quarta-feira, 19 de outubro de 2016

          Reflexão sobre a Construção do Pensamento Matemático

O primeiro encontro da interdisciplina Representação do Mundo pela Matemática nos provocou a refletir sobre nossa relação com a matemática,os números e o ensino desta matéria,temida por muitos.Ao conversarmos sobre como foi as nossas experiências na aprendizagem dos números e cálculos quando crianças,nossa dia a dia numérico e as nossas atividades docentes na matemática,surgiram muitas vivências alegres,outras traumáticas,inquietações ,mas muita motivação em buscar ferramentas que nos preparem a proporcionar aos nossos alunos um aprendizado real e mais confiante neste universo.
Lembro com tristeza, a grande dificuldade que tive na minha infância, em compreender o sistema numérico e as operações matemáticas.Aos poucos,procurei ir vencendo e superando dificuldades,hoje meu desafio é ensinar matemática,que confesso me causa um pouco de insegurança.
Quando lecionava nas turmas dos anos iniciais,estava sempre inquieta com a defasagem dos alunos na aprendizagem da tabuada e operações matemáticas diversas.Uma estratégia que usei,foi dar mais atenção a construção do pensamento com uso de materiais concretos e jogos.
Hoje,trabalhando com as turmas de educação infantil,procuro sempre,mesmo nas atividades cotidianas,provocá-los a quantificar,a agrupar,formar pares ,trios e promover atividades que desenvolvam a classificação e seriação de elementos,mas tenho muitas dúvidas ainda em relação ao quanto os pequenos são capazes de compreender ou apropriar-se de tais noções. 
No material,muito esclarecedor,apresentado pelos professores da interdisciplina,foram discutidos conceitos importantes de construção do pensamento matemático,como seriação,classificação,pertinência e inclusão de classes:

 Classificar trata de uma atividade que pode ser considerada como pré-numérica e de valor básico para a compreensão do número...Trata-se de um requisito prévio para que as crianças desenvolvam suas habilidades em formar conjuntos utilizando critérios mais abstratos.

Pensando em desenvolver em meus alunos da educação infantil as noções de seriação e classificação,listei aqui,atividades simples do cotidiano,trabalhando os conceitos de forma mais lúdica,informal...
Com Massinha de Modelar:
Classificação:
-Separar por cores,fazer bolinhas e separar as maiores das menores,fazer salsichas e separar as curtas das compridas,separar as cores claras das cores escuras.
Seriação:
-Oferecer bolinhas de massinha em diferentes tamanhos para que os pequenos as organizem do menor ao maior/maior ao menor.(fazer o mesmo com as salsichas de massinha)
-oferecer pedaços de massinha em duas cores diferentes e pedir que ordenem:azul,vermelha,azul,vermelha,azul...por exemplo.
Com os Blocos Lógicos:
Classificação:
-Com as crianças em grupo pedir que agrupem as peças:só as finas,só as grossas,só as azuis,só as pequenas...
Seriação:
-Organizar em sequência:uma fina,uma grossa,uma fina,uma grossa ou uma amarela,uma azul,uma vermelha e repete a mesma sequência.
Também é interessante o trabalho com histórias e músicas infantis que podem ser transformadas em jogos como:Cachinhos Dourados,O Grande Rabanete,A Casa Sonolenta,Avelha a Fiar e etc.
Tenho utilizado em sala dois jogos bem interessantes para trabalhar esses conceitos,Cilada e Cara a Cara.
 



domingo, 9 de outubro de 2016

                                      DEMOCRACIA?

Débora,5 anos e Samuel, 7 anos...meus filhos!!!

No final de semana passado,tivemos as Eleições Municipais.E neste dia,além de votar,vivenciei uma  reflexão bem interessante sobre o pensamento infantil com relação a política.O que me remete diretamente a pensar, sobre as discussões realizadas na interdisciplina Representação do Mundo pelos Estudos Sociais.
Tudo começou quando resolví levar meus filhos,Débora e Samuel comigo no colégio em que eu iria votar.Eles já haviam assistido algumas vezes a Propaganda Eleitoral Gratuíta,claro,sem intenção,ao brincarem pela sala.Também riam ao ver os comentários meus e de meu esposo sobre o assunto,mas sem se pronuciarem.
Ao sairmos de casa para o pleito,começaram os questionamentos:Mãe,onde vamos?O que é votar?Quem são esses homens nas fotinhos das calçadas?Por que tu é obrigada a ir?O que acontece depois que a gente vota?Por que eu e a mana não podemos apertar o botão da máquina?
Decididamente,eu não estava preocupada em dar essas explicações a eles e na verdade, nem preparada.
Mas,o mais interessante de tudo,é que ,por mais que a gente pense que não,as crianças também apresentam curiosidade em política,aliás,apresentam curiosidade em tudo o que se manifesta de maneira significativa em seu cotidiano.Eleições,musiquinhas e propagandas eleitorais chamam a atenção,mas qual a idade certa para se aprender sobre política e até que ponto as crianças devem compreende-la?
O fato é,que procurei com palavras mais acessíveis,assim como faço com os alunos,explicar como funcionavam as coisas.Até que pronunciei a palavra DEMOCRACIA.Foi o auge do assunto,e pra minha surpresa,eles entenderam muito bem,na maneira deles,e até deram exemplos,como:"Que nem quando agente faz uma votação pra escolher o dvd que vamos assistir na minha escola...a gente levanta a mão e o filme que tiver mais mãos ganha...daí a gente tem que assistir o que a maioria quer..."(Samuel).
É claro,que ao longo da minha caminhada na escola,sempre tive que ensinar estudos sociais,mas a partir do momento em que procuramos refletir sobre o que estamos fazendo e as intencionalidades de nossa atuação,sempre há mudança.Iniciamos a interdisciplina de Estudos Sociais,ainda temos muitas reflexões a fazer,mas o simples fato de sermos provocadas sobre o tema já produz o desejo de saber mais,de repensar o fazer em sala de aula,e principalmente,observar os estudantes,que cada vez mais desejam ser protagonistas de suas aprendizagens e serem atuantes na sociedade em que estão inseridos.Cabe a escola este papel provocador e motivador na formação social de nossos alunos.   


Significado de Democracia

s.f.Governo em que o poder é exercido pelo povo.Sistema governamental e político em que os dirigentes são escolhidos através de eleições populares: o Brasil é uma democracia.Regime que se baseia na ideia de liberdade e de soberania popular; regime em que não existem desigualdades e/ou privilégios de classes.Nação ou país cujos preceitos se baseiam no sistema democrático.FONTE:DICIO,Dicionário On Line.





sábado, 1 de outubro de 2016

             Pensando sobre o  Tempo e o Espaço

  

Marcas da vida
Desde a idade dos seis anos
eu tinha a mania de desenhar objetos.
Por volta dos 50  anos havia publicado
uma infinidade de desenhos
Aos 70 compreendi mais ou menos
a verdadeira natureza:
as plantas, as árvores, os pássaros,
os peixes, os insetos.
Em consequência, aos 80 terei feito
ainda mais progresso.
Aos 90 anos terei penetrado no
mistério das coisas;
Aos 100 anos decididamente chegarei
ao grau de maravilhamento e...
Quando eu tiver 110 anos, para mim,
seja um ponto ou linha, tudo será vivo
Katshuhiko  Hokukai
Séc. XVIII            


Ao iniciarmos a interdisciplina Representação do Mundo pelos Estudos Sociais,já principiamos,pelo menos eu,uma série de reflexões em relação ao ensino desta temática em sala de aula.Acredito que o poema acima,Marcas da Vida,já nos leva a pensarmos sobre a maneira em que nós lidamos com o tempo e com o espaço em que estamos inseridos.Aqui,o relato de um famoso desenhista chinês,que já em uma fase avançada de sua vida,relata sua trajetória de maneira muito positiva e ainda lança ideias muito otimistas ou até mesmo,utópicas para seu futuro,é um exemplo de alguém que tem essa capacidade de apropriar-se e situar-se em seu tempo e seu espaço.
Daí nos vem a reflexão de que,enquanto educadores,temos que ter a certeza do tempo em que estamos vivendo e em que espaço social,cultural e educacional nos relacionamos.Também é importante valorizarmos o passado,as vivências,as bagagens que nos forma enquanto profissionais,para assim,ser possível mediar as aprendizagens de nossos estudantes com respeito a história,a geografia,as ideias sociais,filosóficas e políticas   e todas as especificidades que entornam esses conhecimentos.
Inicio estes estudos com muita motivação,por compreender a relevância do ensino dos estudos sociais aos estudantes,mas ao mesmo tempo,com muitas inquietações,pois mesmo atuando em sala de aula e protagonizando situações de aprendizagem de estudos sociais,seja sobre fatos históricos,conteúdos geográficos ou as datas comemorativas,sempre me preocupo sobre como os estudantes se situam dentro do tempo e do espaço,o que realmente é necessário que aprendam na disciplina de estudos sociais ou que valores e ideias políticas,sociais e culturais devem ser trabalhadas com os pequenos estudantes que estamos formando.
Enfim,me proponho a repensar minha atuação em sala de aula e aprimorar meus conhecimentos na condução destes estudos tão importantes para a formação de nossos estudantes. 

                            

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

                      AS  GAIOLAS E AS ASAS 


 
Nós educadores,temos um papel muito importante na formação de nossos alunos,principalmente nas questões de autonomia,identidade e protagonismo do sujeito em sua própria aprendizagem.Nesta semana,me maravilhei ao ler e a ouvir as sábias palavras de Rubem Alves com respeito a educação e a provocação da inteligência em nossas escolas.O que mais me impactou e me motivou a reflexão, foi os aforismos usados pelo autor para definir a escola em suas intencionalidades docentes,por exemplo,comparando-as com gaiolas ou asas.
Quando diz que as "escolas gaiolas" existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo,nos traz a terrível ideia de um sistema de ensino castrador,que tira o protagonismo do aluno na busca de seu conhecimento,o fazendo decorar,repetir,se enquadrar a um sistema geral e ter um pensamento limitado ao sendo comum.Mas relata em seu texto,que ainda há esperança,pois existem as escolas asas,que amam os pássaros em voo,e assim nos motiva a pensar a escola como um lugar de motivação da busca pelo conhecimento,da construção das aprendizagens,onde se coloca o aluno como o centro e o professor como o mediador,o encorajador e o provocador dos processos de aquisição de saberes.
Acredito que cada vez mais,existe a necessidade de repensar a prática docente diária,de rever os objetivos de uma educação de qualidade e de buscar atuar como um forte incentivador para os estudantes.
Quando atuamos hoje,é preciso pensar em que tipo de ser humano estamos formando ou pelo menos,incentivando a formar-se.Até quando exigiremos apenas as respostas certas ou os trabalhos entregues,sem promover que o aluno trilhe com segurança o caminho do desconhecido até a conquista do conhecimento?
É necessário deixar voar,assim como conhecer de perto cada pássaro e prepará-lo para este voo. 
Chega de pássaros engaiolados,que esperam pelo seu dono porque já não sabem mais voar...Que possamos abolir as gaiolas e encorajar os voos livres de nossos pequeninos pássaros!!!



"Há escolas que são gaiolas.Há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo.Pássaros engaiolados são pássaros sob controle.Engaiolados,seu dono pode levá-los para onde quiser.Pássaros engaiolados tem sempre um dono.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.O que elas amam são pássaros em voo.Existem para dar aos pássaros coragem para voar.Ensinar o voo,isso elas não podem fazer,porque o voo já nasce dentro dos pássaros.O voo não pode ser ensinado.Só pode ser encorajado."
RUBEM ALVES 




Conhecendo um pouco mais deste maravilhoso e muito sábio educador... 
VÍDEO:
Rubem Alves: O Professor de Espantos

 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

             REPENSANDO A AUTORIA NA ESCRITA 

  Cada vez mais,nos processos de aprendizagem que estamos vivenciando em nossa formação acadêmica,a escrita está presente.E agora,na Universidade,diferente de outros espaços educacionais,esta vem com um diferencial:a exigência em que devemos desenvolvê-la e apresentá-la.Ao mesmo tempo,em que a escrita é um desafio,também é um fator de extrema importância para a construção dos saberes  e para o aprimoramento da linguagem escrita.
 Tanto o portfólio de aprendizagem,como as atividades realizadas durante o curso e,principalmente a construção das sínteses reflexivas dos eixos,exigem que nos posicionemos de forma clara,objetiva,com uso de evidências e argumentos palpáveis,onde a autoria esteja presente,apoiada em referenciais teóricos concretos,sempre priorizando as regras usuais da língua portuguesa e as  normas acadêmicas de escrita.
Parece simples,mas pelo menos para mim,ainda soa como um desafio a ser vencido e também um fator motivador a cada escrita.O próprio fato de que se escreve para se comunicar opiniões e ideias próprias,já trazem certo desconforto,e exige coragem.
Mas,como todas as aprendizagens humanas,acredito eu,a escrita é aprendida na ação,então é escrevendo que nos atrevemos a escrever,e não só a grafar corretamente,mas a expor e a lidar com a expressão.


"Tenho medo de escrever.É tão perigoso.Quem tentou,sabe...Escrever é uma pedra lançada no poço fundo"
                                                          Clarice Lispector  
   


COMPARANDO...

CITAÇÃO:o fracasso escolar,vivido por muitas crianças,pode ser pensado então como a emergência,a visibilidade de uma articulação entre um sintoma social e um sujeito.
texto de Maria Cristina Kupfer,no livro Educação para o Futuro:psicanálise e educação,ano de publicação:2000,página da citação:130.



"O fracasso escolar,vivido por muitas crianças,pode ser pensado então,como a emergência,a visibilidade de uma articulação entre um sintoma social e um sujeito"

KUPFER,Maria Cristina.Educação para o Futuro:Psicanálise e Educação.São Paulo.Ed.Escuta,2000.






Sugestão de leitura:A Engenharia do Texto:Um Caminho Ruma á Prática da Boa Redação(Odenildo Sena).



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

                   REFLETINDO O WORKSHOP...

REPENSAR CONCEITOS,REELABORAR  APRENDIZAGENS E APERFEIÇOAR A PRÁTICA!! 

             
O terceiro eixo do curso de graduação em pedagogia PEAD/UFRGS,foi um momento de aprendizagens ricas e de grande valia para minha formação docente.
Diferente dos eixos anteriores,acredito que este ,trouxe a solidez de aprendizagens construídas com mais maturidade,pois passada a euforia do ingresso na Universidade,a adaptação ao curso e as ferramentas digitais e o sentimento de confronto direto das teorias educacionais com as práticas docentes diárias,agora,neste momento,foi possível,sorver as aprendizagens e reflexões conceituais com maior aproveitamento.
A produção da Síntese Reflexiva das Aprendizagens é o relevante momento  de expressar de forma escrita,o processo de construção dos conhecimentos obtidos através do confronto dos conceitos estudados no curso, com os debates entre pares,as muitas reflexões realizadas e a prática diária em sala de aula.O portfólio de aprendizagens é um grande aliado neste processo de escrita,pois registra o percurso destas aprendizagens de forma muito fiel durante o decorrer de cada eixo.
Sem dúvida,o momento do workshop,a expressão oral dos saberes obtidos durante o semestre de estudos, não é um momento de avaliação final,mas um momento de troca de experiências extremamente importante ao final de cada eixo,sintetizando os conceitos mais significativos e trazendo uma importante reflexão sobre a relação teoria e  prática.
A cada workshop, é possível perceber o quanto crescemos profissionalmente e quanto nos superamos pessoalmente,além de trazer a lume,as conquistas do grupo de graduandas de forma geral,nos motivando aos próximos desafios e aquisições em termos de conhecimento. 


O EIXO III EM UMA PALAVRA:


EXPRESSÃO

 

As interdisciplinas do terceiro eixo do PEAD,me fizeram repensar as questões de comunicação e expressão de nossos alunos e nossa relação comunicativa com eles,de que forma nos expressamos a eles,o quanto os permitimos se expressarem e de que maneira a expressão acontece no cotidiano da sala de aula.Quando no Seminário Integrador III,construímos os Projetos de Aprendizagem e ressaltamos a importância da atuação do aluno como perguntador e pesquisador,já repensamos a valorização da expressão.Assim como nós mesmas,na busca das escritas autônomas e acadêmicas estamos buscando novas formas de nos expressarmos.
A música,a literatura e a ludicidade são ricas fontes de comunicação e expressão e ainda,como um grande prêmio deste eixo,conhecemos e passamos a admirar de forma muito importante uma diferente maneira de comunicar e expressar,a Língua Brasileira de Sinais.
Certamente,o semestre acaba deixando fortes reflexões e mudanças de intencionalidades docentes em relação as expressões que acontecem e devem cada vez mais acontecer em nossas escolas.  


"AS ESCOLAS DEVERIAM SE DEDICAR MENOS AO ENSINO DAS RESPOSTAS CERTAS,E MAIS AO ENSINO DAS PERGUNTAS INTELIGENTES"
  RUBEM ALVES
    


  

sexta-feira, 15 de julho de 2016

                  O Perigo de uma Única História...


               "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar."
Nelson Mandela 


Na caminhada docente nunca estamos prontos,sempre estamos refletindo,repensando e nos construindo como educadores. E acredito,que assim como eu,todo os educadores tem o desejo de formar cidadãos assim,que não sejam prontos,mas abertos as novas aprendizagens e possibilidades e que sejam,acima de tudo,críticos.
Digo isto,pois fiquei impactada e fortemente convidada a repensar algumas ideias,após assistir um vídeo proposto pelo curso de pedagogia PEAD/UFRGS,na interdisciplina de LIBRAS.O vídeo intitulado "O Perigo de Uma Única História",traz a realidade de uma escritora,de origem africana,falando de sua trajetória marcada pelo preconceito e julgamento social muito forte com respeito a sua cor,nacionalidade e etc...O verdadeiro "pré´-conceito".
Realmente,temos o cruel defeito de ter uma ideia formada,uma opinião única sobre as coisas e jamais mudarmos essa ideia ou revê-la.
No caso desta interdisciplina,LIBRAS,me ví protagonista desta situação.Sempre achei que ser surdo era uma deficiência trágica,que se deveria fornecer ao surdo os implantes e cirurgias,colocar as crianças surdas em escolas tradicionais para aprender a falar e sabia,também,da existência de uma "linguagem" feita por gestos.Para mim,esta era a única história,era tudo o que eu sabia sobre a surdez.Após estes estudos, compreendí o termo surdo de maneira desvinculada de deficiência,conhecí a importância da Língua Brasileira de Sinais, do ensino bilíngue e  da existência de uma literatura e  cultura surda,assim como a luta da comunidade surda por seus direitos e dignidade.
Não podemos nos contentar com ideias prontas,não pensadas,no senso comum.Temos que conhecer todas as possibilidades de uma situação,refletir,repensar e reelaborar conceitos e pensamentos.
Quando temos alunos difíceis,por exemplo,geralmente o rotulamos e passamos a sustentar uma única história sobre eles,engessando sua identidade.Assim fazemos com aqueles estudantes que tem dificuldades de aprendizagem,que mesmo que aprendam levam a fama de incapazes.Sem falar na antiga ideia de que devemos oferecer as bonecas e panelinhas para as meninas e os carrinhos e jogos de construção aos meninos...a única história denovo!
Nós,enquanto educadores,levamos uma carga muito pesada destes paradigmas.Não podemos ignorar nada,temos que responder a todas as perguntas e ter uma postura impecável...Como professora,devo saber tudo e ter filhos extremamente educados
Assim,os pensamentos são formados em larga escala,de forma igual.
Música clássica deve ser ouvida por pessoas da alta sociedade,samba por negros e funk é coisa de favela...apenas uma única história,passada adiante sem qualquer pensamento.
Eu,pessoalmente,percebo isto,como cristã,sou vista como a fanática ou santinha que não pode fazer nada de errado...e por aí vai.
Realmente,é muito perigoso sabermos uma só informação sobre determinado assunto e pensar de maneira a considerar o livro apenas pela capa,ou ter a mesma opinião que todas as pessoas tem sobre tudo,viver a base do "politicamente correto" e virar as costas para as reflexões nos faz cegos e imóveis em nossas convicções e atitudes.
Tem uma frase que ouví há algum tempo e que me marcou muito,dizia que nascemos com uma só boca e dois ouvidos,para falar menos e ouvir mais,e que ainda,o ouvido tem o formato de um ponto de interrogação(?),para questionarmos aquilo que ouvimos...
Conheçamos,repensamos e reflitamos sobre tudo o que está a nossa volta,sendo educadores motivadores e mortificadores das cruéis histórias únicas.