quinta-feira, 31 de maio de 2018

 


Para Vygotsky(1896-1934),o desenvolvimento do indivíduo se dá pelo seu processo sócio-histórico.Seus estudos dão grande enfase a linguagem na construção da inteligencia humano,que acontece,segundo ele,pela interação do sujeito com o meio em que está inserido.
O caráter histórico social dos processos psicológicos superiores é fundamento necessário e específico aos seres humanos.
O desenvolvimento cognitivo se dá pelo processo  de internalização da interação social com materiais fornecidos pela cultura.Por meio da interação social,o sujeito entrará em contato com elementos mediadores e também fará uso deles,surgindo assim os processos mentais.,ou funções psicológicas superiores(percepção,memória,pensamento,atenção,desenvolvimento na relação com o meio sociocultural,sendo esta relação mediada por signos).
O signos são os objetos de aprendizagem,ou seja,significante mais o seu significado,sendo um conjunto de signos,um sistema de aprendizagem,de origem social,compartilhados pela sociedade.

INTERNALIZAÇÃO:
Mecanismo que intervém no desenvolvimento das funções psicológicas complexas.É a reconstrução interna de uma operação externa e tem como base a linguagem.O plano interno,para Vygotsky,não preexiste,mas é constituído pelo processo de internalização,fundado nas ações,nas interações sociais e na linguagem.

MEDIAÇÃO:
É o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação:a relação deixa de ser direta e passa a ser mediada por esse elemento.

LINGUAGEM:
No processo de aquisição cultural,o papel mediador da linguagem é fundamental.A linguagem tem papel importante na formação do pensamento,compreendida na relação de síntese entre organismo e ambiente.A formação do pensamento e o desenvolvimento intelectual se dão de fora para dentro,num processo de internalização,não ocorrendo de forma passiva a recepção do conhecimento pelo sujeito.

APRENDIZAGEM:
A mediação dos signos e dos instrumentos é o que na teoria de Vygotsky propiciará a aprendizagem.A aprendizagem é produto da ação dos adultos que fazem a mediação no processo de aprendizagem das crianças.

ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL(ZDP):
"...A distância entre o nível de desenvolvimento real que se costuma determinar através da solução independente de problemas,e o nível de desenvolvimento potencial,determinado através da solução de problemas sob orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros capazes"
                                                                                                         (Vygotsky,1984,p.97)







            PIAGET E A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM



Sobre as origens da linguagem e do pensamento não é falsa a alternativa do determinismo social ou do determinismo biológico. Para Piaget, em suas pesquisas de 1920, as conquistas conceituais realizadas pela criança são explicadas por ele em função da socialização linguística e de interações sociais. Já em 1930,em razão da descoberta das estruturas de conhecimento pré-verbais, assim como de novos mecanismos internos de formação(assimilação, coordenação de esquemas e etc), a explicação das origens da linguagem e do pensamento é buscada na interiorização do esquematismo sensório-motor, portanto, na atividade construtiva do sujeito.
O egocentrismo infantil, a objetividade e a construção de seu pensamento lógico estão estreitamente ligadas a linguagem socializada. A linguagem socializada é a linguagem cujos termos e conceitos são compartilhados por todos os membros de um grupo, o qual possui uma estrutura lógica. Segundo Piaget, a criança passa por um processo de características do seu pensamento egocêntrico, passando do pensamento egocêntrico ao pensamento lógico e da linguagem egocêntrica a linguagem lógica ou socializada.
Os fatores sociais e culturais são aqueles que promovem o desenvolvimento do pensamento.
A sucessão evolutiva do pensamento autístico individual, incomunicável) para o pensamento dirigido (socializado, orientado pela adaptação progressiva dos indivíduos uns com os outros).
O progresso é atribuído a ação do meio social e da linguagem.

“Basicamente, o desenvolvimento da fala interior depende de fatores externos, o desenvolvimento da lógica na criança, como os estudos de Piaget demonstram, é uma função direta de sua fala socializada. O crescimento intelectual da criança depende de seu domínio dos meios sociais do pensamento, isto é, da linguagem” (Vygotsky,1991,p.44)

Em toda a adaptação causal há um esforço de adaptação ao mundo exterior, um esforço de objetivação e de despersonalização do pensamento. A aquisição da linguagem e a interação social estariam explicando a evolução do pensamento e da linguagem.
A linguagem enquanto sistema de signos, implica significantes (gestos ou palavras articuladas) que se reportam a objetos mediados por conceitos ou pré-conceitos, os quais se apoiam, sobretudo, as fases iniciais, nas imagens mentais. A linguagem está ligada a constituição da capacidade humana de representar, isto é, de diferenciar significantes e significados, e por isso ao exercício da função simbólica. Piaget (1945),mostra que os primeiros esquemas verbais da criança refletem o uso da linguagem,  a qual se reporta a objetos anteriores assimilados em função dos esquemas sensórios-motores em via de interiorização ou de conceitualização.
A evolução da ação do indivíduo depende da evolução das relações  nas quais este se encontra inserido. Socializar significa compartilhar noções e signos com uma comunidade de falantes e ao mesmo tempo distingui-los das próprias idiossincrasias e dos pontos de vista particulares. Para Piaget, a tese maior para explicar a evolução do comportamento humano, incluídas a inteligência e a linguagem, é da continuidade com reconstrução das estruturas anteriormente adquiridas, isso não significa o abandono da necessária ação das relações sociais na formação do pensamento conceitual, permanece a explicação do pensamento em função das interações sociais.



PIAGET, J.A Formação do Símbolo na Criança: imitação, jogo e sonho, imagem e representação. Rio de Janeiro:Guanabara,Koogan.1978
PIAGET, J. O Pensamento e a Linguagem na Criança. São Paulo: Martins Fontes.1999
VYGOTSKY. L. S . Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes.1991         



terça-feira, 22 de maio de 2018

              COMÊNIO: O PAI DA DIDÁTICA


 

"A proa e a popa de nossa didática será investigar e  descobrir o método seguro o qual os professores ensinam menos e os estudantes aprendem mais,nas escolas,haja menos barulho,menos enfado,menos trabalho inútil,e,ao contrário,haja mais recolhimento,mais atrativo e mais sólido progresso;Na cristandade,haja menos trevas,menos confusão,menos dissídios,e mais luz,mais ordem,mais paz e mais tranquilidade"
Didática Magna de Comênio,1657



Comênio foi considerado o pai da didática por pensar a educação de uma forma ampla e voltada a aprendizagem real,muito a frente dos educadores de seu tempo.A Didática Magna era um conjunto de reflexões e sugestões desde os objetivos gerais da educação(preparar para a vida eterna)até aspectos concretos do cotidiano escolar como comportamento do professor em relação aos seus alunos.A pedagogia comeniana tinha quatro fortes pilares:
-A consideração ao aluno:Respeitar a capacidade de compreensão do aluno,não sobrecarregar,progredir do fácil para o difícil,cuidar da motivação,preocupando-se com a integração e ludicidade.
-Ensino igual para todos.
-Realismo no ensino:experimentação e observação.
-Relação professor x aluno:a importância da afetividade.
A Didática comeniana foi uma expressão pedagógica de transição da Idade Média para a Idade Moderna,na essência constitutiva de sua arte de ensinar tem príncipios de um periodo e de outro.
A concepção do homem para Comênio baseava-se na ideia de um ser criado a imagem e semelhança de Deus e dependente dele,mas igualmente como ser que busca construir a sí mesmo,pelo seu trabalho,sem dependência direta de Deus.
Princípios didáticos:Conservador e Renovador.Por um lado,exposição docente do conteúdo,passividade dos alunos e por outro lado,como nova forma de ensino,traz a imitação da natureza,observação,experimentação,processos de artes mecânicas,métodos da nova forma de trabalho e das ciências,pensamento pedagógico progressivo.




COMÉNIO, João Amós. Didácta Magna: tratado da arte de ensinar tudo a todos. 4. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1996. 525 p.

 SEMINÁRIO INTEGRADOR VII:

                                  QUE ESCOLA É ESSA??

Em uma reunião de professores juntamente com a equipe diretiva para discutir as dificuldades dos alunos que se manifesta nos índices oficiais de avaliação. No decorrer da reunião os professores se manifestam.

Professora Orquídea: “Estou frustrada, tenho perdido meus finais de semana preparando excelentes aulas. Na sala de aula faço boas exposições dos conteúdos e quando passo os exercícios os alunos não conseguem acertar nada, mesmo depois de ter repetido várias vezes a explicação.Acho que estes alunos de hoje não querem estudar,não dão a menor atenção para o que eu falo e só conversam.”
A fala desta educadora,comprometida com a educação de seus alunos,mas frustrada pelo não sucesso de seus processos de aprendizagem,nos remete a uma concepção empirista da educação.O professor tradicional acredita que ele,e somente ele, podem transmitir o conhecimento.Utiliza aulas expositivas,com o uso da linguagem diretiva como instrumento de aprendizagem,exercícios de repetição e compreende que o erro do aluno significa a sua não aprendizagem.A visão não construtivista do conhecimento valorizam a transmissão,sendo,por isso mesmo,a linguagem seu instrumento mais aprimoroso.Além de ser formalizada,isto é,o aluno deve responder exatamente aquilo que o professor quer ouvir,trabalha por paradigmas,numa visão ontológica das aprendizagens.”Em uma visão não construtivista a resposta e a mensagem do professor é o que interessa.Em uma visão construtivista é a pergunta ou situação problema que desencadeia as crianças”(MACEDO,1992).Antes, a criança era vista como um adulto em miniatura e a educação era transmitida dos mais velhos para os mais novos, por isso a ênfase na transmissão, na cópia e na linguagem.As repreensões de silêncio e o autoritarismo são a essência de uma sala de aula tradicional.Neste modelo,o professor é o centro de todo o processo pedagógico e o aluno,tabula rasa,incapaz de aprender por si só,é o depósito de seus conteúdos.

Professora Margarida: ”Eu também trabalhava assim, mas agora tenho trabalhado com desafios. Acho que os alunos aprendem mais. Eles resolvem individualmente e depois discutem com os colegas de grupo. Enquanto eles trabalham eu converso com eles, esclareço dúvidas e coloco os questionamentos. Como fechamento, discutimos as soluções que os grupos deram para os desafios”
A postura da professora Margarida,ao contrário da professora orquídea,nos revala uma concepção construtivista de educação, primeiro porque busca refletir sua prática docente e mudar buscando estratégias para melhoria de sua prática docente.”Educar exige reflexão crítica sobre a prática”(FREIRE,1996).
Ela sabe que a presença do professor como mediador, provocador e motivador dos processos de aprendizagem tem enorme importância,mas não esgota-se nele mesmo,prolonga-se no aluno.O aluno só construirá um conhecimento novo se ele agir e problematizar a própria ação e de seus mecanismos.O professor construtivista crê na aprendizagem através da interação com os outros e com o meio.Ele deve dominar muito bem os conhecimentos para discutir,gerar hipóteses e indagações,sistematizando todo o processo.

Professora Rosa: ”Eu também acho que o professor precisa escutar os seus alunos, saber quais são as dificuldades, quais são os interesses.Eles definem o que vai ser trabalhado em aula,eu nem me meto.Pode parecer bagunça,mas as crianças precisam de um ambiente que permita a expressão de sua criatividade”
A fala da professora Rosa nos leva a refletir sobre as concepções da escola democrática e seus desdobramentos. O professor está presente, porém responde dúvidas ou faz questionamentos quando consultado. Ele age como um mediador dos processos de aprendizagem de seus alunos,que são totalmente participativos na elaboração dos planos de aula e no desenvolvimento de seus processos de conhecimento.A escola democrática tem os alunos como atores centrais do sistema educacional,dessa forma,aprendem a ter iniciativa e em grupos de trabalho,exercitam a formação da cidadania.”A partir do diálogo enfatiza-se a reflexão,a investigação,a crítica,a análise,a interpretação e a reorganização do conhecimento”(FREIRE,1991).

Professor Cravo: ”Tem uma grande diferença do planejamento que utilizo na escola particular que eu trabalho. Os alunos daqui não tem condições de acompanhar! Se eu der tudo isso que trabalho lá,acabo reprovando a maioria.Daí tu já viu NE. Incomodação na certa!
Este professor não se vê como o modificador do ambiente de aprendizagem, nem como o transmissor de seu conhecimento. Baseia o seu trabalho na capacidade de seus alunos, centrando neles o processo educativo.Esta concepção denominada de apriorismo acredita que o aluno sabe ou não sabe e isso depende muitas vezes do meio social em que está inserido ou de sua condição biológica.”A maturação biológica é condição necessária ao desenvolvimento ,mas de modo algum suficiente”(PIAGET,1959,P.55).O aluno pelas suas ações prévias,determinam a ação- ou omissão- do professor.

Diretor Antúrio: Mas eu estou preocupado com o aumento da indisciplina na nossa escola. Na semana passada fui nas aulas de alguns professores-não vou citar nomes-e encontrei a maior bagunça.O professor precisa ter o controle da turma,ele fala e os alunos atendem.A escola sempre existiu para mostrar para as novas gerações o que se espera dela:dominar os conteúdos e ser disciplinado.Quem não concorda com isso deve procurar outra escola.
Infelizmente a gestão desta escola está longe de uma gestão democrática e participativa. O diretor demonstra em sua fala uma gestão ditadora e repressiva,bem diferente da organização de uma escola democrática que delibera em parceria com os seguimentos escolares e com colegiados.Essa fala nos remete ao passado trazido pelo texto Maquinaria Escolar,onde a educação acontece pela dominação repressiva das classes,onde a escola prepara não para o conhecimento,mas para a regulamentação e organização social,enclausurando e não permitindo o avanço cognitivo,pelo contrário,promovendo a dominação das classes.





BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). Disponível em: . Acesso em: 10 abr. 2018.
TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318. v. 4. 2011. Disponível em: . Acesso em: 10 abr. 2018.
 MACEDO, Lino de. O Construtivismo e sua função educacional. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.25-31, 01 jun. 1993. 18(1). Disponível em: . Acesso em: 10 abr. 2018.
VARELA, Julia et al. A Maquinaria Escolar. Teoria & Educação, São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992. Disponível em: . Acesso em: 10 abr. 2018.

              ESCOLAS MAIS QUE DEMOCRÁTICAS...


     "A pedagogia libertária espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos,num sentido libertário e autogestionário" (LUCKESI,1994)

 


A pedagogia libertária caracteriza-se por abandonar a questão pedagógica diante de uma perspectiva baseada na liberdade e igualdade,eliminando as relações autoritárias presentes no modelo educacional atual.A ideia básica é introduzir modificações institucionais,a partir dos níveis subalternos que,em seguida vão "contaminando" todo o sistema.
A primeira experiência de Escola Democrática dentro deste conceito libertário,foi a Escola Sumerhill,fundada em 1921 pelo escocês Alexander Sutherland Neil na Inglaterra.No Brasil temos a Escola Amorim Lima e a Escola Presidente Campos Sales,ambas em São Paulo.
Mas a maior referência mundial é a Escola da Ponte,situada em Portugal,pelo educador José Pacheco.A Escola da Ponte defende que é indispensável alterar as práticas educacionais das escolas de maneira de maneira que haja muito mais contato humano fraternal,trabalhando sempre a autonomia de alunos e professores,estimulando o desenvolvimento da cidadania,da liberdade responsável e a solidariedade.Seu idealizador,o professor José Pacheco relata que é um equívoco a ideia de que se poderá construir uma sociedade de indivíduos personalizados,participantes e democráticos,enquanto a escolaridade for concebida como um mero adestramento cognitivo.

CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO DESENVOLVIDO NESTAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO:
-Democracia participativa:direitos de participação iguais para estudantes,professores e funcionários.Dewey defendia a democracia não só no campo institucional,mas também no interior das escolas.
-Alunos escolhem o que querem fazer com seu tempo.Não existe uma obrigatoriedade de frequentar as aulas,os alunos são livres para escolher as atividades que desejam realizar,aprendendo desta forma a ter iniciativa.São responsáveis pela formação e cumprimento das regras a serem seguidas para o bom funcionamento da Escola,são incentivados a buscar o conhecimento a partir de seu interesse,iniciativa e ritmo.
-Não existem cobranças ou atitudes autoritárias.
-Conteúdos próximos ao nivel cognitivo dos estudantes.
-Grupos não determinados pela faixa etária.
-O professor está presente para esclarecimento de dúvidas e orientações,sempre que for consultado.
-Regime livre-educação:Adquire a responsabilidade de seguir o cronograma que ele mesmo se impôs a fazer,desenvolvendo a autonomia e controle pessoal,concientizando-se dos direitos e deveres(cidadania).
-Avaliação de forma continuada e auto-avaliação.
"A avaliação é inclusiva porque o estudante vai ser ajudado a dar um passo a frente.Essa concepção político-pedagógico é para todos os alunos e por outro lado é um ato dialógico,que implica necessariamente uma negociação entre o professor e o estudante"(LUCKESI,2006).
-Planos de aula(oque pretendem saber e como proceder)
-Relatório de descobertas
-Assembleias de alunos,educadores e comunidade escolar em geral para discussão e resolução de problemas.
"A partir do diálogo enfatiza-se a reflexão,a investigação crítica,a análise,a interpretação e a reorganização do conhecimento"(FREIRE,1991).

Na Escola democrática o professor deixa de ser o transmissor ou autoridade para tornar-se o mediador e o facilitador do descobrimento.Atuam como orientadores e esclarecedores de dúvidas.Existe parceria entre professor e aluno.Alunos devem entender o porquê e para quê estudar.

                                    
REPORTAGEM SOBRE A ESCOLA DA PONTE(Programa Fantástico-Rede Globo)




 TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318. v. 4. 2011. Disponível em: <http://docplayer.com.br/7270548-Escolas-democraticas-utopia-ou-realidade.html>. Acesso em: 10 abr. 2018.

sábado, 14 de abril de 2018

LINGUAGEM E EDUCAÇÃO


                       A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

 

"É NO SIGNIFICADO DA PALAVRA QUE O PENSAMENTO E A FALA SE UNEM EM PENSAMENTO VERBAL.É NO SIGNIFICADO,ENTÃO,QUE PODEMOS ENCONTRAR AS RESPOSTAS ÁS NOSSAS QUESTÕES SOBRE A RELAÇÃO ENTRE O PENSAMENTO E A FALA" (VYGOTSKY,2005)



A LINGUAGEM E O TEMPO:


SÉCULO VII a.c :
O rei Pásmético do Egito ordenou que crianças fossem confinadas desde o nascimento até os dois anos,sem convívio com seres humanos,a fim de observar as manifestações linguísticas produzidas em contexto de privação interativa.Conclui-se que a língua frigia é a mais antiga,ainda mais antiga do que a língua egipcia,pois acreditavam que a manifestações emitidas pelas crianças foram próximas a esta língua.Apenas mais recentemente foram feitos estudos sistemáticos sobre a aquisição da linguagem pela criança.

SÉCULO XIX:
Experimentos diários da fala espontânea de filhos de linguístas e estudiosos.

SÉCULO XX:
Visão behaviorista.Assumindo que a linguagem se dá pela exposição ao meio e em decorrência da imitação e do reforço.Aprende por condicionamento,como qualquer outro animal.

FINAL DA DÉCADA DE 50:
Noam Chomski assume que a linguagem é inata.Por volta de 1970,as obras póstumas e estudos  de Vygostky começam a exercer influência sobre os estudos da aquisição da língua materna.Representou uma alternativa ao construtivismo piagetiano,questionando o inatismo Chomskiano. Explica o desenvolvimento da linguagem e do pensamento como tendo origens sociais externas (SCARPA,2001).


"A universalidade da língua e sua aquisição é a primeira razão para suspeitar que a linguagem não é apenas uma invenção cultural,mas produto de um instinto humano específico"(PINKER,2002)


CONCEPÇÕES SOBRE A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM NA CRIANÇA:

BEHAVIORISMO DE SKINNER:

O aprendizado se dá através de um processo denominado condicionamento operante. Comportamento verbal=sucessão de mecanismos estímulo-resposta-reforço.
Um ponto principal desta concepção é que a criança aprende por imitação,é um receptor passivo da linguagem,desprezando seu papel no processo de aprendizagem. A linguagem é essencialmente uma questão de aprendizagem,no sentido de aquisição pela mente,através de um sistema exterior. A criança não aprende uma língua,ela a desenvolve, e todo o ser humano normal é capaz de desenvolver qualquer língua materna.


INATISMO DE CHOMSKY:

Noam Chomsky é o criador do gerativismo,teoria de qua a linguagem é inata.Alinguagem é vista como uma dotação genética do ser humano. A criança nasce pré-programada para adquirir a linguagem e é capaz,a partir da exposição a fala,construir hipóteses sobre a língua que está inserida. Assim,a linguagem é atrtelada a características inerentes a espécie humana,o que reafirma seu caráter universal,fator biológico e cognitivo.

INTERACIONISMO DE VYGOTSKY:

A abordagem de Vygotsky sempre foi orientada para os processos de desenvolvimento humano com base na dimensão sócio-histórica e na interação do sujeito com o outro no espaço social. Linguagem é um processo pessoal ao mesmo tempo em que é um processo social. A aquisição da linguagem na criança se dá devido a interação que a mesma possui com o ambiente que a rodeia e o convívio com outros da mesma espécie. A linguagem tem um papel essencial na formação do pensamento e do carater do indivíduo.Segundo ele, o pensamento e linguagem tem origens distintas. No início da vida,o pensamento não é verbal,e a fala não é intelectual. Há no desenvolvimento da criança,um periodo pré-linguistico do pensamento e um período pré-intelectual da fala. Ressalta que o momento mais importante da vida da criança acontece quando as curvas do pensamento e da fala se convergem,surgindo o pensamento verbal e a fala racional. A criança é o sujeito de seu processo de aquisição da linguagem,construindo seu conhecimento de mundo com a ajuda do outro.


 
"Pode-se considerar a linguagem como um instrumento complexo que viabiliza a comunicação e a vida em sociedade.Sem ela,o ser humano não é social nem natural" Vygotsky



quarta-feira, 4 de abril de 2018

                                Memórias da Tecnologia

 





Significado de Tecnologia

substantivo femininoCiência que estuda os métodos e a evolução num âmbito industrial: tecnologia da internet.Procedimento ou grupo de métodos que se organiza num domínio específico: tecnologia médica.Teoria ou análise organizada das técnicas, procedimentos, métodos, regras, âmbitos ou campos da ação humana.Etimologia (origem da palavra tecnologia). Do francês technologie; do grego technología.FONTE:https://www.dicio.com.br/tecnologia/ 
Neste eixo sete do Curso de graduação em Pedagogia PEAD/UFRGS estamos tendo a oportunidade rica de nos aprofundarmos de forma explícita em conhecimentos que já estão implicitamente presentes,de forma muito marcante,desde o início do curso.A interdisciplina Educação e Tecnologias da Comunicação e da Informação iniciou uma provocação muito interessante ao propor que relembrássemos nossas memórias tecnológicas,e assim,refletirmos que tecnologia não é apenas o que estamos vendo de mais moderno em termos de telefonia,aplicativos ou computadores,mas sim,instrumentos e métodos,tanto na Escola como em situações do cotidiano,afim de comunicação ou informação.A busca na memória escolar de cada um já gerou uma cômica nostalgia e após ao trazermos essa conversa ao grupo se percebe que,o processo tecnológico de cada pessoa traduz uma época,uma geração e traz á tona a formação de seus conhecimentos. MINHAS LEMBRANÇAS...-ÁBACO              -TV COM FITA CASSETE             -PESQUISA EM BIBLIOTECA-CARTILHA                  -MIMEÓGRAFO             -TRABALHO NA CASA DO COLEGA-AVENTAL             -LANCHEIRA COM TÉRMICA                          -PAPÉIS DE CARTA Depois foram chegando....-XEROX         -RETROPROJETOR       -IMPRESSORA    -COMPUTADOR EM CASA-INICIO DA INTERNET  -WINDOWS 98   -SEDEX  -CELULAR "TIJOLÃO"E agora...-GOOGLE       -REDES SOCIAIS  -AMBIENTES VIRTUAIS   -APLICATIVOS DE CONVERSA-PEN DRIVE    MODLLE    -POWER POINT   -SMARTFONE    -DRONES
 Memórias da Tecnologia na Escola:
As memórias sobre os instrumentos tecnológicos no processo de escolarização das componentes deste grupo são muito parecidas e trazem importantes ícones que marcaram gerações.É o caso da cartilha no processo de alfabetização,dos livros didáticos,folhas mimeografadas,ábacos,saídas de pesquisa a biblioteca,que aos poucos foram sendo trocadas pelas folhas xerocadas,os primeiros contatos com o computador,o datashow e agora,mais recentemente a explosão da tecnologia móvel,das redes sociais,dos aplicativos de comunicação e da instantânea pesquisa Google.
A Intencionalidade Pedagógica destes Instrumentos:
Todos estes instrumentos também trouxeram a representação do também avanço na intencionalidade de seu contexto de uso,pois muitos destes,como a cartilha,por exemplo trazem consigo um modelo pedagógico de alfabetização,baseado na repetição por exemplo.As pesquisas feitas na biblioteca,os trabalhos em grupo e os acessórios de exposição utilizados pelo professor(xerox,datashow,ábaco) também revelam este modelo,que aos poucos foi substituído pela autonomia,acesso a informação e trocas de informações proporcionadas pelo avanço da tecnologia,como nos dias de hoje.
Contexto tecnológico atual e Desafios a serem superados:
Atualmente a tecnologia permite o acesso muito mais rápido e muito mais abrangente a informação,a comunicação é feita de forma muito fácil através dos aplicativos e redes sociais e,principalmente,existe uma infinidade de recursos pedagógicos que permitem ao professor um alcance muito maior em termos de aprendizagem.Mas ainda,a tecnologia não é acessível a todos os estudantes,que tem um acesso muito limitado a estes  recursos.As escolas nem sempre conseguem ter disponível os instrumentos necessários,utilizando ainda os instrumentos básicos,aqueles utilizados no passado.Outro agravante é a existência do desconhecimento digital dos estudantes,que não sabem utilizar os meios digitais ou utilizam de forma errada,tendo a tecnologia como um meio de entretenimento e não como forma de busca de conhecimento.