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sexta-feira, 15 de julho de 2016

                  O Perigo de uma Única História...


               "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar."
Nelson Mandela 


Na caminhada docente nunca estamos prontos,sempre estamos refletindo,repensando e nos construindo como educadores. E acredito,que assim como eu,todo os educadores tem o desejo de formar cidadãos assim,que não sejam prontos,mas abertos as novas aprendizagens e possibilidades e que sejam,acima de tudo,críticos.
Digo isto,pois fiquei impactada e fortemente convidada a repensar algumas ideias,após assistir um vídeo proposto pelo curso de pedagogia PEAD/UFRGS,na interdisciplina de LIBRAS.O vídeo intitulado "O Perigo de Uma Única História",traz a realidade de uma escritora,de origem africana,falando de sua trajetória marcada pelo preconceito e julgamento social muito forte com respeito a sua cor,nacionalidade e etc...O verdadeiro "pré´-conceito".
Realmente,temos o cruel defeito de ter uma ideia formada,uma opinião única sobre as coisas e jamais mudarmos essa ideia ou revê-la.
No caso desta interdisciplina,LIBRAS,me ví protagonista desta situação.Sempre achei que ser surdo era uma deficiência trágica,que se deveria fornecer ao surdo os implantes e cirurgias,colocar as crianças surdas em escolas tradicionais para aprender a falar e sabia,também,da existência de uma "linguagem" feita por gestos.Para mim,esta era a única história,era tudo o que eu sabia sobre a surdez.Após estes estudos, compreendí o termo surdo de maneira desvinculada de deficiência,conhecí a importância da Língua Brasileira de Sinais, do ensino bilíngue e  da existência de uma literatura e  cultura surda,assim como a luta da comunidade surda por seus direitos e dignidade.
Não podemos nos contentar com ideias prontas,não pensadas,no senso comum.Temos que conhecer todas as possibilidades de uma situação,refletir,repensar e reelaborar conceitos e pensamentos.
Quando temos alunos difíceis,por exemplo,geralmente o rotulamos e passamos a sustentar uma única história sobre eles,engessando sua identidade.Assim fazemos com aqueles estudantes que tem dificuldades de aprendizagem,que mesmo que aprendam levam a fama de incapazes.Sem falar na antiga ideia de que devemos oferecer as bonecas e panelinhas para as meninas e os carrinhos e jogos de construção aos meninos...a única história denovo!
Nós,enquanto educadores,levamos uma carga muito pesada destes paradigmas.Não podemos ignorar nada,temos que responder a todas as perguntas e ter uma postura impecável...Como professora,devo saber tudo e ter filhos extremamente educados
Assim,os pensamentos são formados em larga escala,de forma igual.
Música clássica deve ser ouvida por pessoas da alta sociedade,samba por negros e funk é coisa de favela...apenas uma única história,passada adiante sem qualquer pensamento.
Eu,pessoalmente,percebo isto,como cristã,sou vista como a fanática ou santinha que não pode fazer nada de errado...e por aí vai.
Realmente,é muito perigoso sabermos uma só informação sobre determinado assunto e pensar de maneira a considerar o livro apenas pela capa,ou ter a mesma opinião que todas as pessoas tem sobre tudo,viver a base do "politicamente correto" e virar as costas para as reflexões nos faz cegos e imóveis em nossas convicções e atitudes.
Tem uma frase que ouví há algum tempo e que me marcou muito,dizia que nascemos com uma só boca e dois ouvidos,para falar menos e ouvir mais,e que ainda,o ouvido tem o formato de um ponto de interrogação(?),para questionarmos aquilo que ouvimos...
Conheçamos,repensamos e reflitamos sobre tudo o que está a nossa volta,sendo educadores motivadores e mortificadores das cruéis histórias únicas.




      






  


domingo, 26 de junho de 2016

                             Quando o brincar é cultura 

 
Junho é o mês das tradicionais festas juninas Brasil á fora!
O maravilhoso destas festas que fazem parte da cultura popular é a riqueza de aprendizagens nelas contidas.
As festas que homenageiam aos santos do mês de junho,Pedro,Antônio e João,nasceram no interior,nas plantações,festejando as ricas colheitas de milho,arroz,uva,amendoim...daí as deliciosas comidas típicas:rapadura,cocada,bolo de milho,pipoca,quentão,canjica...
A alegria maior é vestir xadrez,vestido de chita,chapéu de palha,fazer pintinhas no rosto.
Nestas festas,a riqueza das musiquinhas folclóricas alegram o ambiente e trazem consigo,além da melodia animada e dançante,os elementos culturais deste evento,como as bandeirinhas,os santos,o balão junino e as lindas quadrilhas...Olha a cobra!É mentira!
A ludicidade junina traz valores e fortalece a cultura.As tradicionais brincadeiras Pescaria,Corrida do Saco,Tiro ao Alvo,Boca do Palhaço,prendem as crianças em uma diversão que as permite explorar o corpo,concentrar-se,equilibrar-se,vivenciar o acerto e o erro,esperar sua vez e ganhar seus brindes.Esse exercício de valorização da cultura e da diversão é um dever valioso da escola,momento de receber a comunidade escolar e resgatar a integração das famílias e nas famílias.
Tenho percebido,que ás vezes,algumas escolas perdem esse tão precioso desafio,e encaram os festejos tradicionais e culturais escolares como árduas obrigações ou como fontes de lucro...Que não seja assim,mas que a escola continue promovendo o encontro da diversão com as aprendizagens,conhecimentos e cultura!!!



   Capelinha de Melão,
É de São João,
É de cravo, é de rosa,
É de manjericão.

São João está dormindo,
Não me ouve não,
Acordai, acordai,
Acordai João.

Atirei rosas pelo caminho,
A ventania veio e levou,
Tu me fizestes com seu espinhos,
Uma coroa de flor.

Capelinha de Melão,
É de São João,
É de cravo, é de rosa,
É de manjericão.


                     A LÍNGUA E A LEI 

                      

A Língua Brasileira de Sinais-LIBRAS,oficialmente reconhecida como meio de comunicação e expressão da comunidade surda brasileira,pela lei 10.436 de 24 de abril de 2002,é a marca da identidade e conquista social da cultura surda.
A Lei de Libras,além de reconhecer a Língua Brasileira de Sinais como uma língua oficial,regulariza seu uso e difusão.Este decreto contém ainda,o dever do poder público de garantir o atendimento e tratamento adequado do surdo,assim como prevê que os sistemas educacionais capacitem os educadores para a educação da comunidade surda e ressalva que LIBRAS não substitui o uso da língua portuguesa,sendo assim,podemos interpretar que aceita uma educação bilíngue.
Infelizmente,a legislação vigente atua de forma desvinculada da realidade.Infelizmente a LIBRAS é pouco divulgada e não reconhecida pelas pessoas em geral como uma língua oficial.Hoje,uma criança surda em idade escolar,ao invés de ser familiarizada com a língua de sinais,é submetida a uso de implantes,cirurgias e exercícios de fala em escolas tradicionais,com professores,que ao contrário do que prevê a lei,seguem despreparados para educa-la.As políticas públicas não garantem tratamento e acessibilidade adequada a comunidade surda.
No mesmo decreto,encontramos as palavras surdo e deficientes auditivos,como se fossem palavras de mesmo significado.
A lei de libras é uma vitória da comunidade surda,mas algumas colocações ainda estão no papel.
O surdo é um cidadão de direitos e deve ser respeitado dentro da sua cultura e identidade própria,visto como um ser capaz e autônomo e não um deficiente,parte integrante e ativa da sociedade.



Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados.

 Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.

Art. 2o Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil.

Art. 4o O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme legislação vigente.



domingo, 19 de junho de 2016

                                             POESIA NA SALA DE AULA

            "SEM LIVROS,DIFICILMENTE SE APRENDE A GOSTAR DE LER."
                                                     RUTH ROCHA

   
    Trazer a literatura para a sala de aula é indispensável para a formação de leitores apaixonados.Em especial,oferecer a mágica da poesia durante as aulas  é algo emocionante,pois a poesia vai além da simples linguagem escrita,envolvendo emoção e prazer na leitura.
Geralmente,em minhas turmas,tanto de educação infantil,como em anos iniciais,o livro infantil,com suas histórias e belas gravuras esteve sempre presente,como instrumento de deleite e de aprendizagem.Já a poesia,sempre apareceu menos em minhas aulas,não sei dizer exatamente o porquê.
Neste eixo do curso de graduação PEAD/UFRGS,na interdisciplina Literatura Infanto Juvenil e Aprendizagem,temos vivenciados momentos de significativo encontro com a linguagem poética,despertando assim,maior desejo de multiplicar a emoção da poesia.
Então,nesta semana,motivada pelas aprendizagens acadêmicas,levei para os meus pequeninos alunos da educação infantil,uma rica poesia.Claro,que já havia trabalhado poesia em sala de aula,mas desta vez,com maior significado e buscando explorar muito mais a poesia,construindo não só as habilidades e objetivos pedagógicos daquele planejamento,mas principalmente,engajada em desenvolver maior gosto pela leitura.
O resultado foi muito satisfatório,pois os alunos se envolveram pela linguagem rimada,sonora,quase musical da poesia,e apesar de sentirem falta das gravuras e do objeto livro em sí,perceberam a importância de ouvir e atentar as brincadeiras contidas nas palavras lidas.O ouvir,o oralizar,o reproduzir e interpretar a poesia é um conjunto de diversas aprendizagens que se constituem.Poesia é aprendizagem e prazer!


Identidade
    
   Às vezes nem eu mesmo 
sei quem sou.
às vezes sou.
"o meu queridinho",
às vezes sou
"moleque malcriado".          
                           
Para mim
tem vezes que eu sou rei,
herói voador,
caubói lutador,
jogador campeão.
às vezes sou pulga,
sou mosca também,
que voa e se esconde
de medo e vergonha.
Às vezes eu sou Hércules,
Sansão vencedor,
peito de aço
goleador!
Mas o que importa
o que pensam de mim?
Eu sou quem sou,
eu sou eu,
sou assim,
sou menino.
             Pedro Bandeira 


Trabalho auto-retrato,feito pela minha turma de educação infantil após a exploração da poesia Identidade,de Pedro Bandeira





domingo, 5 de junho de 2016

                  A Evolução do Jogo Infantil 


 
"A INFÂNCIA É O TEMPO DE MAIOR CRIATIVIDADE NA VIDA DE UM SER HUMANO"
JEAN PIAGET 

                  
O brincar e a criança são tão semelhantes que parecem ser uma única coisa.Brincar,jogar e se divertir faz parte da infância e seu desenvolvimento.Como temos visto nos estudos da interdisciplina  de Ludicidade do curso de pedagogia PEAD/UFRGS,brincar é muito sério,pois através da brincadeira a criança se expressa,interage com o meio e seus pares e aprende.
Em relação aos jogos especificamente,Jean Piaget nos coloca,que as crianças interagem e se desenvolvem jogando,e que jogam de acordo com seus estádios de desenvolvimento psicosocial,de acordo com a epistemologia genética.
No estádio sensório-motor,de 0 a 2 anos,se percebe os jogos de exercício,onde a ludicidade está na repetição de ações realizadas pelo bebê,como jogar várias vezes um objeto no chão para ver o adulto buscar,ou esconder-se e aparecer novamente,tirar e colocar um acessório ou olhar e parar de olhar para uma direção ,por exemplo.
Já no estádio pré-operatório,de 2 a 7 anos,surgem os jogos simbólicos,onde simboliza o que vivencia ou vê através da imitação,geralmente imitando algo que não está presente ou refazendo uma cena que já aconteceu(imitação diferida).Nesta fase a imaginação da criança é simbólica e é muito comum a substituição de objetos por outros,como um graveto que vira espada,um tecido que vira bebe ou uma caixinha que vira um carrinho.
Nas crianças maiores,de 7 a 11 anos,estágio operatório concreto,o jogo simbólico passa a dar lugar a maior racionalidade,quando é comum os jogos de regras,onde a cooperação e as relações sociais estão em pleno desenvolvimento e a criança reconhece as regras como leis importantes,que dependem de um consentimento geral para serem mudadas.O pensamento e o jogo simbólico sempre estarão presentes na vida de um sujeito.
As regras estão presentes na infância,primeiro de forma motora,onde o bebe realiza suas ações dentro de suas habilidades,sem utilizar a linguagem e a imposição do adulto.Depois passa a reconhecer e a conviver com as regras impostas pelos adultos e já maiores tendem a respeitar e valorizar as regras em seu cotidiano.
Piaget em seus estudos sobre o desenvolvimento infantil,percebeu que a criança está sempre em evolução e que as fases deste desenvolvimento acontecem sucessivamente se complementando e que o surgimento de um estádio não implica no desaparecimento de outro.
Conhecer o desenvolvimento infantil e a relevância dos jogos e brincadeiras em seu processo de aprendizagem é de extrema importância para meu trabalho em sala de aula e minha formação docente.    


domingo, 29 de maio de 2016

                       Perguntando é que se Aprende 

   

 Não restam dúvidas de que o que move as descobertas e as aprendizagens são as perguntas e não as respostas,ao contrário do que seria provável e lógico de se imaginar.No terceiro eixo do curso de graduação em Pedagogia PEAD/UFRGS,o tema desenvolvido pela interdisciplina Seminário Integrador III,foi a elaboração e construção dos Projetos de Aprendizagem a serem desenvolvidos em sala de aula,voltados á pesquisa,onde o professor é o mediador e motivador da busca pelos saberes e o aluno tem um  papel totalmente ativo no  processo,pois é o agente questionador e pesquisador,construindo suas aprendizagens.''Ensinar não é transferir conhecimentos,mas criar as possibilidades para sua própria construção''(Paulo Freire,1996).
Partindo desta muito rica proposta do curso,fomos,nós graduandas, convidadas a questionar, isto é,fazer perguntas,questões que gostaríamos de desvendar.E o resultado foram muitas perguntas, as quais dariam ponto de partida aos projetos de pesquisa. 
Realmente,se refletirmos sobre a importância das perguntas e o poder que elas tem de nos levar a pensar,repensar,analisar,pesquisar e aprender,daríamos muito mais oportunidade a busca das respostas das perguntas dos nossos alunos,filhos e de nós mesmos.Quão importante é construir um conhecimento buscando,através da pesquisa,da observação e investigação,a simplesmente receber uma resposta pronta.[...o educador,de modo geral,traz a resposta sem lhe terem perguntado nada...](Freire,Fundez,1985).

Desde pequena, ouço que devemos falar menos e ouvir mais,pois temos uma só boca e dois ouvidos e que ainda,as orelhas se parecem com interrogações,para que tudo aquilo que escutamos possa ser  questionado.As crianças perguntam para conhecer,nós perguntamos o tempo todo para nos sentirmos seguros,o padre pergunta na cerimônia de casamento,o juiz pergunta no tribunal e Jesus,nosso Senhor e Mestre,por diversas vezes,quando iria realizar um milagre,perguntava: -O que queres que eu te faça?

Jean Piaget, nos mostrou através de seus estudos sobre o desenvolvimento infantil,que a criança aprende através de seu relacionamento com o meio.No período pré-operatório,fase em que a criança tem um pensamento simbólico,criando imagens mentais de objetos ou pessoas que não estão presentes,observam e sentem muito mais estímulos do que podem
 explicar, passam  a vivenciar e reconhecer as regras e combinações,e sua curiosidade com o que a cerca aumenta,é a fase dos porquês.Nesta fase sentem-se atraídas por brincadeiras desafiadoras e jogos que envolvam regras e memorização.
Logo após,começam a assimilar as situações abstratas concretizando-as,a partir de situações,objetos ,brinquedos,e começam a desenvolver noções de número,ordem,conceitos simples.É o estádio operatório concreto se iniciando. 
É neste processo de desenvolvimento que as perguntas estão em alta,a curiosidade e a capacidade de imaginação  instigam o conhecimento,que as crianças passam a buscar durante toda a trajetória escolar.

Que as perguntas tão despertadoras de saberes estejam presentes em todos os processos de busca pelo conhecimento em nossas salas de aula.E que nós educadores,possamos permitir aos nossos alunos aprenderem a aprender,partindo de suas muitas perguntas,mostrar o caminho da busca e construção das aprendizagens.

Perguntar não ofende.Perguntando se aprende!!



 Gosto muito desta música ''Oito Anos'' de Adriana Calcanhoto.Nela,estão perguntas feitas pelo filho da cantora Paula Toler,Gabriel,de oito anos,muito questionador,no seu processo de curiosidade e de aprendizagem...Ouçam!!Muito legal!!


  




   



domingo, 22 de maio de 2016

               LIBRAS: Uma língua e muitas reflexões

 

"A identidade adquire sentido por meio da linguagem e dos sistemas simbólicos pelos quais elas são representadas" (Woodward,2012)

Após a primeira aula da interdisciplina de LIBRAS na UFRGS e a leitura dos textos sugeridos dentro desta temática,percebí,perplexa,que eu,mesmo sendo educadora e estando em sala de aula já a algum tempo,desconhecia a realidade da cultura muda existente e ainda,alimentava ideias muito errôneas sobre este  assunto de extrema relevância a todas as pessoas.
Não sabia,por exemplo,que os surdos tem um sinal que o representa,familiar,característico.
Para mim,até então,o mais educado era usar o termo deficiente auditivo ao invés de mudo.Acontece,que as pessoas mudas lutam para serem vistas, não como pessoas incompletas ou deficientes,mas pessoas diferentes sim,mas inseridas dentro de uma cultura própria,muito rica,isto é ,uma identidade.
"...a mudez é ligada a ausência ou algum comprometimento do orgão fonador.Então muitos surdos não tem problema com o orgão fonador e sim(nem todos)com a falta de retorno auditivo,mas isso não importa,porque,os surdos,culturalmente,falam com as mãos e ouvem com os olhos..."(apostila de Libras,UFRGS,2014).
A Língua Brasileira de Sinais(LIBRAS),que antes eu via como um conjunto de gestos usados pelas pessoas surdas para se comunicarem,é muito mais do que isto.LIBRAS é uma língua da comunidade surda de uso universal e reconhecida como língua oficial,assim como um idioma estrangeiro,por exemplo.A luta pelo seu reconhecimento é uma grande vitória da comunidade surda e a marca principal de sua identidade.Essa língua,o respeito a diversidade e o reconhecimento do surdo como cidadão capaz e não como um deficiente são o foco principal destas reflexões.
Nós educadores,temos emergentes necessidades de formação para o atendimento especializado e para obtermos conhecimentos básicos da cultura surda e da educação num panorama de diversidades.Neste ponto,passamos a repensar a escola inclusiva.Como acontece e como o surdo se desenvolve por meio de uma educação tradicional inclusiva?Suas necessidades seriam solucionadas?Estaria realmente incluído em meio a uma educação ouvinte?
"...os estudantes surdos aprendem mais e melhor em escolas bilíngues..."(Capovilla,2011)
Outra aprendizagem de muita valia nestes estudos,foi compreender a importância da educação bilíngue para as crianças surdas.Estamos vivendo em uma época em que só se pensa em incluir as diferenças a qualquer custo.A proposta da inclusão nas escolas tradicionais cae por terra,quando se percebe e desestrutura destas instituições para esta demanda.A escola tradicional não é capaz de encontrar as reais necessidades da educação da criança surda e nem seus professores possuem esta formação.A escola bilíngue vem ao encontro desta criança,trazendo a sua língua de identidade e a língua portuguesa,onde a criança se desenvolve com seus pares.
A luta dos surdos pelo direito a educação bilíngue mostra a força e o quanto esta comunidade é capaz e ativa em nossa sociedade.  

 


 

domingo, 15 de maio de 2016

          Quando a brincadeira gera renda...


Esta charge tem o objetivo de chamar a atenção para a questão do trabalho infantil.Mas parece tratar o assunto de maneira  cômica e de forma racista.

Na interdisciplina de Ludicidade,temos discutido e refletido a respeito da importância do brincar para o desenvolvimento infantil.O brincar,o jogar,o vivenciar as regras e o faz de conta,permitem á criança desenvolver valores e adquirir saberes,importantes,inclusiva a vida adulta.
Nesta semana,ao discutirmos sobre a temática da ludicidade infantil,assistimos a dois curtas da internet que trazem as questões relacionadas ao jogo e as brincadeiras,mas também nos faz refletir sobre um importante tema,presente ,infelizmente,em nossa sociedade atual,que é o trabalho e a exploração infantil.
No Brasil, tem crescido nos últimos anos, o número de crianças,que devido a forte crise econômica,deixam de vivenciar a infância em sua totalidade,para ajudar suas famílias no sustento diário,principalmente em classes minoritárias.Não estão brincando ou na escola,mas estão nos sinais vendendo objetos,catando lixo seco para reciclagem ou fazendo favores nas ruas em troca de trocados.Ainda outras,trabalhando de forma escravista.
Mas como sabemos,as crianças tem necessidade de brincar,de jogar,de interagir com os objetos e seus pares para que se desenvolva.
Mesmo crianças em situações de vulnerabilidade social,brincam o tempo todo.Nem sempre tem brinquedos,nem sempre tem tempo,mas não deixa de fantasiar,de criar e usar a imaginação,mesmo em atividades de trabalho adulto,acham,de sua maneira,um jeito de brincar.


Tomara,que nossas crianças consigam vencer os desafios desta sociedade tão desigual e injusta.Que as crianças sejam vistas,respeitadas e defendidas,e que tenham o direito de viver a infância em sua plenitude,brincando como criança brinca! 


                                  

            "AS CRIANÇAS NÃO BRINCAM DE BRINCAR,BRINCAM DE VERDADE"
                                                   MÁRIO QUINTANA
  
                 


domingo, 8 de maio de 2016

                      O PROFESSOR E SUA VOZ 

Impossível imaginar a atuação de um professor sem sua fala,seu canto,sua voz.
Um assunto de extrema importância abordado na interdisciplina de Música na Escola,são os cuidados que os profissionais da educação tem com sua voz e as consequências do mau uso deste precioso instrumento de trabalho.
Pessoalmente,antes dos estudos e debates a respeito deste assunto,nunca tinha dado relevância aos cuidados com minha voz.
Costumo falar muito durante as aulas,muitas vezes,usar o volume bem mais alto do que o normal,e por se tratar de uma turma de educação infantil,também canto com as crianças e utilizo muito a voz na contação das histórias,não bebo muita água e sei que não tenho uma educação vocal adequada.
Pretendo observar e ter mais cuidado,com este que é um instrumento básico de trabalho.
A maioria dos professores não tem cuidados básicos com a voz.
O grande número de alunos,indisciplina dos mesmos,falta de tempo,longas jornadas de trabalho,muitas vezes,em ambiente desfavorável podem trazer graves,e até,irreversíveis problemas vocais.




                         Amados colegas educadores:Cuidemos de nossas vozes!!!


Professores e cuidados com a voz 

Reportagem:Professora afastada por problemas vocais
  

domingo, 1 de maio de 2016

                                      OS JOGOS 

 
Segundo historiadores,jogar é uma atividade desenvolvida pelo homem desde muito tempo,em civilizações antigas,inclusive,sem uma idade definida para os participantes.Jogos que eram atividades de nobres,ou serviam de ritos de passagem,estão fazendo parte do desenvolvimento humano faz tempo.Conta a história,que a igreja católica chegou a abolir a prática de jogos por considerar pecaminosa.
Philippe Aries,traz os primeiros relatos de jogos voltados ás crianças,como fonte de entretenimento e relaxamento na escola.
Para nós,educadores,não há dúvida,da importância do jogo no desenvolvimento infantil.É jogando que a criança interage com seus pares,vivencia a necessidade de criar estratégias,respeita dua vez,cumpre regras,ganha e perde e de maneira prazerosa aprende e testa conhecimentos diversos.As relações de responsabilidade,honestidade  e humildade aparecem nos jogos infantis,assim como a construção da autonomia e dissolução do egocentrismo,tão presente nas etapas da infância.
Os jogos motores,cooperativos e competitivos desenvolvem nas crianças,além de inúmeras aptidões na area física,valores essenciais para sua convivência escolar,e assim para sua vida.
Jogar é um ensaio para a vida real.
Acredito que as escolas e educadores devem investir e mobilizar seus alunos à prática de jogos de diversas categorias,motivando-os a aprender e buscar aprimorar-se nos jogos e competições escolares.A sala de aula deve ser um local de constante ludicidade em todos os momentos,principalmente para fixação de conteúdos.
Infelizmente,os jogos também podem ser nocivos se usados de forma errada...percebemos em nossa sociedade atual,alguns graves problemas ligados ao uso excessivo de jogos ou jogos com temas inapropriados.Como é o caso de pessoas viciadas em jogos ou,por exemplo,a recente polêmica do jogo Charlie,Charlie.
  Também concordo em afirmar que os adultos devem estar dispostos a participarem de jogos familiares,competições esportivas,jogos de com amigos e jogar para se divertir tanto quanto puderem.Pois nos desenvolvemos e aprendemos com a interação por toda a vida.
Que gostoso passar na Rua da Praia e ver aqueles velhinhos se divertindo com seus jogos de dama!

 


domingo, 24 de abril de 2016

          MINHA RELAÇÃO COM A MÚSICA...



Iniciamos no curso de pedagogia,PEAD/UFRGS,a interdisciplina Música na Escola,com uma aula maravilhosa,envolvente e motivadora ao que veio propor.Vivenciar a musicalidade com prazer e refletir sobre as suas possibilidades foi o ponto alto deste encontro.Acredito sim,fortemente,que a música é um poderoso instrumento de trabalho ao educador em sala de aula e rica fonte de aprendizagem,alegria e prazer aos nossos alunos.
Aproveito aqui então, para falar de minha relação pessoal com a música e o reflexo disso em meu trabalho como educadora.Algo muito presente na minha vida,é a música.
Desde muito pequena sempre fui estimulada a ouvir musiquinhas infantis,tanto em casa como na escola e sempre gostei muito.Já adolescente passei a fazer parte do coral jovem da minha igreja e pasmem,me casei com um músico.
Amo ouvir e cantar músicas gospel,apesar de não saber nada de música,nem cantar bem,ensino os corinhos infantis ás crianças na igreja.
Na escola sim,uso a música como aliada.No momento,trabalho com educação infantil e é a música que orienta nossa rotina(musica do lavar as mãos,música do lanchinho...)e mais as diversas musiquinhas que cantamos nas rodinhas de conversa.Quando trabalhava com as crianças dos anos iniciais,também sempre busquei levar músicas nos trabalhos com projetos e os pequenos sempre demonstraram muita satisfação nesta relação da musicalidade com a aprendizagem.
Estou muito grata,pela oportunidade de agora poder aprender sobre música na escola,pois apesar de estar sempre ligada a musicalização,preciso de conhecimento sobre este assunto,estando assim muito satisfeita e ansiosa pelas aprendizagens desta interdisciplina,que tenho certeza terá grande valia para minha formação e para minha vida. 



                                     

        Deixei aqui um vídeo muito legal pra quem gosta de música,trabalho em equipe e ideias criativas!!!




domingo, 17 de abril de 2016

                      Literatura:Uma fonte de emoções 


 

                           "LER É FAZER AMOR COM AS PALAVRAS"   Rubem Alves


Ler sempre foi para mim, um exercício de descobertas,aventuras, ora muito prazerosas e outras vezes,nem tanto,mas sempre,deste encantador e vasto mundo da literatura, tirei algum fruto e nunca deixei de aprender com os livros.
Nos primeiros contatos que tive com a literatura,já nasceu em mim um encantamento.Descobrir,ou desvendar a escrita,que para mim,com sete anos, era um enorme desafio,que se tornava algo cheio de magia,quando a professora lia histórias infantis cheias de cores e emoções...eu amava ouvir histórias!
Na adolescência, me redescobri como leitora e foram surgindo as necessidades escolares de produção escrita.Na memória trago,uma querida professora de português,da sexta série,que me apresentou,de maneira muito sábia,o amor pela literatura.Começou com um projeto de crônicas,passou para os artigos de jornal,poesia e literatura brasileira.Me apaixonei por Érico Veríssimo,lendo O Continente.Tivemos na escola,a visita da Martha Medeiros,do jornal Zero Hora,e eu me tornando uma apaixonada pela boa escrita,como sou até hoje.
Digo,que tive algumas experiências não tão prazerosas com a literatura,porque pelo caminho tive,na escola,aquelas leituras que são obrigatórias e que vem sem  um propósito concreto de quem as sugere,digo até,que leituras maravilhosas,mas sugeridas para faixa etária inadequada de alunos,seguidas de massantes exercícios de fixação...fui vítima destes maus caminhos que a literatura encontra...
Mas sobrevivi e ser apreciar a literatura,uma boa leitura,diferentes gêneros,sempre admirando os grandes nomes de nossa literatura,como Mario Quintana,Machado de Assis,Érico Veríssimo e os amados autores de literatura infantil,Ruth Rocha,Ana Maria Machado,Monteiro Lobato,Ziraldo...que preciosidades!
Mas querem saber minha verdadeira paixão literária?
Não falo de um livro,mas do livro. Bíblia Sagrada.
Como cristã,tenho essa preciosa literatura como fonte de alegria,motivação,orientação e fundamento de vida.E  mais do que todos os autores citados,este livro significa a mim,uma fonte de amor e vida! 


   "Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos,e não tenha amor,serei como o   metal que soa ou o símbalo que retine"          
                                         Bíblia Sagrada,I corínthios 13:1


"Lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho é a tua Palavra"
                                         Bíblia Sagrada,salmo 119:105  



                                                                           
                  
  


domingo, 10 de abril de 2016

                          PRA QUÊ BRINCAR?

"O PARAÍSO MORA DENTRO DE UMA CAIXA DE BRINQUEDOS" (RUBEM ALVES) 


                                  

Com muita satisfação,iniciamos na última a semana,a interdisciplina Ludicidade e Educação.Inicio essa postagem com o termo "satisfação",não para torná-la mais formal ao leitor,mas sim,porque acredito verdadeiramente,que o brincar é o cerne do desenvolvimento infantil,e que nós,educadores,devemos nos preparar sim,para sermos também motivadores e mediadores do brincar infantil.
A primeira questão desta interdisciplina,que chegou a mim virtualmente,foi o questionamento "PRA QUÊ BRINCAR?",para que nós alunas da pedagogia,professoras,viéssemos a refletir.Neste caso,a primeira coisa que pensei,é que na verdade,a questão não é o porquê as crianças brincam,mas o quanto as permitimos brincar.
Brincar é uma ação muito natural da criança.Ninguém precisa ensiná-la a brincar.
Quando ela brinca,está se relacionando com o mundo.Ora ela imita e representa o seu cotidiano,ora ela vivencia seus desejos e fantasias infantis.
Através das brincadeiras as interações com os objetos,ambientes e outras crianças acontecem,produzindo muita alegria e desenvolvendo a autonomia e diversas aprendizagens.
Com o considerável aumento do consumismo infantil,da tecnologia e até mesmo,das diversas atividades escolares e extraclasse as quais as crianças são submetidas nos dias atuais,a livre brincadeira vem se perdendo.Existem crianças que brincam somente se o brinquedo for muito atrativo,outras dependem da tecnologia para brincar e outras,não tem mais tempo pra isso.
Aí está o papel dos educadores.Permitir as crianças brincarem livremente,juntas,em diversos ambientes,criando e recriando.O resgate do brincar natural,aquele que produz sorrisos,aventuras,descobertas e sujeira(como já dizia certa propaganda de sabão em pó).
Brincar faz bem.Não só para as crianças,nós também devemos parar e jogar um pouco,correr,se distrair.Brincando se aprende e se é feliz.



"Ao brincar,a criança assume papéis e aceita regras próprias da brincadeira,executando,imaginariamente,tarefas para as quais ainda não está apta ou não sente como agradáveis na realidade"
                                                                                             ( Vigotski )

domingo, 3 de abril de 2016

                   COINCIDÊNCIA AGRADÁVEL

Gosto de compartilhar aqui,os diversos fatos cotidianos que nos remetem,de forma prática, a tudo o que temos discutido teóricamente na faculdade de educação.Como este que descrevo agora...
Após buscar meu filho na escola,nos finais de tarde,costumo levá-lo a pracinha do bairro.Em uma destas tardes presenciei uma situação incrível,que me emocionou bastante.Brincando junto com meu filho,nos balanços,estava um menino de aproximadamente uns quatro anos,muito esperto e muito falante.A mãe o observava de longe,sentada em um banco da praça.Em um certo momento,o menino se aproxima da mãe e começa a fazer-lhe sinais e ela,por sua vez,também responde a ela sinalizando.Percebi então,que a mãe era muda,mas se comunicava muito bem com o filho que não era.Eu fiquei um tanto comovida com essa situação,não pela deficiência,mas pela superação dela.
Chamei esta postagem de Coincidência Agradável porque em breve inicio no PEAD/UFRGS a interdisciplina de LIBRAS,e terei muita satisfação em poder me apropriar deste mundo totalmente distinto a mim.
Onde trabalho,tenho um colega muito querido,com esta mesma característica e me comunicar com ele será para mim uma grande conquista,e isto está além de um conhecimento acadêmico,falo de conquista pessoal.
Então aguardo feliz e ansiosa pela interdisciplina que iniciará e compartilho orgulhosa aqui,que as oportunidades que o curso tem me proporcionado são a mim muito caras.
Que em breve eu possa estar ampliando minha capacidade de comunicação na escola e fora dela! 


                            ISAQUE

                "Educar exige reflexão crítica sobre a prática"
                                                                       Paulo Freire

Existem situações em nosso cotidiano, que nos colocam em uma posição de total reflexão sobre o que temos feito como educadores e que resultados temos produzido.
Esta semana voltando da escola,encontrei um antigo aluno,muito marcante na minha docência,Isaque.Adoro este nome,significa sorriso,e trás consigo a história de um importante personagem bíblico, símbolo da fé cristã e do sacrifício pelo amor a Deus.Assim não esqueci como se chamava.
Ele me abordou e me deu um forte abraço,logo vi que aquele adolescente tinha a mesma carinha de quando estava no terceiro ano da Escola Três de Outubro,onde eu lecionei por bastante tempo.Estava com outros adolescentes em uma esquina próxima a minha casa,onde geralmente garotos usam drogas.Me disse que tinha desistido de estudar e que a escola não era pra ele,me tratando por "sora".Claro que rebati dizendo que não deveria pensar assim.
Na época em que era meu aluninho,Isaque teve muitos problemas disciplinares e de aprendizagem,por isso a importância deste encontro com  ele.Foram muitos encaminhamentos,reuniões com a família,idas ao soe,retiradas da sala de aula,brigas constantes e muitas retenções.
Depois que me despedi dele,me vi mergulhada em questionamentos e até,confesso, senti um forte sentimento de culpa.O que poderia ter sido  diferente?Qual minha parcela de culpa nesta situação atual dele?Qual foi o papel da escola?Onde se acertou,errou ou evitou o inevitável?
Como educadores, participamos de palestras, formações, leituras, dinâmicas acadêmicas...mas nada nos faz refletir mais do que um fato.Não para se culpar ou desanimar,mas para repensar a prática,para buscar fazer melhor,para olhar para o futuro e se conscientizar de como travamos nossas batalhas com a esperança de vencer a guerra.
Meu profundo sentimento é que Isaque retome seus estudos e sua motivação pessoal,e que outros "Isaques" permaneçam na escola e não nas esquinas de nossos bairros...e,principalmente,que e escola faça a diferença!

          "HÁ ESCOLAS QUE SÃO GAIOLAS E HÁ ESCOLAS QUE SÃO ASAS"
                                         RUBEM ALVES