sexta-feira, 15 de julho de 2016

                  O Perigo de uma Única História...


               "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar."
Nelson Mandela 


Na caminhada docente nunca estamos prontos,sempre estamos refletindo,repensando e nos construindo como educadores. E acredito,que assim como eu,todo os educadores tem o desejo de formar cidadãos assim,que não sejam prontos,mas abertos as novas aprendizagens e possibilidades e que sejam,acima de tudo,críticos.
Digo isto,pois fiquei impactada e fortemente convidada a repensar algumas ideias,após assistir um vídeo proposto pelo curso de pedagogia PEAD/UFRGS,na interdisciplina de LIBRAS.O vídeo intitulado "O Perigo de Uma Única História",traz a realidade de uma escritora,de origem africana,falando de sua trajetória marcada pelo preconceito e julgamento social muito forte com respeito a sua cor,nacionalidade e etc...O verdadeiro "pré´-conceito".
Realmente,temos o cruel defeito de ter uma ideia formada,uma opinião única sobre as coisas e jamais mudarmos essa ideia ou revê-la.
No caso desta interdisciplina,LIBRAS,me ví protagonista desta situação.Sempre achei que ser surdo era uma deficiência trágica,que se deveria fornecer ao surdo os implantes e cirurgias,colocar as crianças surdas em escolas tradicionais para aprender a falar e sabia,também,da existência de uma "linguagem" feita por gestos.Para mim,esta era a única história,era tudo o que eu sabia sobre a surdez.Após estes estudos, compreendí o termo surdo de maneira desvinculada de deficiência,conhecí a importância da Língua Brasileira de Sinais, do ensino bilíngue e  da existência de uma literatura e  cultura surda,assim como a luta da comunidade surda por seus direitos e dignidade.
Não podemos nos contentar com ideias prontas,não pensadas,no senso comum.Temos que conhecer todas as possibilidades de uma situação,refletir,repensar e reelaborar conceitos e pensamentos.
Quando temos alunos difíceis,por exemplo,geralmente o rotulamos e passamos a sustentar uma única história sobre eles,engessando sua identidade.Assim fazemos com aqueles estudantes que tem dificuldades de aprendizagem,que mesmo que aprendam levam a fama de incapazes.Sem falar na antiga ideia de que devemos oferecer as bonecas e panelinhas para as meninas e os carrinhos e jogos de construção aos meninos...a única história denovo!
Nós,enquanto educadores,levamos uma carga muito pesada destes paradigmas.Não podemos ignorar nada,temos que responder a todas as perguntas e ter uma postura impecável...Como professora,devo saber tudo e ter filhos extremamente educados
Assim,os pensamentos são formados em larga escala,de forma igual.
Música clássica deve ser ouvida por pessoas da alta sociedade,samba por negros e funk é coisa de favela...apenas uma única história,passada adiante sem qualquer pensamento.
Eu,pessoalmente,percebo isto,como cristã,sou vista como a fanática ou santinha que não pode fazer nada de errado...e por aí vai.
Realmente,é muito perigoso sabermos uma só informação sobre determinado assunto e pensar de maneira a considerar o livro apenas pela capa,ou ter a mesma opinião que todas as pessoas tem sobre tudo,viver a base do "politicamente correto" e virar as costas para as reflexões nos faz cegos e imóveis em nossas convicções e atitudes.
Tem uma frase que ouví há algum tempo e que me marcou muito,dizia que nascemos com uma só boca e dois ouvidos,para falar menos e ouvir mais,e que ainda,o ouvido tem o formato de um ponto de interrogação(?),para questionarmos aquilo que ouvimos...
Conheçamos,repensamos e reflitamos sobre tudo o que está a nossa volta,sendo educadores motivadores e mortificadores das cruéis histórias únicas.




      






  


domingo, 26 de junho de 2016

                             Quando o brincar é cultura 

 
Junho é o mês das tradicionais festas juninas Brasil á fora!
O maravilhoso destas festas que fazem parte da cultura popular é a riqueza de aprendizagens nelas contidas.
As festas que homenageiam aos santos do mês de junho,Pedro,Antônio e João,nasceram no interior,nas plantações,festejando as ricas colheitas de milho,arroz,uva,amendoim...daí as deliciosas comidas típicas:rapadura,cocada,bolo de milho,pipoca,quentão,canjica...
A alegria maior é vestir xadrez,vestido de chita,chapéu de palha,fazer pintinhas no rosto.
Nestas festas,a riqueza das musiquinhas folclóricas alegram o ambiente e trazem consigo,além da melodia animada e dançante,os elementos culturais deste evento,como as bandeirinhas,os santos,o balão junino e as lindas quadrilhas...Olha a cobra!É mentira!
A ludicidade junina traz valores e fortalece a cultura.As tradicionais brincadeiras Pescaria,Corrida do Saco,Tiro ao Alvo,Boca do Palhaço,prendem as crianças em uma diversão que as permite explorar o corpo,concentrar-se,equilibrar-se,vivenciar o acerto e o erro,esperar sua vez e ganhar seus brindes.Esse exercício de valorização da cultura e da diversão é um dever valioso da escola,momento de receber a comunidade escolar e resgatar a integração das famílias e nas famílias.
Tenho percebido,que ás vezes,algumas escolas perdem esse tão precioso desafio,e encaram os festejos tradicionais e culturais escolares como árduas obrigações ou como fontes de lucro...Que não seja assim,mas que a escola continue promovendo o encontro da diversão com as aprendizagens,conhecimentos e cultura!!!



   Capelinha de Melão,
É de São João,
É de cravo, é de rosa,
É de manjericão.

São João está dormindo,
Não me ouve não,
Acordai, acordai,
Acordai João.

Atirei rosas pelo caminho,
A ventania veio e levou,
Tu me fizestes com seu espinhos,
Uma coroa de flor.

Capelinha de Melão,
É de São João,
É de cravo, é de rosa,
É de manjericão.


                     A LÍNGUA E A LEI 

                      

A Língua Brasileira de Sinais-LIBRAS,oficialmente reconhecida como meio de comunicação e expressão da comunidade surda brasileira,pela lei 10.436 de 24 de abril de 2002,é a marca da identidade e conquista social da cultura surda.
A Lei de Libras,além de reconhecer a Língua Brasileira de Sinais como uma língua oficial,regulariza seu uso e difusão.Este decreto contém ainda,o dever do poder público de garantir o atendimento e tratamento adequado do surdo,assim como prevê que os sistemas educacionais capacitem os educadores para a educação da comunidade surda e ressalva que LIBRAS não substitui o uso da língua portuguesa,sendo assim,podemos interpretar que aceita uma educação bilíngue.
Infelizmente,a legislação vigente atua de forma desvinculada da realidade.Infelizmente a LIBRAS é pouco divulgada e não reconhecida pelas pessoas em geral como uma língua oficial.Hoje,uma criança surda em idade escolar,ao invés de ser familiarizada com a língua de sinais,é submetida a uso de implantes,cirurgias e exercícios de fala em escolas tradicionais,com professores,que ao contrário do que prevê a lei,seguem despreparados para educa-la.As políticas públicas não garantem tratamento e acessibilidade adequada a comunidade surda.
No mesmo decreto,encontramos as palavras surdo e deficientes auditivos,como se fossem palavras de mesmo significado.
A lei de libras é uma vitória da comunidade surda,mas algumas colocações ainda estão no papel.
O surdo é um cidadão de direitos e deve ser respeitado dentro da sua cultura e identidade própria,visto como um ser capaz e autônomo e não um deficiente,parte integrante e ativa da sociedade.



Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados.

 Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.

Art. 2o Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil.

Art. 4o O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme legislação vigente.



domingo, 19 de junho de 2016

                                             POESIA NA SALA DE AULA

            "SEM LIVROS,DIFICILMENTE SE APRENDE A GOSTAR DE LER."
                                                     RUTH ROCHA

   
    Trazer a literatura para a sala de aula é indispensável para a formação de leitores apaixonados.Em especial,oferecer a mágica da poesia durante as aulas  é algo emocionante,pois a poesia vai além da simples linguagem escrita,envolvendo emoção e prazer na leitura.
Geralmente,em minhas turmas,tanto de educação infantil,como em anos iniciais,o livro infantil,com suas histórias e belas gravuras esteve sempre presente,como instrumento de deleite e de aprendizagem.Já a poesia,sempre apareceu menos em minhas aulas,não sei dizer exatamente o porquê.
Neste eixo do curso de graduação PEAD/UFRGS,na interdisciplina Literatura Infanto Juvenil e Aprendizagem,temos vivenciados momentos de significativo encontro com a linguagem poética,despertando assim,maior desejo de multiplicar a emoção da poesia.
Então,nesta semana,motivada pelas aprendizagens acadêmicas,levei para os meus pequeninos alunos da educação infantil,uma rica poesia.Claro,que já havia trabalhado poesia em sala de aula,mas desta vez,com maior significado e buscando explorar muito mais a poesia,construindo não só as habilidades e objetivos pedagógicos daquele planejamento,mas principalmente,engajada em desenvolver maior gosto pela leitura.
O resultado foi muito satisfatório,pois os alunos se envolveram pela linguagem rimada,sonora,quase musical da poesia,e apesar de sentirem falta das gravuras e do objeto livro em sí,perceberam a importância de ouvir e atentar as brincadeiras contidas nas palavras lidas.O ouvir,o oralizar,o reproduzir e interpretar a poesia é um conjunto de diversas aprendizagens que se constituem.Poesia é aprendizagem e prazer!


Identidade
    
   Às vezes nem eu mesmo 
sei quem sou.
às vezes sou.
"o meu queridinho",
às vezes sou
"moleque malcriado".          
                           
Para mim
tem vezes que eu sou rei,
herói voador,
caubói lutador,
jogador campeão.
às vezes sou pulga,
sou mosca também,
que voa e se esconde
de medo e vergonha.
Às vezes eu sou Hércules,
Sansão vencedor,
peito de aço
goleador!
Mas o que importa
o que pensam de mim?
Eu sou quem sou,
eu sou eu,
sou assim,
sou menino.
             Pedro Bandeira 


Trabalho auto-retrato,feito pela minha turma de educação infantil após a exploração da poesia Identidade,de Pedro Bandeira





domingo, 5 de junho de 2016

                  A Evolução do Jogo Infantil 


 
"A INFÂNCIA É O TEMPO DE MAIOR CRIATIVIDADE NA VIDA DE UM SER HUMANO"
JEAN PIAGET 

                  
O brincar e a criança são tão semelhantes que parecem ser uma única coisa.Brincar,jogar e se divertir faz parte da infância e seu desenvolvimento.Como temos visto nos estudos da interdisciplina  de Ludicidade do curso de pedagogia PEAD/UFRGS,brincar é muito sério,pois através da brincadeira a criança se expressa,interage com o meio e seus pares e aprende.
Em relação aos jogos especificamente,Jean Piaget nos coloca,que as crianças interagem e se desenvolvem jogando,e que jogam de acordo com seus estádios de desenvolvimento psicosocial,de acordo com a epistemologia genética.
No estádio sensório-motor,de 0 a 2 anos,se percebe os jogos de exercício,onde a ludicidade está na repetição de ações realizadas pelo bebê,como jogar várias vezes um objeto no chão para ver o adulto buscar,ou esconder-se e aparecer novamente,tirar e colocar um acessório ou olhar e parar de olhar para uma direção ,por exemplo.
Já no estádio pré-operatório,de 2 a 7 anos,surgem os jogos simbólicos,onde simboliza o que vivencia ou vê através da imitação,geralmente imitando algo que não está presente ou refazendo uma cena que já aconteceu(imitação diferida).Nesta fase a imaginação da criança é simbólica e é muito comum a substituição de objetos por outros,como um graveto que vira espada,um tecido que vira bebe ou uma caixinha que vira um carrinho.
Nas crianças maiores,de 7 a 11 anos,estágio operatório concreto,o jogo simbólico passa a dar lugar a maior racionalidade,quando é comum os jogos de regras,onde a cooperação e as relações sociais estão em pleno desenvolvimento e a criança reconhece as regras como leis importantes,que dependem de um consentimento geral para serem mudadas.O pensamento e o jogo simbólico sempre estarão presentes na vida de um sujeito.
As regras estão presentes na infância,primeiro de forma motora,onde o bebe realiza suas ações dentro de suas habilidades,sem utilizar a linguagem e a imposição do adulto.Depois passa a reconhecer e a conviver com as regras impostas pelos adultos e já maiores tendem a respeitar e valorizar as regras em seu cotidiano.
Piaget em seus estudos sobre o desenvolvimento infantil,percebeu que a criança está sempre em evolução e que as fases deste desenvolvimento acontecem sucessivamente se complementando e que o surgimento de um estádio não implica no desaparecimento de outro.
Conhecer o desenvolvimento infantil e a relevância dos jogos e brincadeiras em seu processo de aprendizagem é de extrema importância para meu trabalho em sala de aula e minha formação docente.    


domingo, 29 de maio de 2016

                       Perguntando é que se Aprende 

   

 Não restam dúvidas de que o que move as descobertas e as aprendizagens são as perguntas e não as respostas,ao contrário do que seria provável e lógico de se imaginar.No terceiro eixo do curso de graduação em Pedagogia PEAD/UFRGS,o tema desenvolvido pela interdisciplina Seminário Integrador III,foi a elaboração e construção dos Projetos de Aprendizagem a serem desenvolvidos em sala de aula,voltados á pesquisa,onde o professor é o mediador e motivador da busca pelos saberes e o aluno tem um  papel totalmente ativo no  processo,pois é o agente questionador e pesquisador,construindo suas aprendizagens.''Ensinar não é transferir conhecimentos,mas criar as possibilidades para sua própria construção''(Paulo Freire,1996).
Partindo desta muito rica proposta do curso,fomos,nós graduandas, convidadas a questionar, isto é,fazer perguntas,questões que gostaríamos de desvendar.E o resultado foram muitas perguntas, as quais dariam ponto de partida aos projetos de pesquisa. 
Realmente,se refletirmos sobre a importância das perguntas e o poder que elas tem de nos levar a pensar,repensar,analisar,pesquisar e aprender,daríamos muito mais oportunidade a busca das respostas das perguntas dos nossos alunos,filhos e de nós mesmos.Quão importante é construir um conhecimento buscando,através da pesquisa,da observação e investigação,a simplesmente receber uma resposta pronta.[...o educador,de modo geral,já traz a resposta sem lhe terem perguntado nada...](Freire,Fundez,1985).

Desde pequena, ouço que devemos falar menos e ouvir mais,pois temos uma só boca e dois ouvidos e que ainda,as orelhas se parecem com interrogações,para que tudo aquilo que escutamos possa ser  questionado.As crianças perguntam para conhecer,nós perguntamos o tempo todo para nos sentirmos seguros,o padre pergunta na cerimônia de casamento,o juiz pergunta no tribunal e Jesus,nosso Senhor e Mestre,por diversas vezes,quando iria realizar um milagre,perguntava: -O que queres que eu te faça?

Jean Piaget, nos mostrou através de seus estudos sobre o desenvolvimento infantil,que a criança aprende através de seu relacionamento com o meio.No período pré-operatório,fase em que a criança tem um pensamento simbólico,criando imagens mentais de objetos ou pessoas que não estão presentes,observam e sentem muito mais estímulos do que podem
 explicar, passam  a vivenciar e reconhecer as regras e combinações,e sua curiosidade com o que a cerca aumenta,é a fase dos porquês.Nesta fase sentem-se atraídas por brincadeiras desafiadoras e jogos que envolvam regras e memorização.
Logo após,começam a assimilar as situações abstratas concretizando-as,a partir de situações,objetos ,brinquedos,e começam a desenvolver noções de número,ordem,conceitos simples.É o estádio operatório concreto se iniciando. 
É neste processo de desenvolvimento que as perguntas estão em alta,a curiosidade e a capacidade de imaginação  instigam o conhecimento,que as crianças passam a buscar durante toda a trajetória escolar.

Que as perguntas tão despertadoras de saberes estejam presentes em todos os processos de busca pelo conhecimento em nossas salas de aula.E que nós educadores,possamos permitir aos nossos alunos aprenderem a aprender,partindo de suas muitas perguntas,mostrar o caminho da busca e construção das aprendizagens.

Perguntar não ofende.Perguntando se aprende!!



 Gosto muito desta música ''Oito Anos'' de Adriana Calcanhoto.Nela,estão perguntas feitas pelo filho da cantora Paula Toler,Gabriel,de oito anos,muito questionador,no seu processo de curiosidade e de aprendizagem...Ouçam!!Muito legal!!


  




   



domingo, 22 de maio de 2016

               LIBRAS: Uma língua e muitas reflexões

 

"A identidade adquire sentido por meio da linguagem e dos sistemas simbólicos pelos quais elas são representadas" (Woodward,2012)

Após a primeira aula da interdisciplina de LIBRAS na UFRGS e a leitura dos textos sugeridos dentro desta temática,percebí,perplexa,que eu,mesmo sendo educadora e estando em sala de aula já a algum tempo,desconhecia a realidade da cultura muda existente e ainda,alimentava ideias muito errôneas sobre este  assunto de extrema relevância a todas as pessoas.
Não sabia,por exemplo,que os surdos tem um sinal que o representa,familiar,característico.
Para mim,até então,o mais educado era usar o termo deficiente auditivo ao invés de mudo.Acontece,que as pessoas mudas lutam para serem vistas, não como pessoas incompletas ou deficientes,mas pessoas diferentes sim,mas inseridas dentro de uma cultura própria,muito rica,isto é ,uma identidade.
"...a mudez é ligada a ausência ou algum comprometimento do orgão fonador.Então muitos surdos não tem problema com o orgão fonador e sim(nem todos)com a falta de retorno auditivo,mas isso não importa,porque,os surdos,culturalmente,falam com as mãos e ouvem com os olhos..."(apostila de Libras,UFRGS,2014).
A Língua Brasileira de Sinais(LIBRAS),que antes eu via como um conjunto de gestos usados pelas pessoas surdas para se comunicarem,é muito mais do que isto.LIBRAS é uma língua da comunidade surda de uso universal e reconhecida como língua oficial,assim como um idioma estrangeiro,por exemplo.A luta pelo seu reconhecimento é uma grande vitória da comunidade surda e a marca principal de sua identidade.Essa língua,o respeito a diversidade e o reconhecimento do surdo como cidadão capaz e não como um deficiente são o foco principal destas reflexões.
Nós educadores,temos emergentes necessidades de formação para o atendimento especializado e para obtermos conhecimentos básicos da cultura surda e da educação num panorama de diversidades.Neste ponto,passamos a repensar a escola inclusiva.Como acontece e como o surdo se desenvolve por meio de uma educação tradicional inclusiva?Suas necessidades seriam solucionadas?Estaria realmente incluído em meio a uma educação ouvinte?
"...os estudantes surdos aprendem mais e melhor em escolas bilíngues..."(Capovilla,2011)
Outra aprendizagem de muita valia nestes estudos,foi compreender a importância da educação bilíngue para as crianças surdas.Estamos vivendo em uma época em que só se pensa em incluir as diferenças a qualquer custo.A proposta da inclusão nas escolas tradicionais cae por terra,quando se percebe e desestrutura destas instituições para esta demanda.A escola tradicional não é capaz de encontrar as reais necessidades da educação da criança surda e nem seus professores possuem esta formação.A escola bilíngue vem ao encontro desta criança,trazendo a sua língua de identidade e a língua portuguesa,onde a criança se desenvolve com seus pares.
A luta dos surdos pelo direito a educação bilíngue mostra a força e o quanto esta comunidade é capaz e ativa em nossa sociedade.