domingo, 17 de fevereiro de 2019

                     MÚSICA,POESIA E LITERATURA



História Infantil:A Casa Sonolenta


Fábula:O Patinho Feio


O Sapo não Lava o Pé





O Curso de Graduação em Pedagogia PEAD,trouxe nos seus primeiros eixos,na interdisciplina de Literatura Infanto Juvenil e no Seminário Integrador III,uma importante reflexão com relação a cultura escrita na aprendizagem.As histórias infantis,os versos e as poesias,finte de imaginação e alegria,permitem a criança vivenciar a fantasia,aprimorar a linguagem e o seu desenvolvimento cognitivo de forma geral.Estas questões que novamente me levaram a refletir e reconstruir muito de minha atuação docente nas turmas de Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental,vieram agora,neste precioso momento final de minha formação acadêmica,sustentar o planejamento interdisciplinar da turma de atuação de Estágio Curricular Obrigatório,apoiando o trabalho docente de forma eficaz e promovendo momentos de interação,ludicidade e aprendizagens para as crianças e para mim,no momento professora estagiária.

No projeto Maternal II Cantando e Contando, as crianças tiveram a oportunidade de participar de atividades de musicalização, contação de histórias e fábulas, cantigas de roda, dinâmicas de integração,  convivência e construção da identidade cultural. Este trabalho teve como objetivo aguçar a imaginação e criatividade das crianças, estimulando sua atenção, observação e o imaginário infantil, buscando em todos estes momentos a integração e socialização deste grupo, construindo valores e regras de convivência social.

Na Educação Infantil, é importante promover experiências nas quais as crianças possam falar e ouvir, potencializando sua participação na cultura oral, pois é na escuta de histórias, na participação em conversas, nas descrições, nas narrativas elaboradas individualmente ou em grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens que a criança se constitui ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social.(BNCC,Brasil,2009)

A contação de histórias infantis com diferentes recursos,as rodas cantadas,os versinhos e poesias contribuiram ricamente pata o desenvolvimento cognitivo e motor destes sujeitos.Ressalto ainda,que por meio desta proposta de valorização e inserção da cultura escrita no cotidiano da Educação Infantil,percebi o aprimoramento da ludicidade que promoveu o desenvolvimento da linguagem e das relações interpessoais deste grupo.

Ruben Alves (1983, p. 104): (...) arte e brinquedo têm isto em comum, não são meios para fins mais importantes, mas puros horizontes utópicos em que se inspira toda a canseira do trabalho, suspiro da criatura oprimida que desejaria ser transformada em brinquedo e em beleza

É emergente que a literatura infantil,assim como os ícones culturais relevantes dentro deste cenário infantil estejam presentes no cotidiano das escolas e planejamentos docentes.Relato por vivenciar com os alunos ricos momentos de aprendizagens significativas.


Cantiga:Lá vem o Pato



Culinária:Batatinha quando Nasce



ALVES, Rubem. A escola fragmento do futuro. Fórum de Educação do Estado de São Paulo, 1983.


BRASIL. Ministério da Educação. CNE/CEB. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília, 1999.







                ANTES, AGORA E SEMPRE: REFLETIR





"Professor,descobre o sentido da tua profissão e descobre-te a ti mesmo como professor para ajudares aos teus alunos a descobrirem a língua que aprende e a descobrirem-se a sí próprios como alunos"
"Acho que vais gostar da tua descoberta.Mas,se não gostares,tem a coragem de abandonar a tua profissão antes que ela se torne para ti um fardo demasiado difícil de suportar"

Izabel Alarcão  


Me lembro com clareza dos primeiros conhecimentos impactantes que o PEAD me trouxe,conhecimentos estes que vinham como provocações a um pensar que provocava mudanças de atitudes e de postura docente,em pleno curso profissional.Ainda nos primeiros eixos do Curso de Graduação em Pedagogia,a interdisciplina do Seminário Integrador nos ofereceu um novo olhar sobre a reflexão docente e sua relevância,através da obra de Izabel Alarcão.
A citação logo acima,me causou um impacto forte,pois a caminhada de alguns anos na docência,me faziam concordar fortemente com ela e,ainda,modificar o meu fazer docente no sentido de perceber que o professor tem a responsabilidade de refletir sua prática,de saber que,se escolheu atuar como professor deve estar ciente de seus desafios,e buscar sempre qualificar o seu trabalho,tendo em vista que a constaste reflexão sobre sua prática é o primeiro passo para qualificar sua atuação.

A docência exige comprometimento e essas dificuldades devem ser de estímulos para se exercer da forma mais plena possível a função docente, pois esta função implica envolvimento total e luta por justiça social que pode começar pela busca de melhores condições de trabalho, tentando minimizar esses problemas contidos numa profissão de relevância extrema ao desenvolvimento de qualquer país (CARDOSO, 2002, p. 4).

Agora,ao findar minha graduação,em momentos de intensa importância como o Estágio Curricular Obrigatório e a escrita do Trabalho de Conclusão de Curso,torna-se praticamente impossível não refletir a prática docente.
A elaboração do projeto de estágio e toda a atuação neste período,assim como os registros e relatos realizados sobre as aulas,aprendizagens e intervenções permitem que se reflita,vivenciando momentos de sucesso e enfrentando as dificuldades que surgem,exatamente pelas reflexões realizadas sobre a atuação em conjunto ou comparação com os referenciais teóricos e conhecimentos trazidos pelo curso.
Os encontros,conversas e orientações da professora orientadora de estágio permitem momentos ricos de reflexão docente e trocas de experiências significativas e enriquecedoras a prática desenvolvida.

“Uma prática reflexiva leva à (re)construção de saberes, atenua a separação entre teoria e prática e assenta na construção de uma circularidade em que a teoria ilumina a prática e a prática questiona a teoria” (ALARCÃO, 2005, p. 99).

o professor reflexivo está sempre reconhecendo os pontos de sua atuação ou planejamento que precisam ser melhorados e reconhece quando suas intervenções alcançaram os objetivos de uma prática docente de qualidade,que não permite a rotina,mas busca as novidades.
O professor não deve se conformar com as dificuldades do cotidiano escolar,mas deve combater a estas,refletindo como pode qualificar-se e buscar estratégias de aprimoramento de seu trabalho.Um trabalho reflexivo,aberto ao diálogo e a mudança necessária,permite a formação de alunos críticos e reflexivos.

Alarcão (2005) conceitua o professor reflexivo, descrevendo-o como um profissional que necessita saber quem é e as razões pelas quais atua, conscientizando-se do lugar que ocupa na sociedade. A autora acrescenta ainda que “os professores têm de ser agentes ativos do seu próprio desenvolvimento e do funcionamento das escolas como organização ao serviço do grande projeto social que é a formação dos educandos” (ALARCÃO, 2005, p. 177).

Freire já trazia esta ideia de reflexão docente,já pensando nas necessidades do aluno de hoje e a Educação em geral,pois sabia que o professor não devia agir de forma engessada,mas refletir,repensar e refazer suas práticas docentes.

A prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer. [...] O que se precisa é possibilitar, que, voltando-se sobre si mesma, através da reflexão sobre a prática, a curiosidade ingênua, percebendo-se como tal, se vá tornando crítica. [...] A prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer (FREIRE, 1996 p. 38).

Levar os alunos a refletirem suas relações e produções escolares também foi uma experiência vivenciada neste período. Fica evidente que para as crianças,também a reflexão tem um papel de grande valia na formação de valores e socialização escolar das crianças.
No período de estágio e na minha atuação docente,a reflexão acontece de forma constante,sempre na busca pelo fazer melhor, resolver tal situação ou buscar o embasamento teórico necessário ao apoio das práticas e intervenções no cotidiano escolar.
Posso considerar o pensamento de Alarcão com respeito ao professor reflexivo como um relevante conhecimento,que me permitiu reconstruções relevantes na caminhada docente e na minha formação acadêmica.



ALARCÃO, Isabel (Coord.). Formação reflexiva de professores: estratégias de supervisão. Porto: Porto Editora, 2005.

 ______. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. 5 ed. São Paulo: Cortez, 2007. 

CARDOSO, Celso Aparecido. Formação crítico-reflexiva: a relação teoria e prática. Integração: ensino, pesquisa, extensão, ano VIII, nº 30, agosto de 2012.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

REFLETINDO SOBRE PÁSSAROS ENGAIOLADOS E PÁSSAROS LIVRES






"Há escolas que são gaiolas.Há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo.Pássaros engaiolados são pássaros sob controle.Engaiolados,seu dono pode levá-los para onde quiser.Pássaros engaiolados tem sempre um dono.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.O que elas amam são pássaros em voo.Existem para dar aos pássaros coragem para voar.Ensinar o voo,isso elas não podem fazer,porque o voo já nasce dentro dos pássaros.O voo não pode ser ensinado.Só pode ser encorajado."
RUBEM ALVES 



Rubem Alves ao trazer este cenário das gaiolas e das asas,provoca uma reflexão relevante e profunda sobre como concebemos a aprendizagem ,e como a conduzimos em nossas turmas ,dentro de nossas Escolas.
Na interdisciplina de Seminário Integrador IV,ao ler,refletir e manifestar meu pensamento em relação a esta obra, deste autor extraordinário,fiquei em primeiro momento impactada e constrangida em repensar a minha prática pedagógica,na época,nas turmas de anos iniciais do ensino fundamental.
Hoje,ao final da graduação,com ainda um pouco mais de caminhada no cenário escolar e atuando nas turmas de Educação Infantil,a ideia das gaiolas e das asas voltam ainda com maior força.
As escolas que são gaiolas,facilmente identificadas pelo seu método ou pensamento em relação ao ensino,são marcadas pela ação de decorar,copiar, reproduzir informações e atitudes,pensar de maneira a qual é incentivado a pensar,diferente das escolas que são asas,aquelas que trazem o conhecimento,e a partir dele permitem que o aluno elabore a  sua opinião,que ele possa a partir das informações,conceitos e relações com o meio e objetos de aprendizagem construir seus conhecimentos.
Na Educação Infantil ainda é mais extrema a atitude do "engaiolamento" ou do "encorajamento ao voo" dos "pássaros".As crianças das turmas de Educação Infantil passam muito mais tempo na Escola e suas atividades,vai além do "pedagógico" da questão.Elas se alimentam na Escola,fazem sua higiene,repouso,momentos de pátio e rodas de conversa.As crianças menores precisam explorar e expressar com seu corpo o espaço escolar e serem desafiadas em seu desenvolvimento inicial,sua linguagem e autonomia.

"O sujeito da educação é o corpo, porque é nele que está a vida. É o corpo que 

 quer aprender para poder viver. É ele que dá as ordens. A inteligência é um instrumento

 do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que ela, a inteligência, era a

 “ferramenta” e “brinquedo” do corpo. Nisso se resume o programa educacional do

 corpo: aprender ferramentas, aprender brinquedos. “Ferramentas” são conhecimentos

 que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. “Brinquedos” são todas

 aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria

 à alma"

Neste caso,as "escolinhas" com suas salinhas pequenas,cadeirinhas,horários rigorosamente monitorados,turmas compostas por faia etária onde todos são tratados iguais e definidos por rótulos como "usa fralda-não usa fralda" ou "chupa bico-não chupa bico" são as gaiolas de Rubem Alves está falando,sem contar os 'trabalhinhos" de pintar com o giz de cera(me refiro aos que são fora de um contexto pedagógico).Não é uma crítica,pois já fiz parte deste cenário.
Se trata de uma reflexão sobre como estamos pensando o desenvolvimento de nossas crianças,de como são motivadas a explorar e expressar seus pensamentos,de como oferecemos temas de sentido e significado e de como somos motivadores de suas autonomia.Dar asas,encorajar o voo.
Estagiar nas turmas de educação infantil me trouxe alguns esforços importantes.
Como professora dos anos iniciais,que sempre buscou dar asas e encorajar o voo,a rotina agitada,os brinquedos espalhados e as atividades cheias de bagunça e sujeira da educação infantil me deixavam muito nervosa,parecia que o barulho das crianças representasse falta de domínio docente e que a bagunça que acontecia na sala era falta de controle do professor.Com as muitas reflexões,embasamento teórico relevante e,principalmente a parceria da supervisão de estágio e experiência de muitos docentes da área,consegui reconstruir meu pensamento em relação a isso,compreendendo que a aprendizagem para ser construído requer movimento,mudança.barulho e muitas vezes,se tratando de pequenos alunos,certa bagunça.
Retirei as gaiolas do meu fazer docente,compreendendo como e onde os limites e as combinações entram e onde é preciso permitir o movimento em sala de aula.
Com certeza,eu opto por escolas asas,e que devemos mais do que nunca,banir as gaiolas da educação que reprimi e promove a limitação das aprendizagens e dos pensamentos infantis.   




Representar o corpo no tamanho natural






Aula de culinária(manusear,criar,comer)


    
Atividade de pintura com os pés em espaço livre











Conceber a aprendizagem dentro de uma pedagogia relacional,construtivista,baseada no interacionismo,requer do educador uma busca permanente de pela inovação,por conhecimentos teóricos conceituais,experimentação,criticidade e uma postura mediadora e motivadora das aprendizagens,e isto é um pensamento,não um projeto ou atividade em sí. Mas ousar diversificar o espaço,os materiais, as propostas e as interações é um passo importante dentro deste processo.  


ALVES, Rubem. Estórias de quem gosta de ensinar. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1984. 108p. 6. Gaiolas ou Asas? (p. 29).


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

          Repensando a Postura e as Responsabilidades Docentes


O Estágio Curricular Obrigatório,embora não fosse minha primeira experiência docente,mas um momento de reconstrução e consolidação de um importante período de aprendizagens,exigiu de mim uma parada a reflexão,uma certa retomada da minha caminhada de trabalho.Mesmo exercendo a docência já algum tempo,no momento em que eu precisaria relacionar fortemente minha prática com os conhecimentos adquiridos,tendo em vista que eu teria uma supervisão de professores da Universidade para me apoiar,e inevitavelmente me avaliar,me senti motivada a refletir não só o meu trabalho,mas minha identidade,ou seja,minha postura profissional.




  



Sem dúvida,uma obra intensamente discutida e refletida durante o Curso de Pedagogia e que modificou e me fez repensar atitudes e intervenções do meu fazer docente, Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire,foi uma visita inevitável para apoiar este momento relevante.No quaro eixo do curso,me dediquei não só a refletir,mas registrar neste portfólio as ideias de Freire com relação a postura docente,as práticas que moldam e denunciam os objetivos que um professor deseja alcançar em seu trabalho  de educar. 

No momento de Estágio,cabe ressaltar que o professor-aluno precisa ter claro suas responsabilidades docentes,sabendo reconhecer os importantes sujeitos deste processo,levando-os em conta durante todo o planejamento e decorrer do trabalho desenvolvido.É preciso saber,que o objetivo do estágio é a prática pedagógica embasada nos teóricos da Educação,onde o professor-aluno consolidará suas aprendizagens.Os alunos são sujeitos importantes deste processo e devem ser respeitados como o centro de todo o trabalho docente,pois não são "cobaias" de uma prática,mas protagonistas.Assim como a instituição de ensino concedente de estágio,que deve comprometer-se na parceria deste trabalho,mas também colher frutos.E,principalmente,a supervisão de estágio,a Universidade,que presente e responsável por este momento,deve também ter alcançados os objetivos planejados.Sendo assim,os sujeitos do período de estágio são muitos,mas o professor-aluno,com sua prática,é o ápice deste evento."Ensinar exige estética e ética".

Nesta importante obra,Paulo Freire,caracteriza de forma clara,a postura docente e como se deve dar a prática pedagógica.Ele começa,como que,já motivando a nós professores-alunos,quando diz que "Não há docência,sem discência",ou seja temos que buscar aprender,refletir,embasar as intervenções em referenciais teóricos consistentes,tendo a ideia que não sabemos tudo."Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender",Trazendo ainda,que é preciso ao professor ter a ideia do inacabamento.

Entre o saber feito de pura experiência e o resultante dos procedimentos metodicamente rigorosos, não há uma ruptura, mas uma superação que se dá na medida em que a curiosidade ingênua, associada ao saber do senso comum, vai sendo substituída pela curiosidade crítica ou epistemológica que se rigoriza metodicamente.

"Ensinar não é transferir conhecimentos,mas criar possibilidades ao aluno,para sua própria construção"(FREIRE,1996),é a máxima que motivou esta minha caminhada neste importante período de trabalho.A o pensar nas aprendizagens da educação infantil,nas propostas de atividade que possibilitavam a reflexão e a construção e em todo o projeto de trabalho em si,era o ponto que me garantia que estava no caminho certo.

O processo de planejar,aplicar e refletir sobre o trabalho e as intervenções realizadas,permite ao professor se reconstruir,percebendo os avanços e as atitudes que podem ser aperfeiçoadas em relação a mediação das construções cognitivas realizadas em sala de aula.Esse é um importante ponto do período de estágio,assim como o registro de todas essas situações de aprendizagem ou situações problema,que produzem busca teórica e reflexão,reconstruindo o fazer docente."Educar exige reflexão crítica sobre a prática".

A pesquisa,a esperança,comprometimento,curiosidade,respeito aos saberes do educando e tantos outros pontos trazidos por Freire nesta ocasião,me foram de extrema valia no embasamento das reflexões e fazer docente durante o período de estágio curricular e em toda a minha formação profissional.





  FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.









quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

            Primeiro Passo: Traçar uma linha de trabalho!


"Construtivismo não é uma prática ,ou um método,não é uma técnica de ensino nem uma forma de aprendizagem;não é um projeto escolar,é sim,uma teoria que permite (re)interpretar todas as coisas"
(BECKER,2001,p.72)



  


Como já relatado aqui,quando iniciei o Curso de Pedagogia já atuava em sala de aula e buscava,dentro de meus conhecimentos trazidos pelo Curso Normal e pela experiência,desenvolver um trabalho de aprendizagem significativa,onde os alunos participavam de diversas formas destes processos,me preocupando em oferecer atividades diversificadas,que não fossem massantes e empolgassem os alunos a aprender.Meu primeiro contato com o texto Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos do professor Fernando Becker,aconteceu no quarto eixo do PEAD,postando aqui minhas primeiras percepções,já me permitindo embasar o trabalho que realizava e perceber que era extremamente necessário que a aluno construísse as aprendizagens,mas eu demorei muito para deixar de acreditar na importância da minha transmissão de informações em sala de aula,até porque nesta época,trabalhava com os anos iniciais do ensino fundamental,onde os conteúdos ainda eram hipervalorizados dentro da Escola.

Nos eixos finais do Curso revisitamos o texto,mas foi no período de estágio curricular obrigatório,que ele me serviu de apoio para traçar,independente de tema,atividades ou projetos, a linha de trabalho que embasaria todo o trabalho desenvolvido com a turma de Educação Infantil,o Maternal II.

A rotina da educação infantil,permeada de momentos de "cuidado",ou seja,a alimentação,a higiene,o pátio,escovação,soninho e outras situações características da educação infantil,já acabam por fazer com que o educador desfoque de sua linha pedagógica,acabando,se este assim permitir,tornando-se um ambiente de atividades e práticas cotidianas e vazias de reflexão.As crianças da educação infantil,por serem menores,precisam de atividades mais direcionadas,acompanhadas e de pouca duração,já que a concentração desta faixa etária é menor.Esse fato,faz com que muitos educadores da educação infantil,planejem atividades muito simples,sem envolvimento das crianças,como pinturas ou desenhos sem sentido,desligadas de um contexto de aprendizagem.A triste e cruel ideia de que a criança nada sabe(tábula rasa) e por isso o professor(que tudo sabe) dá os "trabalhinhos",cenário muito comum ainda nas escolas de educação infantil."O professor fala e o aluno escuta,o professor decide o que fazer e o aluno executa,o professor "ensina" e o aluno "aprende".

Infelizmente,pela experiência que tenho em sala de aula,também o cenário empirista e apriorista se revelam nas salas de aula repletas de crianças,enfileiradas,sentadas uma após outra,copiando,decorando,repetindo informações e ouvindo os conhecimentos que vem do professor.

Para Freire,1979, o professor, além de ensinar, passa a aprender; e o aluno, além de aprender, passa a ensinar. Nesta relação, professor e alunos avançam no tempo. As relações de sala de aula, de cristalizadas - com toda a dose de monotonia que as caracteriza - passam a ser fluídas. O professor construirá, a cada dia, a sua docência dinamizando seu processo de aprender Os alunos construirão, a cada dia, a sua discência, ensinando, aos colegas e ao professor, novas coisas. Mas, o que avança mesmo nesse processo é a condição prévia de todo aprender ou de todo conhecimento, isto é, a capacidade construída de, por um lado, apropriar-se criticamente da realidade física e/ou social e, por outro, de construir sempre mais e novos conhecimentos.

A minha maior certeza ao iniciar o estágio,certeza fruto destas reflexões,era de que não podia ser assim.Eu precisava,por meio de um planejamento significativo e atividades estimuladoras,trilhar um caminho de sentidos e significados,observar habilidades e traçar estratégias para confrontar as defasagens cognitivas de desenvolvimento,por meio da construção dos conhecimentos,assumindo um papel de motivadora e mediadora das descobertas e aprendizagens.Durante o estágio,também ficou evidente,que outros momentos da rotina,não só o da atividade propriamente dita,contribuem para as aprendizagens na educação infantil.As aprendizagens ocorrem por meio de todas essas interações e relações das crianças com os objetos de aprendizagem.

"Que o aluno aja sobre o material significativo e desafiador,que o aluno responda as provocações provocadas pelo material,ou que se aproprie,em um segundo momento,não mais do objeto,mas dos mecanismos provocados pela sua ação sobre o material".

Segundo Becker,2001,construtivismo é a construção dos conhecimentos mediante ação sobre o objeto de aprendizagem,formação de estruturas assimiladoras em conjunto com a condição prévia e a maturação biológica necessária.Becker tem todo o seu trabalho de pesquisa baseado na epistemologia genética piagetiana,que defende a capacidade do aluno de aprender.

Para Piaget,1977, mentor por excelência de uma epistemologia relacional, não se pode exagerar a importância da bagagem hereditária nem a importância do meio social.O que ele rejeita, no entanto, é a crença de que a bagagem hereditária já traz, em si,programados os instrumentos (estruturas) do conhecimento e segundo a qual bastaria o processo de maturação para estes instrumentos manifestarem-se em idades previsíveis,segundo estágios cronologicamente fixos (apriorismo). Rejeita, de outro lado, que a simples pressão do meio social sobre o sujeito determinaria nele mecanicamente, as estruturas do conhecer (empirismo). Para Piaget, o conhecimento tem início quando o recém-nascido age assimilando alguma coisa do meio físico ou social. Este conteúdo assimilado, ao entrar no mundo do sujeito, provoca, aí, perturbações, pois traz consigo algo novo para o qual a estrutura assimiladora não tem instrumento. Urge, então, que o sujeito refaça seus
instrumentos de assimilação em função da novidade. Este refazer do sujeito sobre si mesmo é a acomodação. É este movimento, esta ação que refaz o equilíbrio perdido; porém, o refaz em outro nível, criando algo novo no sujeito. Este algo novo fará com que as próximas assimilações sejam diferentes das anteriores, sejam melhores: equilibração majorante, isto é, o novo equilíbrio é mais consistente que o anterior. O sujeito constrói - daí, construtivismo - seu conhecimento em duas dimensões complementares, como conteúdo e como forma ou estrutura; como conteúdo ou como condição prévia de assimilação de qualquer conteúdo.

Sendo assim,o professor Becker,baseado na epistemologia genética de Piaget e nas ideias trazidas por Freire,traz neste texto,Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos,uma reflexão muito forte com relação a linha de trabalho relacional,que permite,tanto ao professor como ao aluno,construirem de forma significativa seus conhecimentos.De acordo com essas reflexões,busquei em meu estágio,propor estratégias e atividades de provocação e interação das crianças da educação infantil com as mais variadas situações de aprendizagem.



BECKER,Fernando.Modelos pedagógicos e Modelos epistemológicos.Educação e Realidade.Porto Alegre,p.89-96,01 de junho,1994.  

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 6. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979. 218p.

PIAGET, Jean et alii. Recherches sur l’abstraction réfléchissante. Paris, P.U.F., 1977. 2v, p.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Quando a teoria conversa de perto com a prática:

O Estágio Curricular Obrigatório


 

O período final do Curso de Graduação em Pedagogia,mais precisamente o eixo VIII,tem como principal objetivo estabelecer esta relação teoria e prática por meio do estágio curricular obrigatório. No meu caso,professora por alguns anos nas turmas de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental,o sentimento inicial foi um misto de curiosidade para saber o que viria de novo a partir da nova situação a ser enfrentada e receio,por saber que,com certeza,mudanças se seguiriam e eu precisava estar aberta a elas.Diferente de uma aluna de pedagogia que nunca exerceu a docência,eu sentia que tudo o que eu fazia e sabia,e até os conhecimentos que construí durante o curso estariam em um momento de total reflexão e avaliação.

Ao iniciar o estágio,revi o filme Como Estrelas na Terra,sugerido pela interdisciplina do Seminário Integrador e fonte de muitas reflexões em relação a atuação docente e a importância do olhar atento do professor para as necessidades e as especificidades de cada aluno.Neste filme,um aluno com dislexia,desmotivado pela família,escola e sociedade,encontra um professor que o vê de forma diferente a necessidade deste aluno e motiva suas aprendizagens,de forma lúdica e motivadora,incentiva seus maiores talentos,sendo um instrumento de inovação em sua escola de atuação.

O fato de estarmos em sala de aula cotidianamente,enfrentando dificuldades e inúmeras  situações,por vezes faz com que venhamos atuar de forma automática,isto é,fazendo o mesmo trabalho todos os dias,sem refletir de forma aprofundada a cada intervenção que praticamos ou naquilo que estamos planejando e oferendo como instrumentos de aprendizagem aos alunos,ou até mesmo a postura que adotamos."Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática" (FREIRE,1996)

Ao ingressar no Curso de Pedagogia,o Pead,já senti provocações importantes que me fizeram repensar muitas atitudes e planos de aula.Formada no Curso Normal e atuando na rede estadual de ensino,por mais que buscasse fazer o melhor,ops conhecimentos e reflexões que o curso trouxeram,já me provocaram e o Estalo de Vieira vinha a cada nova reflexão,movimentando minha prática pedagógica.O estágio é o ápice deste processo,onde se planeja,se descreve as aulas e as avalia,refletindo e refazendo muitas práticas.

Já nos primeiros Workshops de Avaliação Integrada o meu foco sempre era expor o quando as reflexões e os conhecimentos do Curso me faziam refletir a prática pedagógica,inclusive pude registrar aqui,escrevendo sobre estas mudanças. 

A presença da supervisão de estágio,o apoio,a motivação e a complementação dos planejamentos e práticas é como uma "reforma na forma de atuar".Repensar e refletir sobre embasamento teóricos sólidos,consolidam a prática de ensino."Considero importante que o professor reflita sobre sua experiência profissional, sua atuação educativa, os seus mecanismos de ação..."(ALARCÃO,1992) 

Pude realizar meu momento de estágio na minha turma de educação infantil.A turma que trabalhava desde o inicio do ano de 2018,o que me trouxe mais segurança.Atuando muito tempo nas turmas de alfabetização,a educação infantil ainda me era um campo perigoso,devido a ter experiências anteriores com turmas bem agitadas e indisciplinadas,este nivel parecia a mim 
não muito confiável,sendo assim o cenário ideal para o enfrentamento,já que neste momento eu estaria sendo auxiliada pela equipe de orientação de estágio,o que me dava confiança para ir em frente.

Agradeço a todos que me apoiaram neste momento e destaco como uma aprendizagem importante a esta altura de meu processo de graduação é que o professor nunca está pronto,ele deve aprender para ensinar e refletir suas ações em todo o tempo,pois a educação se renova e é infinita em crescimento!




O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.
                                                Cora Coralina







Turma do Maternal II da Escola Viver e Aprender
2018






ALARCÃO, Isabel(org).Formação Reflexiva de Professores: Estratégias de Supervisão. Editora Porto,1992.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra,1996.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

                          INOVAÇÕES PEDAGÓGICAS

"...Inovação não é uma simples renovação,pois implica uma ruptura com a situação vigente,mesmo que seja temporária ou parcial.Inovar faz supor trazer a realidade educativa algo efetivamente novo,ao invés de renovar que implica fazer aparecer algo sob um aspecto novo,não modificando o essencial"(CARDOSO,1992,p.1)

O texto de Maria Isabel da Cunha,Inovações Pedagógicas e Reconfigurações de Saberes no Ensinar e no Aprender na Universidade,traz uma forte reflexão com relação as mudanças sofridas ao longo do tempo na sociedade e os reflexos destas mudanças nos processos pedagógicos da escola. Pensar em que vivemos em uma sociedade que tem vivenciado diversas transformações ao longo do tempo,sejam elas econômicas,sociais,políticas,e principalmente,tecnológicas.Tudo mudou e se modernizou,e a tecnologia tem avançado e modificado o cotidiano de nossos estudantes.Vivemos o momento da tecnologia da comunicação e da informação,onde se encontra informações de forma muito fácil e rápida,onde tudo é muito fácil e urgente.Dentro deste processo nos deparamos com uma escola que segue ensinando com os mesmos materiais,os mesmos recursos e ,mais assustador,os mesmos objetivos da escola do passado.
Quando se fala em inovações pedagógicas,estamos falando em repensar as práticas,utilizar recursos mais modernos e mais dentro da realidade dos alunos e educar com sentido e significado,ou seja,traçar objetivos e modelar o olhar docente as reais necessidades deste aluno atual.
E um ponto muito importante desta discussão,é que não se trata de considerar toda a prática educativa que se tem vivido como "lixo",desconsiderando o que é essencial.Se trata de uma mudança de pensamento,de (re)criar recursos e técnicas de ensino,(re)pensar os objetivos e estratégias,adequando os recursos ao encontro das reais necessidades e habilidades de nossos estudantes,tanto com o uso de recursos tecnológicos,como de outros recursos,reorganizados por meio das reflexões sobre inovar a prática pedagógica.

"A inovação não se decreta.A inovação não se impõe.A inovação não é um produto.É um processo.Uma atitude.É uma maneira de ser e estar na educação."(NÓVOA apud CARDOSO,2003.p.14)

Fiquei muito emocionada ao assistir um vídeo onde crianças indianas tem seu primeiro contato com a tecnologia e o impacto que este fato causa em suas vidas e na comunidade em que vivem.O vídeo se chama O BURACO NO MURO e traz uma significativa reflexão sobre a importância de educá-las para a atualidade.

"Inovação pedagógica é o rompimento com um paradigma através do arcabouço teórico e dialógico fundamentados nas teorias que versam sobre saberes produzidos ao longo da história humana"(CUNHA,2004,p.8).

A autora nos traz ainda a reflexão de que temos,nós educadores,uma forma positivista da educação,onde tudo deve ter uma sequencia,uma ordem,com objetivos claros de preparação do aluno para algo ou um estágio seguinte,o que faz com que fiquemos engessados no sentido de repensar a prática pedagógica de forma a inovar a prática.

A inovação pedagógica tem algumas características claras de se apresentar em um processo educativo:
-Provoca uma ruptura na forma tradicional de ensino propondo mudança.
-Coloca o aluno como o protagonista das experiências de aprendizagem
-Reconfigura e equilibra a importância dos saberes popular e científico.
-Reorganiza a relação entre teoria e prática,compreendendo que são indissociáveis e caminham juntas.
-Inserção de novos recursos,materiais e técnicas de ensino e aprendizagem.

"A inovação pedagógica traz algo de "novo",ou seja,algo ainda não estreado;é uma mudança,mas intencional e bem evidente;Exige um esforço deliberado e conscientemente assumido;Requer uma ação persistente;Tenciona melhorar a prática educativa;O seu processo deve poder ser avaliado;Para poder se construir e se desenvolver,requer componentes integrados de pensamento e de ação"(CARDOSO,1992)







CUNHA,Maria Isabel da.Inovações Pedagógicas e Reconfigurações de Saberes no Ensinar e no Aprender na Universidade.VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais.Centros de Estudos Sociais,Faculdade de Economia,Universidade de Coimbra,Portugal,16 a 18 de setembro de 2004.