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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

     UM PASSEIO CULTURAL MUITO ESPECIAL


                                 Territórios Negros-Carris


Igreja das Dores(construída com mão de obra escrava)com suas lendas intrigantes
                                       

Acredito que um dos passeios mais produtivos em aprendizagens, que fiz com meus alunos foi a saída aos Territórios Negros, pela Companhia Carris de transporte público.
Passei a fazer sempre, inclusive, quando possível, no mês de novembro.
A atividade consiste em um passeio de ônibus pela cidade de Porto Alegre, onde o guia (monitor) aponta aos estudantes as regiões  da cidade reconhecidas como territórios de ocupação e de constituição histórica da população negra de Porto Alegre. Em pontos mais relevantes do trajeto, os estudantes são convidados a descer do ônibus para conhecer melhor o local e ouvir importantes informações sobre ele.


CONTATO: Pode ser feito pelo telefone 158(Prefeitura de Porto Alegre) ou pelo site territórios.negros@carris.com.br

INFORMAÇÕES SOBRE A VISITA: Deve ser agendado com antecedência, para grupos de 30 a 35 alunos acompanhados do professor, é gratuito.

ATIVIDADES EDUCATIVAS: A atividade dura três horas. Envolve momentos de palestras dentro do ônibus e fora dele, em lugares de grande importância cultural. Em todos estes pontos também a entrada é livre. Após a visita orientada a empresa oferece aos estudantes um material sobre patrimônio material e imaterial com atividades, ilustrado. Tanto o trajeto como esta atividade final, tem o objetivo de estimular os estudantes na valorização das memórias históricas, do patrimônio material que viram e o patrimônio imaterial construído pela comunidade negra na cidade de Porto Alegre.


Os locais visitados são:


-Mercado Público(principalmente o centro dele, onde as pessoas deixam moedas para orixás)
- Parque da Redenção
-Museu de Porto Alegre Joaquim José Felizardo
-Largo Zumbí dos Palmares
-Quilombo do Areal da Baronesa(Rua Luiz Guaranha)
-Colônia Africana(bairro Bom Fim e Rio Branco)
-Igreja Nossa Senhora das Dores(onde é contada a lenda africana da construção da igreja)
-Largo da Forca(Praça Brigadeiro Sampaio)-Tambor



DICAS:  Recomendo este passeio para crianças maiores, de terceiro a quinto ano, para compreenderem melhor as questões religiosas, de tortura escrava e  fatos históricos. Deve ser agendado com antecedência, de preferência em meses menos chuvosos, pois com chuva é transferido. O grupo deve ser orientado a andar juntos, cuidarem uns dos outros com atenção, pois se desce do coletivo e se volta para ele várias vezes durante a atividade. Mas é muito produtivo e cheio de descobertas e aprendizagens!

Roda situada no Mercado Público,onde as pessoas jogam moedas em homenagem a orixás

Tambor localizado na praça Brigadeiro Sampaio em homenagem a cultura negra

       VALE A PENA LEVAR OS ALUNOS NESTA VISITA DE RICO             APROVEITAMENTO CULTURAL!!!!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

       A FOTOGRAFIA COMO OBJETO E RECURSO DE                                                  MEMÓRIA




"As coisas nas quais nos ocupamos,na fotografia,estão em constante desaparecimento,e,uma vez desaparecidas,não dispomos de qualquer recurso capaz de fazê-las retornar.Não podemos revelar e copiar uma lembrança"
                                                                        Henri Cartier-Bresson 


Desde o século XIX,com o advento da fotografia,é possível conservar nossas memórias e guardá-las.A fotografia é a invenção que permite ao homem visualizar,além daquilo que está em suas lembranças,fatos,momentos e situações de relavância pessoal ou social,podendo revivê-los sempre que sentir esta necessidade.
As lembranças são a essência da memória e toda a memória é fundamentalmente (re)criação do passado.
Tanto a memória individual como a memória coletiva são partes de nossa história. 
Antigamente,as fotografias,consideradas relíquias de memória,era previlégio de poucos,um documento fidedigno,de grande valor.Hoje,com a fotografia digital,as memórias são retratadas a todo momento,com grande facilidade de manipulação,edição e reprodução instantânea,estando muito presente na vida das pessoas.
"Existem lugares da memória,lugares particularmente ligados a uma lembrança,que pode ser uma lembrança pessoal,mas também pode não ter apoio no tempo cronológico.(POLLAK,1992).
Claro,que devemos levar em conta que hoje,com o grande avanço da tecnologia,a fotografia pode não conter uma credibilidade absoluta.Assim como a memória,ela pode "selecionar" partes do real,afim de iludir,manipular,fazer parecer.
"Possuir a verdade é também ser capaz de enganar"(DATIENNE,1988).
Mas é incontestável  que a fotografia é um objeto portador de memória viva e própria,considerada um relicário,documento.Ela,revolucionou a concepção de memória e visão de mundo,contribuindo nos mais diversos campos das ciências e tecnologias,imortalizando momentos e pessoas.
É de extrema importância a manutenção e armazenamento deste recurso,pois nosso passado,nossa caminhada presente e futura está atrelada a nossa memória.
Essa memória ajuda a dar sentido a nossa existência,compreender melhor nossa trajetória no mundo e a construir nossa identidade.




"FOTOGRAFAR SIGNIFICA CONGELAR NO TEMPO A NOSSA MEMÓRIA,ATESTAR E PERPETUAR A NOSSA EXISTÊNCIA"





                                  E de onde surgiu a fotografia?

 



REFERÊNCIAS:

FELIZARDO, Adair; SAMAIN, Etienne. A fotografia como objeto e recurso de memória. Discursos fotográficos. Londrina, v.3, n.3, p.205-220, 2007. Disponível em: Acesso em:12 dez. 2016

Vídeo You Tube:  https://www.youtube.com/watch?v=BPK8zriZkEA  






sábado, 26 de novembro de 2016

                          A Criança Pequena e o Tempo 


    "O presente é onde nós nos perdemos,esquecemos nosso próprio passado e não tivemos a  visão de futuro" 
                                                                                            (Ayi Kwei Armah,1989)


Tendo a experiência de ter dois filhos pequenos e atuar em uma classe de educação infantil,percebo diariamente a curiosidade que as crianças tem em relação a passagem do tempo,o quanto procuram compreender o funcionamento das horas,dias,anos,o passado,o presente e o futuro.
É comum as crianças perguntarem sobre como era quando elas eram bebês,ou como era quando nós,adultos,éramos crianças como elas.
Como seria ensinar história para essas crianças?
Seria possível se engajarem no processo de investigação histórica?

Algumas perguntas comuns que observo cotidianamente:(falas das crianças)
  • Profª,quando tu nasceu já tinha celular?
  • Não me lembro nada de quando eu era nenê!
  • Será que quando eu crescer vai ser tudo assim como é agora?
  • Meu pai brincava de ioÎô...o que é isso profª?
  • Cheguei atrasado...vocês já comeram almoço? 
No texto,Aprendendo e Ensinando sobre o Passado a Crianças de Três a Oito Anos de 
Idade,Hilary Cooper coloca que é preciso encontrar formas de ensinar as crianças ,desde pequenas a partir de seus interesses em uma aprendizagem ativa e de pensamento genuíno,mesmo que embrionário,de maneira crescentemente complexa,sempre contestando a ideia de uma história oficial única.
Segundo Piaget, as crianças tem capacidade de desenvolver argumentos sobre fontes históricas,se forem orientadas,conseguem diferenciar o que é real do que é provável,isto é ,hipóteses.(probabilidade,linguagem,raciocínio).
Vigotski(1962),demonstrou que novos conceitos são aprendidos por julgamento e erro durante discussão,na qual o professor encoraja o uso do porque,explica novos conceitos,fornece mais informações e faz correções.
Bruner(1963)demonstrou os princípios sobre os quais a disciplina deve ser estruturada para que os processos de pensamento e o que está no centro dele(conceitos,questões e métodos de resposta)possam ser provocados desde o início,na sua forma mais simples.
Assim,devemos possibilitar as discussões,levantamento de hipóteses e reflexões da criança sobre o tempo, o passado e as perspectivas de futuro,motivando-a a compreender-se dentro do tempo.

A autora trás sugestões importantes para o trabalho de história com as crianças pequenas:

  • Tempo e mudanças na vida da criança(linha do tempo)
  • Tempo e mudanças na sua casa,bairro,cidade.
  • História sobre o passado mais distante(contos de fadas,mitos,lendas)
  • Adivinhações sobre diversas fontes(fotos antigas,canções,pinturas,museus)
  • Discussões que possibilitem vários pontos de vista
  • Sequenciando fatos históricos
  • Criando fatos do passado
  • Interpretações,ilustrações e representações de histórias diversas
  • história por meio de jogos
  • Peças teatrais 
      Sugestão de livro para trabalhar a questão do tempo(passado) na educação infantil:

Este livro,A Colcha de Retalhes,conta a história de uma avó que recebe seu querido neto na sua casa,e mostra para ele a colcha de retalhos que está fazendo e cada pedacinho tem um significado especial para sua família,cada retalho conta uma história.



 REFERÊNCIA:
COOPER, Hilary. Aprendendo e ensinando sobre o passado a crianças de 3 a 8 anos. Educar, Curitiba, v. Especial, p.171-190, 2006. Disponível em: Acesso em: 20 nov. 2016.

domingo, 6 de novembro de 2016

                      QUANTO TEMPO TEM A ESCOLA? 

 

Cortar o Tempo

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias?
a que se deu o nome de anos,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão pra qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui pra diante vai ser diferente.
Drummond  


Parando para pensar em algo muito relevante...Como gerenciamos o tempo em nossas escolas?Nós,educadores o aproveitamos da mesma forma que nossos alunos?


Em relação ao uso do tempo na sala de aula,a realidade dos professores e dos  alunos é buscar o tempo todo, cumprir as rotinas estabelecidas pelas instituições de ensino,assim como,os prazos  para realização das atividades,o calendário escolar, avaliações,desenvolvimento de conteúdos e o mais preocupante,cumprir o tempo determinado para que a aprendizagem aconteça.
Assim surge a necessidade de refletir sobre o tempo na escola.
Segundo o texto Questões sobre o Tempo Escolar, explorado na interdisciplina Representação do Mundo pelos Estudos Sociais,o tempo nas escolas está subordinado e sofre uma fragmentação cíclica,através das séries,níveis,etapas,bimestres,trimestres.
A sociedade atual vive de forma vinculada a organização do tempo de forma muito rígida e linear.A sociedade moderna está vinculada a crença e o progresso,crendo que ao findar um tempo há esperança do surgimento de outro melhor,e assim,a organização escolar também vem há muito tempo se organizando rigorosamente em relação ao tempo.A sociedade atual,está deixando de viver um tempo linear para vivenciar uma simultaneidade temporal e a escola não pode deixar de se adequar isso.
É emergente repensar o tempo escolar.
Sampaio (2002), explicita que o tempo na escola é diferente do tempo das crianças,pois existe a expectativa de que todas aprendam num determinado tempo definido como série.A escola se prende a um paradigma homogeneizador que nega as diferenças.
Assim também Gómez (2004) ”Que escola que queremos?” sinalizando que a estrutura espacial e temporal não dá oportunidade e vazão para a criatividade,coletividade,vivência sócio-cultural.
Não diferente dos alunos,os professores vivem seu fazer pedagógico de forma totalmente subordinada ao tempo escolar, determinado pelo sistema atual de ensino.Muitas vezes,desqualificando seu trabalho docente,que é atravessado pelas questões da falta de tempo para a concretização de seu trabalho.”O tempo é uma construção social em constante mudança,e não e não é vivido apenas por aqueles que compartilham o espaço escolar, mas também pelas famílias e por toda a comunidade”(FRAGO,1998).
Segundo o texto,o tempo é continuidade(COELHO,2007) e é preciso pensar o tempo de criação na escola.Criar espaços expandidos,interativos e flexíveis,onde as diferenças sejam respeitadas além do conteudismo,para que se possa viver a alegria de cada momento.



Referências:
OLIVEIRA, Cristiane et al. Questões sobre o tempo no espaço escolar. Disponível em: Acesso em 22 set. 2016.
SAMPAIO, Carmem Sanches. Educação brasileira e(m) tempo integral. In: COELHO, Lígia Marta C. da Costa, CAVALIERE, Ana Maria (Orgs.). Alfabetização e os múltiplos tempos que se cruzam na escola. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. p. 182-196.
FRAGO, Antonio Viñao. Tiempos escolares, tiempos sociales – La distribución del tiempo y del trabajo em la enseñanza primaria em Espana (1838-1936). Barcelona: Ariel, 1998.
GÓMEZ, Encarna Sato. Outros tempos para outra escola. Revista Pedagógica Pátio, n.30, p.47-50, maio/jul. 2004.
COELHO, Lígia Martha Coimbra da Costa Coelho. Escola pública de horário integral: um tempo (fundamental) para o ensino fundamental. Disponível em: Acesso em 20 de jun. 2007.


sábado, 5 de novembro de 2016

            O ENSINO DE HISTÓRIA NA ESCOLA

                

"...é a história contemporânea que realmente interessa fixar no programa escolar,pela sua relação de causalidade mais próximas com os problemas sociais do momento,a que o educando tem que fazer face."
 Murilo Mendes,1935


Ao refletir sobre o atual ensino de história em nossas escolas,além da preocupação com a real aprendizagem dos alunos sobre os eventos históricos relevantes,várias considerações nos causam inquietações,como a intencionalidade da formação histórica que ensinamos e a compreensão da criança sobre o tempo.
Já em minha época de estudante em idade escolar,a disciplina história nas escolas, era permeada pelos enormes textos cheios de nomes e datas,onde se decorava fatos sem associá-los a sua importância histórica.Além de se ter uma versão única sobre os acontecimentos,experimentava-se informações que não resultavam em conhecimento,sempre desvinculado da vida cotidiana,a desmotivação em aprender era fato.
A história como disciplina escolar teve uma trajetória de forte luta contra a dominação política e religiosa e uma constante busca pela sua valorização e intencionalidade social.
No século XIX,nascia a história na escola,imbricada nos movimentos de laicização da sociedade e da constituição das nações modernas,com o ensino baseado na formação das grandes civilizações.
No Brasil,após a Independência,os estudos históricos entravam no currículo escolar,trazendo a história da Europa Ocidental,com biografias de homens ilustres,suas datas e batalhas.A educação Moral e Cívica,que surgiu com o projeto de reformulação da educação pública(1892)trazia a biografia de brasileiros célebres,do Brasil Colônia e Proclamação da República.Nesta época,a história servia para formar cidadãos patriotas,democráticos,sem preconceito,vivendo em uma sociedade harmoniosa,mascarando as desigualdades sociais,a dominação oligárquica e a ausência da democracia social.
Este cenário no ensino de história só teve avanço,após a o movimento militar de 64,onde se começa a buscar a identidade das diferenças,a pesquisa direcionada as realidades sociais,o estudo da história local e regional e a introdução dos Estudos Sociais.
Com o passar do tempo,se repensa o ensino da história nas escolas e,atualmente,as perspectivas estão vinculadas a se viabilizar outras concepções de história,comprometidas com a libertação e emancipação do homem,compreendendo o papel da história na compreensão de sí,dos outros e do lugar que ocupamos na sociedade,entendendo os deveres históricos que temos como parte da sociedade atual.
É preciso motivar os estudantes a pensarem historicamente,a refletir os fatos históricos com base na situação histórica atual,considerando suas diversas fontes,começando pela historicidade dos próprios estudantes.

      PARA ENSINAR HISTÓRIA É BOM CONSIDERAR QUE...

  • Se deve aceitar que o saber escolar está vinculado ao poder(partido,igreja,estado)mas que estes definem os objetivos e conteúdos.
  • O ensino de história é temático e sem hierarquia de assuntos.
  • O conteúdo não pode ser ensinado de forma isolada.
  • O ponto de partida do currículo é resultante da interação aluno/professor,do meio social.
  • É fundamental resgatar a historicidade dos próprios alunos.
  • Professor e aluno são agentes da construção social,da memória social.
  • Viabilizar o uso de fontes variadas e múltiplas,provocando discursos múltiplos sobre temas específicos.


  

Referências:

NADAI, Elza. O ensino de história no Brasil: trajetória e perspectiva. Revista Brasileira de História. São Paulo, v.13, n.25/26, p.143-162, set.92/ago.93.

MENDES,Murilo.A História no Curso Secundário.São Paulo,Gráfica Paulista,1935,p.41. 




terça-feira, 1 de novembro de 2016

                          CARTOGRAFIA NA ESCOLA 


 

Cartografia é a ciência que instrumentaliza os sujeitos a lerem o mundo de forma mais complexa,pois oportuniza,em parte,a interação significativa com os símbolos que dele fazem parte.

Estou a um bom tempo atuando em sala de aula,nas turmas de anos iniciais e educação infantil,e por mais que eu tenha trabalhado com mapas,endereços,localização e noção de espaço,não havia ainda feito uma reflexão mais profunda com respeito a compreensão real das crianças em relação ao espaço que ocupam,ou seja o espaço que as rodeiam.
Piaget,através dos seus estudos sobre a Epistemologia Genética,coloca que a criança é capaz de compreender o seu espaço de acordo com o seu desenvolvimento cognitivo.   
No texto Geografia e Cartografia Escolar no Ensino Básico:Uma Relação Complexa:Percursos e Possibilidades,de Antonio Carlos Castrogiovani e Roselana Zordan Costella,relatam a realização de uma pesquisa sobre o conhecimento cartográfico dos estudantes,isto é,o quando nossos alunos realmente conhecem sobre o espaço em que estão inseridos,e nos provoca,como educadores, a repensar o ensino da geografia em nossas escolas,a necessidade de um letramento cartográfico,ou seja,saber situar-se,reconhecer e identificar o espaço que o cerca.
"A geografia lê o mundo por meio da paisagem,a cartografia é a linguagem que a representa"(Moreira,2012)
Na educação infantil percebo uma grande dificuldade dos alunos de se localizarem até mesmo dentro da escola.Os alunos dos anos iniciais,muitas vezes desafiados a fazerem mapas de suas cidades,estado ou país,não conhecem bem a rua onde moram,não conseguem destacar pontos de referência para chegar a sua casa ou não reconhecem as noções de distância de um lugar a outro.
É necessário promover em sala de aula situações ricas de aprendizagem cartográfica,partindo do espaço próximo e simples,como a rua onde mora,até aqueles espaços mais amplos,complexos que os alunos veem nos mapas.
Através da observação,dos jogos ,das dinâmicas de exploração espacial e atividades que estimulem as noções espaciais básicas,é possível fazer da cartografia uma ferramenta indispensável no ensino da geografia,mediando a construção do conhecimento cartográfico que possibilitará  a compreensão do espaço  nas aprendizagens futuras,mais complexas.


NOÇÕES ESPACIAIS A SEREM DESENVOLVIDAS NA ESCOLA:
  • Memória espacial
  • Lateralidade
  • Percepção de imagens em diversos pontos de vista
  • Relações de distância
  • Interlocução de quadros paisagísticos
  • Ordenamento de pontos de referência
  • Uso de escala matemática
  • Construção de mapas,plantas baixas e maquetes


RELAÇÕES ESPACIAIS  DESENVOLVIDAS NA FORMAÇÃO CARTOGRÁFICA:    

  • Relações topológicas:Noções de vizinhança e continuidade.
  • Relações projetivas:Ter referência de projeção,podendo mudar conforme o ponto de vista.
  • Relações euclidianas:Consegue distinguir o que está perto ou longe com segurança,a partir da distância percorrida,tendo um ponto de referência fixo.
       

REFERÊNCIA:
CASTROGIOVANNI, Antonio; COSTELLA, Roselane. Geografia e a cartografia escolar no ensino básico: uma relação complexa - percursos e possibilidades. In: SEBASTIÁ, Rafael; TONDA, Emilia. La investigación e innovación en la enseñanza de la Geografía. Alicante: UNE, 2016, p.15-26.

  
  

domingo, 9 de outubro de 2016

                                      DEMOCRACIA?

Débora,5 anos e Samuel, 7 anos...meus filhos!!!

No final de semana passado,tivemos as Eleições Municipais.E neste dia,além de votar,vivenciei uma  reflexão bem interessante sobre o pensamento infantil com relação a política.O que me remete diretamente a pensar, sobre as discussões realizadas na interdisciplina Representação do Mundo pelos Estudos Sociais.
Tudo começou quando resolví levar meus filhos,Débora e Samuel comigo no colégio em que eu iria votar.Eles já haviam assistido algumas vezes a Propaganda Eleitoral Gratuíta,claro,sem intenção,ao brincarem pela sala.Também riam ao ver os comentários meus e de meu esposo sobre o assunto,mas sem se pronuciarem.
Ao sairmos de casa para o pleito,começaram os questionamentos:Mãe,onde vamos?O que é votar?Quem são esses homens nas fotinhos das calçadas?Por que tu é obrigada a ir?O que acontece depois que a gente vota?Por que eu e a mana não podemos apertar o botão da máquina?
Decididamente,eu não estava preocupada em dar essas explicações a eles e na verdade, nem preparada.
Mas,o mais interessante de tudo,é que ,por mais que a gente pense que não,as crianças também apresentam curiosidade em política,aliás,apresentam curiosidade em tudo o que se manifesta de maneira significativa em seu cotidiano.Eleições,musiquinhas e propagandas eleitorais chamam a atenção,mas qual a idade certa para se aprender sobre política e até que ponto as crianças devem compreende-la?
O fato é,que procurei com palavras mais acessíveis,assim como faço com os alunos,explicar como funcionavam as coisas.Até que pronunciei a palavra DEMOCRACIA.Foi o auge do assunto,e pra minha surpresa,eles entenderam muito bem,na maneira deles,e até deram exemplos,como:"Que nem quando agente faz uma votação pra escolher o dvd que vamos assistir na minha escola...a gente levanta a mão e o filme que tiver mais mãos ganha...daí a gente tem que assistir o que a maioria quer..."(Samuel).
É claro,que ao longo da minha caminhada na escola,sempre tive que ensinar estudos sociais,mas a partir do momento em que procuramos refletir sobre o que estamos fazendo e as intencionalidades de nossa atuação,sempre há mudança.Iniciamos a interdisciplina de Estudos Sociais,ainda temos muitas reflexões a fazer,mas o simples fato de sermos provocadas sobre o tema já produz o desejo de saber mais,de repensar o fazer em sala de aula,e principalmente,observar os estudantes,que cada vez mais desejam ser protagonistas de suas aprendizagens e serem atuantes na sociedade em que estão inseridos.Cabe a escola este papel provocador e motivador na formação social de nossos alunos.   


Significado de Democracia

s.f.Governo em que o poder é exercido pelo povo.Sistema governamental e político em que os dirigentes são escolhidos através de eleições populares: o Brasil é uma democracia.Regime que se baseia na ideia de liberdade e de soberania popular; regime em que não existem desigualdades e/ou privilégios de classes.Nação ou país cujos preceitos se baseiam no sistema democrático.FONTE:DICIO,Dicionário On Line.





sábado, 1 de outubro de 2016

             Pensando sobre o  Tempo e o Espaço

  

Marcas da vida
Desde a idade dos seis anos
eu tinha a mania de desenhar objetos.
Por volta dos 50  anos havia publicado
uma infinidade de desenhos
Aos 70 compreendi mais ou menos
a verdadeira natureza:
as plantas, as árvores, os pássaros,
os peixes, os insetos.
Em consequência, aos 80 terei feito
ainda mais progresso.
Aos 90 anos terei penetrado no
mistério das coisas;
Aos 100 anos decididamente chegarei
ao grau de maravilhamento e...
Quando eu tiver 110 anos, para mim,
seja um ponto ou linha, tudo será vivo
Katshuhiko  Hokukai
Séc. XVIII            


Ao iniciarmos a interdisciplina Representação do Mundo pelos Estudos Sociais,já principiamos,pelo menos eu,uma série de reflexões em relação ao ensino desta temática em sala de aula.Acredito que o poema acima,Marcas da Vida,já nos leva a pensarmos sobre a maneira em que nós lidamos com o tempo e com o espaço em que estamos inseridos.Aqui,o relato de um famoso desenhista chinês,que já em uma fase avançada de sua vida,relata sua trajetória de maneira muito positiva e ainda lança ideias muito otimistas ou até mesmo,utópicas para seu futuro,é um exemplo de alguém que tem essa capacidade de apropriar-se e situar-se em seu tempo e seu espaço.
Daí nos vem a reflexão de que,enquanto educadores,temos que ter a certeza do tempo em que estamos vivendo e em que espaço social,cultural e educacional nos relacionamos.Também é importante valorizarmos o passado,as vivências,as bagagens que nos forma enquanto profissionais,para assim,ser possível mediar as aprendizagens de nossos estudantes com respeito a história,a geografia,as ideias sociais,filosóficas e políticas   e todas as especificidades que entornam esses conhecimentos.
Inicio estes estudos com muita motivação,por compreender a relevância do ensino dos estudos sociais aos estudantes,mas ao mesmo tempo,com muitas inquietações,pois mesmo atuando em sala de aula e protagonizando situações de aprendizagem de estudos sociais,seja sobre fatos históricos,conteúdos geográficos ou as datas comemorativas,sempre me preocupo sobre como os estudantes se situam dentro do tempo e do espaço,o que realmente é necessário que aprendam na disciplina de estudos sociais ou que valores e ideias políticas,sociais e culturais devem ser trabalhadas com os pequenos estudantes que estamos formando.
Enfim,me proponho a repensar minha atuação em sala de aula e aprimorar meus conhecimentos na condução destes estudos tão importantes para a formação de nossos estudantes.