quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

            Primeiro Passo: Traçar uma linha de trabalho!


"Construtivismo não é uma prática ,ou um método,não é uma técnica de ensino nem uma forma de aprendizagem;não é um projeto escolar,é sim,uma teoria que permite (re)interpretar todas as coisas"
(BECKER,2001,p.72)



  


Como já relatado aqui,quando iniciei o Curso de Pedagogia já atuava em sala de aula e buscava,dentro de meus conhecimentos trazidos pelo Curso Normal e pela experiência,desenvolver um trabalho de aprendizagem significativa,onde os alunos participavam de diversas formas destes processos,me preocupando em oferecer atividades diversificadas,que não fossem massantes e empolgassem os alunos a aprender.Meu primeiro contato com o texto Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos do professor Fernando Becker,aconteceu no quarto eixo do PEAD,postando aqui minhas primeiras percepções,já me permitindo embasar o trabalho que realizava e perceber que era extremamente necessário que a aluno construísse as aprendizagens,mas eu demorei muito para deixar de acreditar na importância da minha transmissão de informações em sala de aula,até porque nesta época,trabalhava com os anos iniciais do ensino fundamental,onde os conteúdos ainda eram hipervalorizados dentro da Escola.

Nos eixos finais do Curso revisitamos o texto,mas foi no período de estágio curricular obrigatório,que ele me serviu de apoio para traçar,independente de tema,atividades ou projetos, a linha de trabalho que embasaria todo o trabalho desenvolvido com a turma de Educação Infantil,o Maternal II.

A rotina da educação infantil,permeada de momentos de "cuidado",ou seja,a alimentação,a higiene,o pátio,escovação,soninho e outras situações características da educação infantil,já acabam por fazer com que o educador desfoque de sua linha pedagógica,acabando,se este assim permitir,tornando-se um ambiente de atividades e práticas cotidianas e vazias de reflexão.As crianças da educação infantil,por serem menores,precisam de atividades mais direcionadas,acompanhadas e de pouca duração,já que a concentração desta faixa etária é menor.Esse fato,faz com que muitos educadores da educação infantil,planejem atividades muito simples,sem envolvimento das crianças,como pinturas ou desenhos sem sentido,desligadas de um contexto de aprendizagem.A triste e cruel ideia de que a criança nada sabe(tábula rasa) e por isso o professor(que tudo sabe) dá os "trabalhinhos",cenário muito comum ainda nas escolas de educação infantil."O professor fala e o aluno escuta,o professor decide o que fazer e o aluno executa,o professor "ensina" e o aluno "aprende".

Infelizmente,pela experiência que tenho em sala de aula,também o cenário empirista e apriorista se revelam nas salas de aula repletas de crianças,enfileiradas,sentadas uma após outra,copiando,decorando,repetindo informações e ouvindo os conhecimentos que vem do professor.

Para Freire,1979, o professor, além de ensinar, passa a aprender; e o aluno, além de aprender, passa a ensinar. Nesta relação, professor e alunos avançam no tempo. As relações de sala de aula, de cristalizadas - com toda a dose de monotonia que as caracteriza - passam a ser fluídas. O professor construirá, a cada dia, a sua docência dinamizando seu processo de aprender Os alunos construirão, a cada dia, a sua discência, ensinando, aos colegas e ao professor, novas coisas. Mas, o que avança mesmo nesse processo é a condição prévia de todo aprender ou de todo conhecimento, isto é, a capacidade construída de, por um lado, apropriar-se criticamente da realidade física e/ou social e, por outro, de construir sempre mais e novos conhecimentos.

A minha maior certeza ao iniciar o estágio,certeza fruto destas reflexões,era de que não podia ser assim.Eu precisava,por meio de um planejamento significativo e atividades estimuladoras,trilhar um caminho de sentidos e significados,observar habilidades e traçar estratégias para confrontar as defasagens cognitivas de desenvolvimento,por meio da construção dos conhecimentos,assumindo um papel de motivadora e mediadora das descobertas e aprendizagens.Durante o estágio,também ficou evidente,que outros momentos da rotina,não só o da atividade propriamente dita,contribuem para as aprendizagens na educação infantil.As aprendizagens ocorrem por meio de todas essas interações e relações das crianças com os objetos de aprendizagem.

"Que o aluno aja sobre o material significativo e desafiador,que o aluno responda as provocações provocadas pelo material,ou que se aproprie,em um segundo momento,não mais do objeto,mas dos mecanismos provocados pela sua ação sobre o material".

Segundo Becker,2001,construtivismo é a construção dos conhecimentos mediante ação sobre o objeto de aprendizagem,formação de estruturas assimiladoras em conjunto com a condição prévia e a maturação biológica necessária.Becker tem todo o seu trabalho de pesquisa baseado na epistemologia genética piagetiana,que defende a capacidade do aluno de aprender.

Para Piaget,1977, mentor por excelência de uma epistemologia relacional, não se pode exagerar a importância da bagagem hereditária nem a importância do meio social.O que ele rejeita, no entanto, é a crença de que a bagagem hereditária já traz, em si,programados os instrumentos (estruturas) do conhecimento e segundo a qual bastaria o processo de maturação para estes instrumentos manifestarem-se em idades previsíveis,segundo estágios cronologicamente fixos (apriorismo). Rejeita, de outro lado, que a simples pressão do meio social sobre o sujeito determinaria nele mecanicamente, as estruturas do conhecer (empirismo). Para Piaget, o conhecimento tem início quando o recém-nascido age assimilando alguma coisa do meio físico ou social. Este conteúdo assimilado, ao entrar no mundo do sujeito, provoca, aí, perturbações, pois traz consigo algo novo para o qual a estrutura assimiladora não tem instrumento. Urge, então, que o sujeito refaça seus
instrumentos de assimilação em função da novidade. Este refazer do sujeito sobre si mesmo é a acomodação. É este movimento, esta ação que refaz o equilíbrio perdido; porém, o refaz em outro nível, criando algo novo no sujeito. Este algo novo fará com que as próximas assimilações sejam diferentes das anteriores, sejam melhores: equilibração majorante, isto é, o novo equilíbrio é mais consistente que o anterior. O sujeito constrói - daí, construtivismo - seu conhecimento em duas dimensões complementares, como conteúdo e como forma ou estrutura; como conteúdo ou como condição prévia de assimilação de qualquer conteúdo.

Sendo assim,o professor Becker,baseado na epistemologia genética de Piaget e nas ideias trazidas por Freire,traz neste texto,Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos,uma reflexão muito forte com relação a linha de trabalho relacional,que permite,tanto ao professor como ao aluno,construirem de forma significativa seus conhecimentos.De acordo com essas reflexões,busquei em meu estágio,propor estratégias e atividades de provocação e interação das crianças da educação infantil com as mais variadas situações de aprendizagem.



BECKER,Fernando.Modelos pedagógicos e Modelos epistemológicos.Educação e Realidade.Porto Alegre,p.89-96,01 de junho,1994.  

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 6. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979. 218p.

PIAGET, Jean et alii. Recherches sur l’abstraction réfléchissante. Paris, P.U.F., 1977. 2v, p.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Quando a teoria conversa de perto com a prática:

O Estágio Curricular Obrigatório


 

O período final do Curso de Graduação em Pedagogia,mais precisamente o eixo VIII,tem como principal objetivo estabelecer esta relação teoria e prática por meio do estágio curricular obrigatório. No meu caso,professora por alguns anos nas turmas de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental,o sentimento inicial foi um misto de curiosidade para saber o que viria de novo a partir da nova situação a ser enfrentada e receio,por saber que,com certeza,mudanças se seguiriam e eu precisava estar aberta a elas.Diferente de uma aluna de pedagogia que nunca exerceu a docência,eu sentia que tudo o que eu fazia e sabia,e até os conhecimentos que construí durante o curso estariam em um momento de total reflexão e avaliação.

Ao iniciar o estágio,revi o filme Como Estrelas na Terra,sugerido pela interdisciplina do Seminário Integrador e fonte de muitas reflexões em relação a atuação docente e a importância do olhar atento do professor para as necessidades e as especificidades de cada aluno.Neste filme,um aluno com dislexia,desmotivado pela família,escola e sociedade,encontra um professor que o vê de forma diferente a necessidade deste aluno e motiva suas aprendizagens,de forma lúdica e motivadora,incentiva seus maiores talentos,sendo um instrumento de inovação em sua escola de atuação.

O fato de estarmos em sala de aula cotidianamente,enfrentando dificuldades e inúmeras  situações,por vezes faz com que venhamos atuar de forma automática,isto é,fazendo o mesmo trabalho todos os dias,sem refletir de forma aprofundada a cada intervenção que praticamos ou naquilo que estamos planejando e oferendo como instrumentos de aprendizagem aos alunos,ou até mesmo a postura que adotamos."Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática" (FREIRE,1996)

Ao ingressar no Curso de Pedagogia,o Pead,já senti provocações importantes que me fizeram repensar muitas atitudes e planos de aula.Formada no Curso Normal e atuando na rede estadual de ensino,por mais que buscasse fazer o melhor,ops conhecimentos e reflexões que o curso trouxeram,já me provocaram e o Estalo de Vieira vinha a cada nova reflexão,movimentando minha prática pedagógica.O estágio é o ápice deste processo,onde se planeja,se descreve as aulas e as avalia,refletindo e refazendo muitas práticas.

Já nos primeiros Workshops de Avaliação Integrada o meu foco sempre era expor o quando as reflexões e os conhecimentos do Curso me faziam refletir a prática pedagógica,inclusive pude registrar aqui,escrevendo sobre estas mudanças. 

A presença da supervisão de estágio,o apoio,a motivação e a complementação dos planejamentos e práticas é como uma "reforma na forma de atuar".Repensar e refletir sobre embasamento teóricos sólidos,consolidam a prática de ensino."Considero importante que o professor reflita sobre sua experiência profissional, sua atuação educativa, os seus mecanismos de ação..."(ALARCÃO,1992) 

Pude realizar meu momento de estágio na minha turma de educação infantil.A turma que trabalhava desde o inicio do ano de 2018,o que me trouxe mais segurança.Atuando muito tempo nas turmas de alfabetização,a educação infantil ainda me era um campo perigoso,devido a ter experiências anteriores com turmas bem agitadas e indisciplinadas,este nivel parecia a mim 
não muito confiável,sendo assim o cenário ideal para o enfrentamento,já que neste momento eu estaria sendo auxiliada pela equipe de orientação de estágio,o que me dava confiança para ir em frente.

Agradeço a todos que me apoiaram neste momento e destaco como uma aprendizagem importante a esta altura de meu processo de graduação é que o professor nunca está pronto,ele deve aprender para ensinar e refletir suas ações em todo o tempo,pois a educação se renova e é infinita em crescimento!




O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.
                                                Cora Coralina







Turma do Maternal II da Escola Viver e Aprender
2018






ALARCÃO, Isabel(org).Formação Reflexiva de Professores: Estratégias de Supervisão. Editora Porto,1992.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra,1996.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

                          INOVAÇÕES PEDAGÓGICAS

"...Inovação não é uma simples renovação,pois implica uma ruptura com a situação vigente,mesmo que seja temporária ou parcial.Inovar faz supor trazer a realidade educativa algo efetivamente novo,ao invés de renovar que implica fazer aparecer algo sob um aspecto novo,não modificando o essencial"(CARDOSO,1992,p.1)

O texto de Maria Isabel da Cunha,Inovações Pedagógicas e Reconfigurações de Saberes no Ensinar e no Aprender na Universidade,traz uma forte reflexão com relação as mudanças sofridas ao longo do tempo na sociedade e os reflexos destas mudanças nos processos pedagógicos da escola. Pensar em que vivemos em uma sociedade que tem vivenciado diversas transformações ao longo do tempo,sejam elas econômicas,sociais,políticas,e principalmente,tecnológicas.Tudo mudou e se modernizou,e a tecnologia tem avançado e modificado o cotidiano de nossos estudantes.Vivemos o momento da tecnologia da comunicação e da informação,onde se encontra informações de forma muito fácil e rápida,onde tudo é muito fácil e urgente.Dentro deste processo nos deparamos com uma escola que segue ensinando com os mesmos materiais,os mesmos recursos e ,mais assustador,os mesmos objetivos da escola do passado.
Quando se fala em inovações pedagógicas,estamos falando em repensar as práticas,utilizar recursos mais modernos e mais dentro da realidade dos alunos e educar com sentido e significado,ou seja,traçar objetivos e modelar o olhar docente as reais necessidades deste aluno atual.
E um ponto muito importante desta discussão,é que não se trata de considerar toda a prática educativa que se tem vivido como "lixo",desconsiderando o que é essencial.Se trata de uma mudança de pensamento,de (re)criar recursos e técnicas de ensino,(re)pensar os objetivos e estratégias,adequando os recursos ao encontro das reais necessidades e habilidades de nossos estudantes,tanto com o uso de recursos tecnológicos,como de outros recursos,reorganizados por meio das reflexões sobre inovar a prática pedagógica.

"A inovação não se decreta.A inovação não se impõe.A inovação não é um produto.É um processo.Uma atitude.É uma maneira de ser e estar na educação."(NÓVOA apud CARDOSO,2003.p.14)

Fiquei muito emocionada ao assistir um vídeo onde crianças indianas tem seu primeiro contato com a tecnologia e o impacto que este fato causa em suas vidas e na comunidade em que vivem.O vídeo se chama O BURACO NO MURO e traz uma significativa reflexão sobre a importância de educá-las para a atualidade.

"Inovação pedagógica é o rompimento com um paradigma através do arcabouço teórico e dialógico fundamentados nas teorias que versam sobre saberes produzidos ao longo da história humana"(CUNHA,2004,p.8).

A autora nos traz ainda a reflexão de que temos,nós educadores,uma forma positivista da educação,onde tudo deve ter uma sequencia,uma ordem,com objetivos claros de preparação do aluno para algo ou um estágio seguinte,o que faz com que fiquemos engessados no sentido de repensar a prática pedagógica de forma a inovar a prática.

A inovação pedagógica tem algumas características claras de se apresentar em um processo educativo:
-Provoca uma ruptura na forma tradicional de ensino propondo mudança.
-Coloca o aluno como o protagonista das experiências de aprendizagem
-Reconfigura e equilibra a importância dos saberes popular e científico.
-Reorganiza a relação entre teoria e prática,compreendendo que são indissociáveis e caminham juntas.
-Inserção de novos recursos,materiais e técnicas de ensino e aprendizagem.

"A inovação pedagógica traz algo de "novo",ou seja,algo ainda não estreado;é uma mudança,mas intencional e bem evidente;Exige um esforço deliberado e conscientemente assumido;Requer uma ação persistente;Tenciona melhorar a prática educativa;O seu processo deve poder ser avaliado;Para poder se construir e se desenvolver,requer componentes integrados de pensamento e de ação"(CARDOSO,1992)







CUNHA,Maria Isabel da.Inovações Pedagógicas e Reconfigurações de Saberes no Ensinar e no Aprender na Universidade.VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais.Centros de Estudos Sociais,Faculdade de Economia,Universidade de Coimbra,Portugal,16 a 18 de setembro de 2004.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

      PLANEJAMENTO:EM BUSCA DE CAMINHOS



É muito comun, ao falarmos de planejamento,principalmente nós que somos oriundas do curso normal,citarmos pontos essenciais como listagem de objetivos específicos e gerais,os procedimentos ou atividades,os processos de avaliação e a preocupação com os prazos que as escolas oferecem para que o professor apresente uma série de documentos que serão arquivados no setor pedagógico.Pensar em:o que queremos alcançar?A que distância estamos de tal objetivo?Que procedimentos usaremos para diminuir esta distância?Enfim,planejamento é um ponto de preocupação,de sucesso ou de fracasso do trabalho de um professor.
"Fazer planos é coisa provavelmente conhecida do homem,desde que ele se descobriu com capacidade de pensar antes de agir"(FERREIRA,1985,p.27).
"Planejamento é o processo constante através do qual a preparação,a realização e o acompanhamento se fundem,são indissociáveis"
Ao revisarmos uma ação planejada,estamos preparando uma nova ação num processo contínuo e ininterrupto.Ao pensarmos em planejamento,temos que termos como relevantes alguns procedimentos:
-Estabelecer referências,buscar as intencionalidades.
-Toda a ação pedagógica deve estar baseada em um pressuposto teórico,que explique as concepções.
-Pressupostos teóricos:definem procedimentos e estratégias metodológicas.São as fundamentações,os alicerces,as referências para a prática,representando as metas e os ideais.
-Princípios:Aproximação da prática aos ideais e vice-versa.Promovem a reflexão sobre a ação.
Eixos:Sociedade,homem,conhecimento,educação,aprendizagem,currículo,cultura.
-Utilidade social do currículo:Ação dentro da comunidade como pessoas autônomas,críticas,democráticas e solidárias.
-Currículo interdisciplinar
"é uma filosofia que requer convicção e,o que é mais importante,colaboração,nunca pode estar apoiada em coerções e imposições"(SANTOMÉ,1998,p.79)
Paulo Freire defende uma pedagogia da pergunta,da curiosidade,inversa a fragmentação,a imposição,ao depósito de conhecimentos,como consta em sua obra A Pedagogia da Autonomia.
"inacabados e conscientes do inacabamento,abertos á procura,curiosos,"programados",mas para aprender"(FREIRE,1997,p.65).
O Ensino Integrado são alternativas de ações pedagógicas que buscam criar condições e ambientes nos quais os alunos e alunas se vejam motivados para interagir,indagar e aprender.É necessário que os alunos sejam desafiados,questionados,exponham seus pontos de vista,façam conexões e estabeleçam as relações necessárias as aprendizagens.Também deve remeter ao panorama histórico,econômico,político,sociocultural,assim as críticas devem considerar esse contexto.
-CENTROS DE INTERESSE-Decrly
-PROJETOS-WILLIAM KILPATRICK(1871)
-PEDAGOGIA DO TRABALHO:CÉLESTIN FREINET(1896-1966)
-TEMAS GERADORES:PAULO FREIRE(1921-1997)
-REDE TEMÁTICA,TEMAS TRANVERSAIS
-TEMAS CULTURAIS(PCNS,TEMAS TRANSVERSAIS.
Elementos básicos para o esboço de um planejamento didático-pedagógico:
-Objetivos:o que e para que
-Justificativa:origem,um porque
-Temática:apresentação do eixo integrador
-Estratégias:Como
-Localização:onde,para quem
-Recursos:apoio,materiais,meios
-Avaliação:acompanhamento permanente,indicadores,critérios.
-Planos de aula e diários de classe são relevantes.


Referência: XAVIER, Maria Luisa M.; ZEN, Maria Isabel T. dalla. Planejamento em Destaque: Análises menos convencionais. 4. ed. Porto Alegre: Mediação, 2011.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Linguagem:Sistema de Representação com Características Próprias




Linguagem Fase Pré-Linguística):

-Choro diferenciado ou indiferenciado
-Gorjeio ou arrolho(u,u,u...a,a,a...)
-Balbucio(ba ba ba ...pa pa pa...)
-Ecolalia(imitação dos sons do adulto)
-Jargão Expressivo:Imita frases,mas sem sentido.

Linguagem Fase Linguística:
-Combinações de sons para se referir as palavras(apo...para dizer água)
-Usa palavra chave para expressar um pensamento inteiro,olofases (xixi...)
-Gestos,sinais,linguagem corporal para se expressar
-Imitação das frases adultas com sentido.
-No início de sua dialógica a criança usa falas simples,sem expressões gramaticais,fazendo uso de duas ou três palavras para expressar um sentimento ou informação.
-São capazes de fazer suas próprias lógicas através da compreensão da língua,como por exemplo "eu fazí"

A criança começa a desenvolver sua linguagem por meio das falas dos outros,imitação e interação com o mundo falante.Observa os sons e as palavras pronunciadas pelos adultos e nesta fase devem ser estimuladas através de questionamentos,brincadeiras,música,rimas e parlendas.
È importante observar se os bebês reagem aos sons do ambiente,percebendo assim a saúde auditiva e também de seu aparelho fonador.
A linguagem está significantemente ligada ao desenvolvimento da inteligência e a construção das aprendizagens.A linguagem participa de todos os processos cognitivos do ser humano,como o pensamento,a memória e a atenção.
Com as crianças menores o professor deve estimular a fala,através das músicas e atividades,não usando a fala "infantilizada" para a comunicação com eles.

Sugestões de atividades:
-Rodinhas
-Brincadeiras de roda
-Cartões com gravuras
-Questionamentos e registro de falas
-Histórias cantadas
-Musicalização de rotina
-Faz de conta
-Recontação de histórias
-Fantoches
-Acesso a livros com gravuras
-Varal de histórias
-Entrevistas na Escola.


Referências:
Vídeos sobre a Linguagem Infantil:


       GLOBALIZAÇÃO E INTERDISCIPLINARIEDADE

   
“Uma pessoa educada é a que assimilou, que interiorizou,  em suma, que aprendeu, o conjunto de conceitos, explicações, habilidade, práticas e valores que caracterizam uma determinada cultura, sendo capaz de interagir de forma adaptada com o ambiente físico e social no seio da mesma”(CALFEE,1981)


No texto de abertura, Hilton Japiassu nos fala da compartimentalização dos saberes e da importância do trabalho integrado. De que modo vocês relacionam estas questões com a “Fragmentação dos processos de produção (Taylorismo & Fordismo) e da cultura escolar” e “As novas necessidades das economias de produção flexível” expostas por Santomé?
Já no texto de abertura é possível refletir sobre a fragmentação dos saberes e como esta refletirá na constituição das aprendizagens do educando e por fim na formação cultural da sociedade de forma em geral. Na leitura referente a globalização e interdisciplinariedade  podemos vincular as ações sociais dos processos de produção com os mecanismos pedagógicos da educação, diferenciando as duas fortes correntes curriculares presentes na educação atual, por um lado aqueles que fundamentam com um resultado de um processo de desenvolvimento em grande parte interno da pessoa, e outro que concebem como o resultado de um processo de aprendizagem, em grande parte externo a pessoa, diferenciando assim as práticas pedagógicas que o embasam.
Quando pensamos em currículo temos que entender que ele tem como função principal criar uma identidade, subjetividade –opinião- conhecimento. Sua natureza epistemológica é social, não nos deixando esquecer o aspecto político. A finalidade primordial do currículo é promover o desenvolvimento o desenvolvimento do ser humano, a divergência está em como se dá este crescimento e quais ações pedagógicas promovem este crescimento. ”Um currículo é uma tentativa de comunicar os princípios e características essenciais de um propósito educativo, de tal forma que permaneça aberto a discussão crítica e possa ser efetivamente transladado á prática”(STENHOUSE,1984,p.29).
É certo dizer que o homem é um ser social, ou seja, culturalmente organizado. Por isso, a relação das movimentações sociais com os processos educativos.
Ao ler sobre o fordismo(método de produção idealizado por Henri Ford), não pudemos deixar de lado nossa reflexão sobre como as escolas, tentam derrubar o capitalismo há séculos e não conseguem, porque as mesmas dependem do capitalismo para tentar derrubar a ele. Se o fordismo era forte na época era por conta da própria sociedade, que em sua maioria o alimentava. No fordismo, temos o modelo de uma indústria de produção em massa, grande quantidade de produtos idênticos, onde cada operário deve fazer seus movimentos mecânicos de forma desvinculada do todo, sem muito esforço cognitivo e de relação com o meio ou seus pares. Essa é a ideia de um currículo baseado no aprorismo, ou seja, a aprendizagem subordina-se ao desenvolvimento, sem muita construção de aprendizagem ou interação.
Diferente de hoje que ainda lutamos contra o mundo capitalista, antigamente combater o capitalismo era ir contra um sistema ao qual não existia seres pensantes e sim massa de manobra.
Teorias críticas após um tempo foram criadas com base no Marxismo e escola e sociedade passaram a serem os culpados por esta onda de transformações, que atingia a indústria cultural, o ensino, a ideologia, reprodução cultural/social, poder, capitalismo; relações de trabalho da época.
Depois de um tempo surgiu as ideias pós-críticas, que a esses se davam em grupos sociais tornando-se assim a democracia uma maneira onde se obtinha na escola identidade, alteridade, o respeito as diferenças, a subjetividade e principalmente o saber, que era um poder negado a sociedade. Sujeitos que antes eram desinformados, passaram a buscar informações e com pensamentos reflexivos, que antes eram podados.
A teoria toyotista (método de produção idealizado por Taichi Ohno, dono da fábrica Toyta)de produção, traz a individualidade de seus produtos, a participação e contribuição de seus operários, buscando a qualidade e o “defeito zero” ou seja, pensando na qualidade geral do todo. Assim se concebe um currículo baseado na interação e na construção das aprendizagens por parte do indivíduo. Antes o que importava era o produto final (nota) e não o processo de produção (busca e processos de construção das aprendizagens). 



                PAULO FREIRE E A ALFABETIZAÇÃO

   
Paulo Freire coloca em Cartas para Cristina,pontos que ancoram,segundo ele,uma compreensão crítica da educação.
-Os alfabetizandos são sujeitos no e do processo de alfabetização.
-A alfabetização  é um ato de conhecimento,de criação e não de memorização mecânica.
-A alfabetização deve partir do universo vocabular,pois deste retiram-se os temas.
-Compreender a cultura enquanto criação humana,pois homens e mulheres podem mudar através de suas ações.
-O diálogo é o caminho norteador da práxis alfabetizadora.
-Leitura e escrita não se dicotomizam,ao contrário,se complementam e ,se combinadas,o processo de aprendizagem fará parceria com a riqueza da oralidade dos alfabetizandos.
Em 1958,aconteceu o II Congresso Nacional de Alfabetização de Adultos e de Adolescentes,para avaliar a Campanha de Educação de Adultos e Adolescentes organizada por Lourenço Filho.Nos relatórios deste congresso,Freire já assinalava que um trabalho educativo só podia ser feito se suas orientações se voltassem para a democracia,"se o processo de alfabetização de adultos não fosse sobre-verticalmente-ou para-assistencialmente-o homem,mas com homem,com os educandos e com a realidade(FREIRE,2006,p.124).
Freire traz a concepção de alfabetização-educação,ou seja,de que há duas possibilidades de ensino,uma,a partir de uma prática alienante e universalizante,outra,a partir de uma prática libertadora e dialógica,pois não há neutralidade em alfabetização-educação.
No livro A Importância do Ato de Ler,Freire retoma com muita clareza sua compreensão sobre o conceito de alfabetização,acentuando que seu caráter deve "ultrapassar os limites da pura decodificação de palavras escritas,pois a compreensão crítica do ato de ler se antecipa e se alonga na inteligência do mundo.A leitura do mundo precede a leitura da palavra,daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da leitura daquele.(FREIRE,1982,p.9)
Apreender o texto exige a apreensão das relações entre este e o contexto,por isso,a alfabetização é um "ato politico e um ato de conhecimento,por isso mesmo um ato criador,em que o alfabetizando é o sujeito e não o objeto da alfabetização".
Ensinar não é transmitir,mas estabelecer condições para sua construção,sendo que quanto mais crítico for este processo(ensinar e aprender)tanto mais se amplia a vontade de saber,a curiosidade epistemológica diante dos desafios do mundo.
Paulo Freire chama de movimento esta relação texto-contexto-texto e mundo-palavra-mundo,e diz que "a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura de mundo,mas por uma certa forma de escrevê-lo e reescrevê-lo".(FREIRE,1982,p.13).
No pensamento de Freire,a alfabetização é compreendida como ato criador,não pode ser vista como um simples processo de memorização mecânica das palavras e das "coisas mortas e semi-mortas",mas um processo que se encharca de atos de criação e de recriação.
O papel do educador deve ser o de "dialogar com o analfabeto" sobre situações concretas,por isso a alfabetização não pode acontecer de cima para baixo,nem de fora para dentro(FREIRE,1979,p.41)
Freire denomina de universo vocabular,carregados de experiência existencial,o conjunto das palavras geradoras oriundas da realidade dos educandos,dos grupos populares.Para ele,a alfabetização precisa ser compreendida como um conhecimento ampliador,pois alfabetizar-se "é participar,junto com outras pessoas,de um universo ampliado da própria curiosidade humana.Essa matriz dá consciência,junto com o conhecimento e o sofrimento"(BRANDÃO,2006,p.441)



Referências:

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A educação popular na escola cidadã. Rio de Janeiro:
Vozes, 2002.

FREIRE, Ana Maria Araújo. Paulo Freire - uma história de Vida. São Paulo: vilIa das
Letras, 2006.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo:
Cortez, 1982

FREIRE, Paulo. Cartas a Cristina. I. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994.

Verbetes de Paulo Freire: Alfabetização.Liana da Silva Borges