da inteligência e a construção das aprendizagens.A linguagem participa de todos os processos cognitivos do ser humano,como o pensamento,a memória e a atenção.
Com as crianças menores o professor deve estimular a fala,através das músicas e atividades,não usando a fala "infantilizada" para a comunicação com eles.

Sugestões de atividades:
-Rodinhas
-Brincadeiras de roda
-Cartões com gravuras
-Questionamentos e registro de falas
-Histórias cantadas
-Musicalização de rotina
-Faz de conta
-Recontação de histórias
-Fantoches
-Acesso a livros com gravuras
-Varal de histórias
-Entrevistas na Escola.


Referências:
Vídeos sobre a Linguagem Infantil:


                PAULO FREIRE E A ALFABETIZAÇÃO

   
Paulo Freire coloca em Cartas para Cristina,pontos que ancoram,segundo ele,uma compreensão crítica da educação.
-Os alfabetizandos são sujeitos no e do processo de alfabetização.
-A alfabetização  é um ato de conhecimento,de criação e não de memorização mecânica.
-A alfabetização deve partir do universo vocabular,pois deste retiram-se os temas.
-Compreender a cultura enquanto criação humana,pois homens e mulheres podem mudar através de suas ações.
-O diálogo é o caminho norteador da práxis alfabetizadora.
-Leitura e escrita não se dicotomizam,ao contrário,se complementam e ,se combinadas,o processo de aprendizagem fará parceria com a riqueza da oralidade dos alfabetizandos.
Em 1958,aconteceu o II Congresso Nacional de Alfabetização de Adultos e de Adolescentes,para avaliar a Campanha de Educação de Adultos e Adolescentes organizada por Lourenço Filho.Nos relatórios deste congresso,Freire já assinalava que um trabalho educativo só podia ser feito se suas orientações se voltassem para a democracia,"se o processo de alfabetização de adultos não fosse sobre-verticalmente-ou para-assistencialmente-o homem,mas com homem,com os educandos e com a realidade(FREIRE,2006,p.124).
Freire traz a concepção de alfabetização-educação,ou seja,de que há duas possibilidades de ensino,uma,a partir de uma prática alienante e universalizante,outra,a partir de uma prática libertadora e dialógica,pois não há neutralidade em alfabetização-educação.
No livro A Importância do Ato de Ler,Freire retoma com muita clareza sua compreensão sobre o conceito de alfabetização,acentuando que seu caráter deve "ultrapassar os limites da pura decodificação de palavras escritas,pois a compreensão crítica do ato de ler se antecipa e se alonga na inteligência do mundo.A leitura do mundo precede a leitura da palavra,daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da leitura daquele.(FREIRE,1982,p.9)
Apreender o texto exige a apreensão das relações entre este e o contexto,por isso,a alfabetização é um "ato politico e um ato de conhecimento,por isso mesmo um ato criador,em que o alfabetizando é o sujeito e não o objeto da alfabetização".
Ensinar não é transmitir,mas estabelecer condições para sua construção,sendo que quanto mais crítico for este processo(ensinar e aprender)tanto mais se amplia a vontade de saber,a curiosidade epistemológica diante dos desafios do mundo.
Paulo Freire chama de movimento esta relação texto-contexto-texto e mundo-palavra-mundo,e diz que "a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura de mundo,mas por uma certa forma de escrevê-lo e reescrevê-lo".(FREIRE,1982,p.13).
No pensamento de Freire,a alfabetização é compreendida como ato criador,não pode ser vista como um simples processo de memorização mecânica das palavras e das "coisas mortas e semi-mortas",mas um processo que se encharca de atos de criação e de recriação.
O papel do educador deve ser o de "dialogar com o analfabeto" sobre situações concretas,por isso a alfabetização não pode acontecer de cima para baixo,nem de fora para dentro(FREIRE,1979,p.41)
Freire denomina de universo vocabular,carregados de experiência existencial,o conjunto das palavras geradoras oriundas da realidade dos educandos,dos grupos populares.Para ele,a alfabetização precisa ser compreendida como um conhecimento ampliador,pois alfabetizar-se "é participar,junto com outras pessoas,de um universo ampliado da própria curiosidade humana.Essa matriz dá consciência,junto com o conhecimento e o sofrimento"(BRANDÃO,2006,p.441)



Referências:

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A educação popular na escola cidadã. Rio de Janeiro:
Vozes, 2002.

FREIRE, Ana Maria Araújo. Paulo Freire - uma história de Vida. São Paulo: vilIa das
Letras, 2006.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo:
Cortez, 1982

FREIRE, Paulo. Cartas a Cristina. I. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994.

Verbetes de Paulo Freire: Alfabetização.Liana da Silva Borges

quarta-feira, 20 de junho de 2018

             O CONTADOR DE HISTÓRIAS

 

O filme O Contador de Histórias,tem como personagem principal um menino negro,de classe social baixa,que após passar por diversos problemas familiares é colocado na FEBEM por sua mãe ,que acreditava que aquela instituição faria de seu filho alguém melhor,já que não tinha condições de educá-lo.O menino que sofre um processo cultural negativo,envolvido com meninos de rua e crianças revoltadas de sua realidade,torna-se arredio,rude,de linguagem e hábitos totalmente repulsos a sociedade.Ele encontra uma jornalista francesa,pedagoga,que decide fazer uma pesquisa sobre  sua vida e acaba influenciando este menino a conhecer uma  cultura diferente da sua,onde os conhecimentos,a linguagem e as relações sociais são colocadas a ele como processos de extrema importância ao desenvolvimento cultural e social das pessoas.Este menino estuda,cresce,muda suas relações sociais e culturais,tornando-se um professor e contador de histórias.Este menino,hoje escritor,encontra-se entre os dez maiores contadores de história do mundo,e o filme em questão conta sua trajetória.Vygotsky,em sua teoria sobre  a formação do pensamento e da linguagem da criança,sinaliza as relações com o meio como fator relevante neste processo, defende que a aquisição da inteligência da criança está vinculada aos fatores externos,isto é ,depende de suas relações sociais e culturais,sendo ele resultado de um processo sócio-histórico.
Assim,de acordo com a obra de ficção,estas relações de desestrutura familiar e vulnerabilidade social acabam por interferir negativamente na aprendizagem e na formação cultural da criança,ou seja,de acordo também com Vygotsky,a criança aprende interagindo com o seu meio e estabelecendo relações sociais e culturais se constroe como indivíduo. 


FILME:O Contador de Histórias.Drama.2009.Direção:Luiz Villaça.Warner  Home Video
VYGOTSKY,L.S.Pensamento e Linguagem.São Paulo.Martins Fontes.1991

quinta-feira, 31 de maio de 2018



            PIAGET E A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM



Sobre as origens da linguagem e do pensamento não é falsa a alternativa do determinismo social ou do determinismo biológico. Para Piaget, em suas pesquisas de 1920, as conquistas conceituais realizadas pela criança são explicadas por ele em função da socialização linguística e de interações sociais. Já em 1930,em razão da descoberta das estruturas de conhecimento pré-verbais, assim como de novos mecanismos internos de formação(assimilação, coordenação de esquemas e etc), a explicação das origens da linguagem e do pensamento é buscada na interiorização do esquematismo sensório-motor, portanto, na atividade construtiva do sujeito.
O egocentrismo infantil, a objetividade e a construção de seu pensamento lógico estão estreitamente ligadas a linguagem socializada. A linguagem socializada é a linguagem cujos termos e conceitos são compartilhados por todos os membros de um grupo, o qual possui uma estrutura lógica. Segundo Piaget, a criança passa por um processo de características do seu pensamento egocêntrico, passando do pensamento egocêntrico ao pensamento lógico e da linguagem egocêntrica a linguagem lógica ou socializada.
Os fatores sociais e culturais são aqueles que promovem o desenvolvimento do pensamento.
A sucessão evolutiva do pensamento autístico individual, incomunicável) para o pensamento dirigido (socializado, orientado pela adaptação progressiva dos indivíduos uns com os outros).
O progresso é atribuído a ação do meio social e da linguagem.

“Basicamente, o desenvolvimento da fala interior depende de fatores externos, o desenvolvimento da lógica na criança, como os estudos de Piaget demonstram, é uma função direta de sua fala socializada. O crescimento intelectual da criança depende de seu domínio dos meios sociais do pensamento, isto é, da linguagem” (Vygotsky,1991,p.44)

Em toda a adaptação causal há um esforço de adaptação ao mundo exterior, um esforço de objetivação e de despersonalização do pensamento. A aquisição da linguagem e a interação social estariam explicando a evolução do pensamento e da linguagem.
A linguagem enquanto sistema de signos, implica significantes (gestos ou palavras articuladas) que se reportam a objetos mediados por conceitos ou pré-conceitos, os quais se apoiam, sobretudo, as fases iniciais, nas imagens mentais. A linguagem está ligada a constituição da capacidade humana de representar, isto é, de diferenciar significantes e significados, e por isso ao exercício da função simbólica. Piaget (1945),mostra que os primeiros esquemas verbais da criança refletem o uso da linguagem,  a qual se reporta a objetos anteriores assimilados em função dos esquemas sensórios-motores em via de interiorização ou de conceitualização.
A evolução da ação do indivíduo depende da evolução das relações  nas quais este se encontra inserido. Socializar significa compartilhar noções e signos com uma comunidade de falantes e ao mesmo tempo distingui-los das próprias idiossincrasias e dos pontos de vista particulares. Para Piaget, a tese maior para explicar a evolução do comportamento humano, incluídas a inteligência e a linguagem, é da continuidade com reconstrução das estruturas anteriormente adquiridas, isso não significa o abandono da necessária ação das relações sociais na formação do pensamento conceitual, permanece a explicação do pensamento em função das interações sociais.



PIAGET, J.A Formação do Símbolo na Criança: imitação, jogo e sonho, imagem e representação. Rio de Janeiro:Guanabara,Koogan.1978
PIAGET, J. O Pensamento e a Linguagem na Criança. São Paulo: Martins Fontes.1999
VYGOTSKY. L. S . Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes.1991         



sábado, 14 de abril de 2018

LINGUAGEM E EDUCAÇÃO


                       A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

 

"É NO SIGNIFICADO DA PALAVRA QUE O PENSAMENTO E A FALA SE UNEM EM PENSAMENTO VERBAL.É NO SIGNIFICADO,ENTÃO,QUE PODEMOS ENCONTRAR AS RESPOSTAS ÁS NOSSAS QUESTÕES SOBRE A RELAÇÃO ENTRE O PENSAMENTO E A FALA" (VYGOTSKY,2005)



A LINGUAGEM E O TEMPO:


SÉCULO VII a.c :
O rei Pásmético do Egito ordenou que crianças fossem confinadas desde o nascimento até os dois anos,sem convívio com seres humanos,a fim de observar as manifestações linguísticas produzidas em contexto de privação interativa.Conclui-se que a língua frigia é a mais antiga,ainda mais antiga do que a língua egipcia,pois acreditavam que a manifestações emitidas pelas crianças foram próximas a esta língua.Apenas mais recentemente foram feitos estudos sistemáticos sobre a aquisição da linguagem pela criança.

SÉCULO XIX:
Experimentos diários da fala espontânea de filhos de linguístas e estudiosos.

SÉCULO XX:
Visão behaviorista.Assumindo que a linguagem se dá pela exposição ao meio e em decorrência da imitação e do reforço.Aprende por condicionamento,como qualquer outro animal.

FINAL DA DÉCADA DE 50:
Noam Chomski assume que a linguagem é inata.Por volta de 1970,as obras póstumas e estudos  de Vygostky começam a exercer influência sobre os estudos da aquisição da língua materna.Representou uma alternativa ao construtivismo piagetiano,questionando o inatismo Chomskiano. Explica o desenvolvimento da linguagem e do pensamento como tendo origens sociais externas (SCARPA,2001).


"A universalidade da língua e sua aquisição é a primeira razão para suspeitar que a linguagem não é apenas uma invenção cultural,mas produto de um instinto humano específico"(PINKER,2002)


CONCEPÇÕES SOBRE A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM NA CRIANÇA:

BEHAVIORISMO DE SKINNER:

O aprendizado se dá através de um processo denominado condicionamento operante. Comportamento verbal=sucessão de mecanismos estímulo-resposta-reforço.
Um ponto principal desta concepção é que a criança aprende por imitação,é um receptor passivo da linguagem,desprezando seu papel no processo de aprendizagem. A linguagem é essencialmente uma questão de aprendizagem,no sentido de aquisição pela mente,através de um sistema exterior. A criança não aprende uma língua,ela a desenvolve, e todo o ser humano normal é capaz de desenvolver qualquer língua materna.


INATISMO DE CHOMSKY:

Noam Chomsky é o criador do gerativismo,teoria de qua a linguagem é inata.Alinguagem é vista como uma dotação genética do ser humano. A criança nasce pré-programada para adquirir a linguagem e é capaz,a partir da exposição a fala,construir hipóteses sobre a língua que está inserida. Assim,a linguagem é atrtelada a características inerentes a espécie humana,o que reafirma seu caráter universal,fator biológico e cognitivo.

INTERACIONISMO DE VYGOTSKY:

A abordagem de Vygotsky sempre foi orientada para os processos de desenvolvimento humano com base na dimensão sócio-histórica e na interação do sujeito com o outro no espaço social. Linguagem é um processo pessoal ao mesmo tempo em que é um processo social. A aquisição da linguagem na criança se dá devido a interação que a mesma possui com o ambiente que a rodeia e o convívio com outros da mesma espécie. A linguagem tem um papel essencial na formação do pensamento e do carater do indivíduo.Segundo ele, o pensamento e linguagem tem origens distintas. No início da vida,o pensamento não é verbal,e a fala não é intelectual. Há no desenvolvimento da criança,um periodo pré-linguistico do pensamento e um período pré-intelectual da fala. Ressalta que o momento mais importante da vida da criança acontece quando as curvas do pensamento e da fala se convergem,surgindo o pensamento verbal e a fala racional. A criança é o sujeito de seu processo de aquisição da linguagem,construindo seu conhecimento de mundo com a ajuda do outro.


 
"Pode-se considerar a linguagem como um instrumento complexo que viabiliza a comunicação e a vida em sociedade.Sem ela,o ser humano não é social nem natural" Vygotsky